A Reconfiguração das Alianças e a Tensão Crescente no Cenário da Baixada e da Zona Oeste
A Reconfiguração das Alianças e a Tensão Crescente no Cenário da Baixada e da Zona Oeste
Uma série de movimentações recentes nos bastidores do submundo carioca tem chamado a atenção de observadores e moradores do Rio de Janeiro. Relatos que circulam intensamente nas redes sociais apontam para uma reorganização profunda no equilíbrio de forças entre grupos rivais, envolvendo figuras conhecidas da Zona Oeste e lideranças expressivas da Baixada Fluminense.
As informações indicam que antigos alinhamentos estão sendo desfeitos, ao mesmo tempo em que declarações públicas e áudios que circulam na internet evidenciam um clima de iminente confronto em territórios estratégicos de Duque de Caxias e da Zona Oeste da capital.

Rumores de aliança dentro do sistema prisional
Segundo relatos compartilhados nas redes, Luís Antônio da Silva Braga, conhecido popularmente como Zinho e apontado como o terceiro irmão na hierarquia da família Braga — grupo que anteriormente contava com a liderança do falecido Ecko —, teria firmado uma aliança com o Comando Vermelho (CV).
Conforme os registros sobre sua trajetória recente, Zinho se entregou às autoridades policiais no final de 2023. A informação que circula aponta que a sua suposta aproximação com a facção teria ocorrido durante o período de cumprimento de sua pena no sistema prisional.
Aliados próximos também estariam envolvidos nessa transição. De acordo com as informações apuradas, Andrei, conhecido pelo vulgo de “Zero”, também teria se alinhado ao grupo e passado a atuar em disputas contra milicianos na região de Guaratiba. Informações que circulam indicam ainda que Zero teria auxiliado Zinho a realizar essa transição de lado, encontrando-se atualmente alinhado à chamada “tropa do urso” e apontado como responsável pela frente na comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes.
A ruptura interna e o avanço pelo controle territorial
Com a prisão de Zinho no final de 2023, o cenário na Zona Oeste sofreu uma rápida transformação. Um indivíduo identificado como PL Jorjão iniciou manobras para consolidar seu domínio sobre a região. Nesse processo de reorganização interna, PL teria ordenado a execução de Martinha Sapatão, prima de Zinho que atuava em nome dos interesses da família Braga nas ruas.
Diante das ordens de eliminação, Andrei Zero tomou conhecimento de que também era um dos alvos de PL Jorjão e conseguiu deixar a Zona Oeste. A situação levou Zero a se manifestar publicamente em uma entrevista concedida ao programa televisivo Balanço Geral, onde detalhou a gravidade da situação e os motivos de não ter se entregado às autoridades policiais.
O desabafo público e os relatos de hostilidades
Em sua declaração pública, Andrei Zero explicou que teme pela segurança de sua família, afirmando que sua esposa e filhos estão sob risco constante de perseguição e que a violência desenfreada na região tirou a vida de pessoas próximas, incluindo quem ele considerava uma figura paterna e de acolhimento.
Em seu relato, Zero argumentou que, embora tivesse o desejo de se entregar à Justiça e pagar por seus erros assim que a situação de risco fosse contida pelas autoridades, a continuidade das ações violentas de PL Jorjão na Zona Oeste o colocava em uma encruzilhada. Ele declarou que, caso o poder público não contivesse o avanço do grupo adversário, ele se veria forçado a retornar aos confrontos diretos, alertando para o impacto de uma escalada de violência no Rio de Janeiro.
Paralelamente, para fortalecer sua posição na Zona Oeste, PL Jorjão teria costurado um acordo de paz com Juninho Varão, liderança atuante na Baixada Fluminense, unindo esforços especificamente para conter a expansão do Comando Vermelho na região.
Declarações abertas e a disputa em Duque de Caxias
Enquanto a Zona Oeste vive dias de incerteza quanto à real adesão de Zinho ao CV, na Baixada Fluminense um novo foco de atrito veio a público por meio das redes sociais. Bochecha Rosa, também conhecido como BX do Corte 8 e apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Duque de Caxias, utilizou seu perfil no Instagram para se pronunciar contra o Terceiro Comando Puro (TCP).
Em publicação voltada aos moradores de áreas como Gramacho e Pantanal, BX criticou a administração local sob a influência de membros do TCP, afirmando que Duque de Caxias sofreu com a mudança de controle originada por uma traição interna motivada por dinheiro. Em seu texto, ele acusou os rivais de cobrarem taxas abusivas dos moradores e de romperem a circulação livre que existia anteriormente entre os bairros.
BX declarou que uma ofensiva será deflagrada para retomar as comunidades do Gramacho e do Pantanal, sustentando que a disciplina de sua facção respeita a hierarquia interna e a convivência dos moradores locais, ao contrário da conduta atribuída aos atuais controladores. De acordo com as informações divulgadas, moradores dessas regiões teriam enviado mensagens solicitando a tomada dessas localidades dominadas pela facção rival.
Histórico de disputas e mensagens interceptadas
A disputa por essas áreas em Duque de Caxias não é recente. Anos atrás, indivíduos identificados como Corinthians e Flamengo romperam com Fernandinho Beira-Mar, tomando pontos e territórios que pertenciam a ele no município. Relatos de bastidores descrevem Flamengo como uma liderança de postura rígida e conflituosa em relação aos seus próprios subordinados.
Após a publicação feita por BX nas redes sociais, áudios atribuídos a Flamengo passaram a circular com ameaças diretas à liderança do Corte 8. No áudio divulgado, o interlocutor adverte que armamentos de grosso calibre, incluindo fuzis e munições pesadas, serão utilizados para atacar os veículos blindados de seus opositores e que ações diretas seriam coordenadas para interceptar o rival.
Outras mensagens de voz capturadas mostram ordens de vigilância e coordenação em pontos como Cruzeiro, São José e Morro da Galinha, com cobranças sobre o uso de munições e movimentações táticas nas áreas de mata. O desenrolar dessas trocas de ameaças e a confirmação das alianças apontadas nas redes sociais permanecem sob atenção diante da possibilidade de novos confrontos armados entre as facções rivais.