“Eu vi o vídeo e não consegui acreditar quando percebi que o Colete trocou de facção ao vivo, enquanto o Facão, fundação do TCP que dizia ter mudado de vida na mídia, acabou preso comandando tudo por trás!”
Reviravoltas no crime organizado do Rio: a migração de um homem de guerra e a queda de uma liderança histórica
Um vídeo transmitido ao vivo nas redes sociais capturou um momento tenso e altamente simbólico sobre a dinâmica das facções criminosas no Estado do Rio de Janeiro. Nas imagens, um criminoso conhecido pelo apelido de Colete apareceu em uma transmissão ao vivo ao lado de indivíduos ligados ao Complexo da Serrinha. A aparição pública ocorreu logo após a confirmação de que ele decidiu abandonar o Terceiro Comando Puro (TCP) para integrar a facção rival Comando Vermelho (CV), passando a compor a chamada “tropa do Urso”.
Durante a transmissão, os participantes trocaram provocações diretas. Integrantes do grupo rival questionaram a postura do ex-aliado, relembraram momentos passados e fizeram ironias sobre sua movimentação entre as comunidades. A conversa revelou o clima de tensão gerado pela troca de lado, enquanto o próprio investigado interagia afirmando sua nova posição e rebatendo os comentários dos antigos companheiros.

A relevância estratégica e o impacto nas áreas de conflito
Antes de trocar de facção, Colete integrava a chamada tropa do Corinthians na comunidade do Barro 3, estrutura apontada como uma das principais lideranças do Terceiro Comando Puro na região de Duque de Caxias, com influência que se estende até as proximidades de Belford Roxo. A mudança de aliança contou com a intermediação de um indivíduo conhecido como BX, vindo do Corte 8, e culminou na ida do suspeito para o Complexo da Penha levando armamento de alto calibre.
A saída de Colete representa uma perda considerada significativa para sua antiga facção. Dentro da estrutura criminosa, ele era apontado não apenas como um homem de combate e articulador de guerra, mas também como operador de drones utilizados para monitoramento e ações táticas. Sua migração é vista por autoridades e observadores do cenário de segurança como um fator capaz de intensificar disputas territoriais e gerar novos conflitos armados nas regiões de Duque de Caxias e Belford Roxo.
A prisão de um dos fundadores da facção na Ponte Rio-Niterói
Paralelamente às movimentações nos morros e redes sociais, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro realizou a prisão de Nei da Conceição Cruz, conhecido como Facão. Considerado um dos fundadores do Terceiro Comando Puro, ele foi detido na noite de uma terça-feira por agentes da Delegacia de Homicídios da Capital enquanto dirigia um veículo modelo Toyota Corolla pelo pedágio da Ponte Rio-Niterói. A abordagem cumpriu um mandado de prisão preventiva expedido pela 4ª Vara Criminal da Capital.
As investigações policiais apontam que, mesmo tendo cumprido cerca de 20 anos de prisão até sua soltura em 2023, Facão nunca deixou de exercer papel de liderança sobre a organização. De acordo com os relatórios oficiais, ele mantinha influência direta nas decisões estratégicas da facção, incluindo a determinação de ataques, ordenamento de execuções, distribuição de armas de grosso calibre, além da gestão de pontos de venda de drogas, roubos de carga e esquemas de lavagem de dinheiro operados por intermédio dos responsáveis pelas comunidades do Complexo da Maré.
O contraste entre o discurso de ressocialização e as investigações policiais
O caso de Facão chama atenção do público pelo contraste entre sua imagem pública recente e as acusações apresentadas pelas autoridades. Após deixar o sistema penitenciário em 2023, ele passou a atuar em projetos de reintegração social vinculados ao AfroReggae e trabalhou na área de produção audiovisual. Nessa função, participava da consultoria de produções ao lado de ex-integrantes de facções rivais, utilizando suas vivências passadas para conferir realismo técnico às narrativas sobre o universo criminal.
No entanto, o trabalho de inteligência da Delegacia de Homicídios revelou que a atuação na produção audiovisual ocorria de forma paralela à manutenção de suas funções no crime organizado. Depoimentos de integrantes da própria facção e relatórios de ocorrência confirmaram que ele continuava administrando e influenciando atividades ilícitas em localidades como as comunidades do Muquiço e o Complexo de Senador Camará.
Investigações sobre a morte de policial militar e disputas históricas
Entre os elementos que fundamentaram a nova ordem de prisão contra Facão está sua suposta participação na execução do sargento da Polícia Militar Gabriel Guimarães Saisaú, de 41 anos. O policial, que era lotado no Batalhão de Choque, foi encontrado morto com diversas marcas de disparos de arma de fogo em 21 de julho do ano passado no Complexo da Maré. A perícia e as apurações conduzidas pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense concluíram que o crime ocorreu na comunidade da Vila do João, a cerca de 15 quilômetros do local onde o corpo e o veículo foram localizados.
Além disso, os registros históricos da 21ª Delegacia de Polícia apontam que Facão teve papel central na expulsão de uma facção rival do Complexo da Maré em anos anteriores. Diante do cumprimento do mandado preventivo, o investigado permanece à disposição da Justiça, enquanto os desdobramentos sobre a estabilidade do comando do grupo e os reflexos da recente migração de seus integrantes continuam sob monitoramento rigoroso das forças de segurança.