Ataque a tiros na Cachoeirinha encerra trajetória do homem apontado como o “maníaco do distrito” em Manaus
Ataque a tiros na Cachoeirinha encerra trajetória do homem apontado como o “maníaco do distrito” em Manaus
Os disparos efetuados contra um veículo no bairro Cachoeirinha, na capital amazonense, trouxeram à tona a identidade de um alvo com histórico extenso nos registros policiais de Manaus. Trata-se de Elivaldo de Lima Andrade, indivíduo apontado pelas investigações como o “maníaco do distrito”, denominação atribuída pela polícia em razão de uma série de crimes sexuais cometidos contra mulheres e adolescentes na região do Distrito Industrial. O episódio violento resultou na morte do condutor e reabriu discussões sobre a sequência de ocorrências que marcaram sua trajetória perante a Justiça.
A confirmação da identidade foi feita pelas autoridades após o socorro inicial prestado à vítima, que não resistiu aos ferimentos provocados pelos projéteis. O caso mobilizou equipes de reportagem e agentes de segurança pública, uma vez que o histórico do motorista envolvia detenções anteriores, investigações formais e denúncias graves registradas ao longo de quase uma década na capital do Amazonas.

A emboscada em via pública e a ação rápida dos atiradores
O ataque ocorreu em plena luz do dia, em uma das vias do bairro Cachoeirinha. Elivaldo de Lima Andrade se encontrava no interior de seu próprio automóvel quando foi surpreendido pela aproximação de dois suspeitos a bordo de uma motocicleta. A ação transcorreu sem que houvesse tempo hábil para tentativa de fuga ou reação por parte da vítima.
De acordo com as apurações preliminares divulgadas pela equipe de jornalismo, os ocupantes da moto efetuaram três disparos de arma de fogo diretamente contra Elivaldo. Após os tiros, a dupla empreendeu fuga imediata do local, enquanto moradores e testemunhas acionavam o atendimento de emergência para prestar os primeiros socorros.
O homem atingido chegou a ser resgatado com vida e encaminhado com urgência a uma unidade hospitalar da rede pública de saúde. No entanto, em decorrência da gravidade das perfurações causadas pelos projéteis, os profissionais médicos confirmaram o óbito pouco tempo após a sua entrada no pronto-socorro.
A origem do codinome e o modus operandi no Distrito Industrial
A identificação de Elivaldo de Lima Andrade como o “maníaco do distrito” remete a um padrão de atuação mapeado pelas forças de segurança pública do Amazonas. O apelido foi cunhado pela própria polícia em razão da concentração geográfica dos ataques atribuídos a ele, que ocorriam prioritariamente nas imediações do Distrito Industrial de Manaus.
À época dos primeiros registros, Elivaldo exercia a profissão de motorista de caminhão. Conforme indicaram as investigações, ele utilizava a rotina de trabalho e a circulação constante em veículos para monitorar a movimentação em vias públicas. Ao identificar mulheres ou adolescentes caminhando sozinhas, ele realizava a abordagem, forçava a entrada das vítimas no veículo e consumava os abusos.
Os relatórios policiais apontam que pelo menos quatro vítimas adolescentes foram estupradas pelo indivíduo ao longo de suas ações na região industrial. As investidas geraram alerta contínuo entre os trabalhadores e moradores daquela localidade, culminando na formalização de inquéritos e na identificação detalhada de seu método de abordagem.
O histórico de prisões e a reincidência ao longo dos anos
A primeira grande ação policial contra o acusado ocorreu no ano de 2015, quando Elivaldo foi detido e levado ao sistema prisional pelas acusações de estupro cometidas contra mulheres no Distrito Industrial. Apesar da gravidade das denúncias e dos procedimentos legais instaurados naquele período, ele acabou sendo colocado em liberdade após o cumprimento inicial das medidas judiciais.
Anos mais tarde, em 2024, novos desdobramentos policiais voltaram a colocar o motorista no centro das investigações. Elivaldo foi preso novamente pelas forças de segurança, desta vez sob a acusação de violência sexual praticada contra uma adolescente de 13 anos de idade. O episódio reativou as denúncias sobre sua conduta e reforçou a classificação de reincidência em crimes de abuso.
Contudo, com o decorrer dos trâmites processuais, ele voltou a obter a soltura e a circular pelas ruas de Manaus. A reincidência e o retorno do investigado ao convívio social mantinham o caso sob vigilância atenta dos órgãos de segurança e na memória das comunidades afetadas pelas ações criminosas atribuídas a ele.
Ameaças prévias e a linha de investigação por acerto de contas
Antes de ser alvo da investida letal na Cachoeirinha, Elivaldo de Lima Andrade já estava sob a mira de ameaças de morte. As informações apuradas indicam que a hostilidade e os avisos recorrentes estavam diretamente vinculados aos crimes sexuais que ele havia cometido e pelos quais já havia sido condenado e detido anteriormente.
Diante desse cenário, a Polícia Civil trabalha com linhas de apuração que consideram a possibilidade de acerto de contas ou vingança motivada pelo passado criminal da vítima. A forma como os executores agiram — em dupla, utilizando motocicleta e direcionando os disparos com precisão antes de fugir — é compatível com ações planejadas de execução.
Os investigadores continuam reunindo elementos para identificar a autoria dos disparos e esclarecer a dinâmica completa da abordagem no bairro Cachoeirinha. As autoridades policiais acompanham os desdobramentos para determinar se a ordem para o ataque partiu de pessoas ligadas às vítimas do passado ou de outros grupos.
O desfecho de um caso marcado por episódios de violência
A morte de Elivaldo de Lima Andrade encerra a série de acusações e processos em andamento contra a figura identificada publicamente como o “maníaco do distrito”. O desfecho violento nas ruas de Manaus reflete as consequências de um histórico prolongado de abusos que deixaram marcas profundas nas vítimas e em seus familiares ao longo de quase uma década.
Enquanto a polícia prossegue com as diligências para identificar e capturar os dois ocupantes da motocicleta responsáveis pelo assassinato, o caso permanece em evidência nos debates sobre reincidência criminal e segurança pública. A apuração segue aberta para esclarecer os detalhes finais da execução que culminou no término dessa trajetória.