As revelações de um inquérito de duas mil páginas e os bastidores da investigação

As revelações de um inquérito de duas mil páginas e os bastidores da investigação

Um documento policial volumoso, com mais de duas mil páginas, reúne anos de investigações conduzidas por delegados do interior paulista, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya. Enquanto a defesa técnica, encabeçada pelo advogado Aury Lopes Júnior, ao lado de familiares da influenciadora, sustenta publicamente a tese de perseguição por origens nordestinas e pela ascensão social da advogada, as apurações policiais traçam uma narrativa totalmente diferente, baseada no rastreamento minucioso de transações bancárias e interceptações.

O bilhete no esgoto e o ponto de partida das apurações

A linha de investigação que culminou nas ações recentes começou a ser traçada em 14 de fevereiro de 2019. Naquela data, uma operação de inteligência transferiu Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, seu irmão e outros 20 indivíduos ligados à cúpula da mesma organização para presídios federais de segurança máxima, dispersando o grupo pelo território nacional.

Após a transferência, agentes penais que monitoravam a unidade prisional identificaram que dois detentos da cela 139 haviam assumido o controle da comunicação interna por meio de bilhetes manuscritos. Durante uma vistoria surpresa na cela, os agentes vasculharam a tubulação de esgoto e resgataram dezenas de papéis sujos. Ao serem analisados pelas autoridades, esses bilhetes continham ordens expressas para assassinar o ex-diretor e o então diretor do presídio, além de fazerem menção a uma mulher descrita apenas como a dona de uma transportadora instalada nas proximidades da unidade prisional.

A transportadora vizinha e a rota até a sigla enigmática

A investigação avançou sobre essa empresa de transportes, que rapidamente adquiriu nove caminhões pertencentes a um casal até então de baixa renda, identificado como Lidiane e Ciro. O monitoramento policial apontou que a mulher passou a exibir viagens frequentes para Miami e atuar como influenciadora digital nas redes sociais, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro vinculada à facção.

Ao aprofundar os inquéritos contra a dona da transportadora, seu cônjuge e um terceiro homem conhecido pela alcunha de Playboy (Everton), os peritos apreenderam o aparelho celular deste último. Na análise das mensagens e registros de transferências bancárias contidos no telefone em 2022, surgiu uma referência com a sigla “DB”. O cruzamento de dados realizado pela polícia civil revelou que a sigla correspondia diretamente ao nome de Deolane Bezerra Santos.

Empresas registradas, endereços sem placa e idosos surpresos

A partir do aparecimento do nome em 2022, os investigadores passaram a acompanhar a movimentação da influenciadora pelos anos seguintes de 2023, 2024 e 2025. Durante esse intervalo, enquanto Deolane participava de reality shows, viajava e adquiria imóveis de luxo, a equipe ministerial e policial mapeava todas as suas contas bancárias de pessoas física e jurídica.

O levantamento cadastral constatou a existência de 35 empresas abertas em nome da investigada. Contudo, ao checarem as sedes dessas organizações no interior, as autoridades encontraram uma residência simples, sem qualquer placa ou identificação comercial. No local, morava apenas um casal de aposentados que afirmou à polícia viver exclusivamente de sua renda previdenciária e que nunca havia ouvido falar no nome de Deolane Bezerra ou na existência de empresas operando em seu endereço.

Milhões em circulação e o padrão dos depósitos fracionados

O relatório financeiro elaborado pelos delegados e pelo Ministério Público indicou que as contas vinculadas à advogada movimentaram cerca de R$ 70 milhões, restando apreendido um montante aproximado de R$ 5 milhões entre pessoa física e jurídica. Um dos fatores que chamou a atenção dos investigadores foi a quantidade expressiva de depósitos realizados em dinheiro vivo e de maneira fracionada.

Esse formato de depósito sem identificação obrigatória repetiu-se em diversos recebimentos das empresas, divergindo de negócios regulares que operam majoritariamente por transferências digitais e cartões. Além disso, as buscas e apreensões encontraram quantias em espécie guardadas em caixas na residência da influenciadora, relatórios de sumiço de R$ 80 mil na casa de seu filho e o episódio no qual uma parente tentou realizar o saque de R$ 1 milhão em dinheiro direto na agência bancária, o que levou ao encerramento da conta pela instituição.

A denúncia formal junto a membros da mesma família

A denúncia do Ministério Público não coloca a advogada em um contexto isolado. O processo reúne seis pessoas acusadas no mesmo núcleo por suposta lavagem de dinheiro e associação criminosa: Marco Willians Herbas Camacho, seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho, o sobrinho Leonardo Alexander Ribeiro Herbas Camacho, a sobrinha Paloma Sanchez Herbas Camacho e, completando a lista formal de acusados, Deolane Bezerra Santos.

Os registros indicam que a influenciadora já atuava profissionalmente na defesa jurídica de indivíduos ligados ao grupo antes de atingir a notoriedade pública. A tese das autoridades aponta que a proximidade com o núcleo denunciado é fruto de uma investigação formal e continuada, e não de um ato aleatório. Para a defesa afastar as acusações, será necessária a produção de laudos periciais contábeis que comprovem documentalmente a origem lícita de todos os recursos bloqueados e a real atividade das empresas listadas.

A rotina na cela especial e o impacto do isolamento

Após a execução dos mandados de prisão e a contratação do advogado Aury Lopes Júnior, a rotina de Deolane mudou drasticamente ao perceber a dimensão do processo criminal em relação a episódios anteriores. Diagnosticada com síndrome do pânico na carceragem, a investigada apresentou dificuldades para permanecer sozinha no espaço reservado e solicitou à administração da unidade prisional a presença de outra detenta para acompanhá-la em sua cela especial.

O processo segue sob análise judicial, cabendo exclusivamente ao magistrado da comarca avaliar as provas materiais, os laudos bancários e as alegações da defesa para determinar a condenação ou absolvição dos denunciados. Como você avalia os dados apresentados neste inquérito e qual a sua opinião sobre o desfecho desse caso?

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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