0 massacre na rodovia José Pizarro: A noite em que a calmaria de Jaboticabal foi interrompida por seis mortes brutais

A noite em que a calmaria de Jaboticabal foi interrompida por seis mortes brutais

A noite de 21 de dezembro de 2016 transcorria com tranquilidade incomum às margens da rodovia José Pizarro, a cerca de 1,5 quilômetro da área urbana de Jaboticabal, no interior paulista. Em meio a extensos canaviais, o estabelecimento conhecido na região como Léo Drinks Bar — uma chácara administrada há anos por Leonilda Lucindo, a “Tia Léo”, então com 72 anos — mantinha seu ritmo costumeiro. Por volta das 22h30, cerca de quinze clientes ocupavam o salão principal enquanto uma música ambiente tocava na jukebox. Tia Léo cochilava em uma cadeira perto do balcão, a neta dela, Elaine Cristina Lucindo da Silva, de 29 anos, trabalhava como garçonete, e o experiente barman Zacarias Castor Ataídes, de 55 anos, cuidava das bebidas. Em questão de minutos, a calmaria do local foi substituída pelo som ininterrupto de tiros à queima-roupa e um rastro de seis execuções sumárias.

Uma saída estratégica e o retorno com passos calculados

Mais cedo, por volta das 22h, William Roberto Ferreira Costa, de 27 anos — cabeleireiro, segurança particular e lutador de MMA, sem passagens anteriores pela polícia —, havia chegado ao local dirigindo seu Fusca branco. Casado e pai de uma menina de 4 anos e de um bebê recém-nascido de apenas 15 dias, William tomou uma cerveja e tentou contratar os serviços de Johnny da Silva Lima, de 30 anos, descrita por frequentadores como sua mulher favorita na casa. Sem dinheiro suficiente para pagar pelo programa no primeiro momento, ele deixou o local, prometendo voltar.

Minutos após a saída de William, o empresário Anderson Ricardo Montedor, de 37 anos, sócio de uma conhecida sorveteria tradicional da cidade, chegou ao bar trajando uma camisa vermelha. Ao encontrar Johnny disponível, contratou o atendimento e os dois seguiram para os quartos privativos, instalados a cerca de 30 metros do salão principal.

Quando William retornou, por volta das 22h30, percebeu que Johnny estava ocupada com outro cliente. Ele sentou-se, pediu uma cerveja, colocou uma música para tocar e conversou com algumas pessoas, sem demonstrar interesse por nenhuma outra mulher. Pouco depois, avisou casualmente que iria até o carro buscar cigarros. Ao retornar do Fusca, não trazia maço algum: empunhava um revólver calibre .38 e exibia uma postura completamente agressiva.

A sequência de disparos no salão principal

Ao entrar novamente no recinto, William abriu fogo imediatamente contra as pessoas sentadas próximas ao bar. Aos gritos, exigia saber o paradeiro do “cara de vermelho”. O barman Zacarias foi atingido na cabeça sem tempo de reação. Na sequência, Maria Lúcia do Carmo Alvarenga, de 46 anos, natural de Goiânia, também foi alvejada na cabeça e tombou no local.

Tia Léo, que ainda se encontrava sentada na cadeira, recebeu um tiro no rosto. Sua neta, Elaine, tentou correr em direção à saída, mas foi atingida por múltiplos disparos. Enquanto os presentes se jogavam ao chão ou fugiam desesperadamente em direção à vegetação ao redor, testemunhas notaram um detalhe metódico na conduta do atirador: ao descarregar a arma, ele recolhia as cápsulas deflagradas e as guardava no bolso para não deixar vestígios na cena do crime, fruto de sua experiência como segurança.

A invasão aos quartos e a fuga pela escuridão do canavial

Após gastar a primeira carga de munição no salão, William retornou ao Fusca estacionado em frente à chácara, recarregou a arma e caminhou resolutamente pelo corredor de 30 metros até o cômodo onde Anderson e Johnny estavam. Arrombando a porta com um chute, disparou duas vezes contra o empresário — atingindo-o na cabeça e no tórax. Em seguida, desferiu três tiros contra Johnny, alvejando-a na cabeça, abdômen e costas.

Cometidas as execuções, o agressor fugiu a pé pelos fundos da chácara, sumindo na densa escuridão da plantação de cana-de-açúcar. O chamado à Polícia Militar ocorreu apenas cerca de uma hora e meia depois. Quando o socorro médico e as viaturas chegaram à meia-noite, encontraram cinco mortos. Elaine ainda apresentava sinais vitais fracos e foi socorrida às pressas, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.

Dentro do Fusca abandonado na entrada, a perícia recolheu documentos pessoais de William e uma Bíblia sobre o painel. A identificação imediata deu início a uma caçada policial que mobilizou equipes durante toda a madrugada e a manhã seguinte.

A rendição mediada e as contradições no depoimento

Diante do cerco policial e temendo a reação revoltada da população da cidade, William procurou um conhecido radialista de Jaboticabal para manifestar a intenção de se entregar. Por volta das 14h do dia 22 de dezembro, acompanhado por um advogado, ele se rendeu à polícia na rodovia José Pizarro, a cerca de um quilômetro do bar. Ele afirmou ter dispensado o revólver no canavial, mas a arma não foi localizada de imediato pelas buscas iniciais devido à densidade da vegetação.

Em declarações à imprensa e em seu primeiro depoimento na delegacia, William apresentou uma versão divergente: alegou que se envolvera em uma briga após outro frequentador puxar Johnny pelo braço, momento em que um terceiro homem teria sacado uma arma. Segundo ele, como lutador, conseguiu desarmar o desconhecido e efetuou os disparos descontroladamente sob forte emoção. No entanto, o delegado Vanderlei Santos confrontou o relato com as testemunhas, que confirmaram que William agiu sozinho, de forma calculada, e teve plena oportunidade de interromper a matança ao ir duas vezes ao carro se rearmar. Encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Taiuva, ele permaneceu em custódia cautelar.

O veredito do Tribunal do Júri e o desfecho judicial

Em 2 de outubro de 2019, quase três anos após a chacina, William sentou-se no banco dos réus da comarca de Jaboticabal. Durante um julgamento que durou cerca de 11 horas, a defesa tentou emplacar a tese de que existiria um segundo atirador no local — tese que não sustentou nomes ou provas e acabou refutada pelo Ministério Público com base no inquérito e nos reconhecimentos presenciais feitos por testemunhas sobreviventes.

Os jurados acolheram integralmente as qualificadoras de homicídio para todas as seis mortes. William Roberto Ferreira Costa foi condenado a 61 anos e 3 meses de reclusão em regime fechado. A tragédia permanece marcada na memória local como um dos episódios de violência mais desproporcionais da história do município, levantando reflexões sobre as consequências devastadoras do ciúme possessivo e a frieza de atos que interromperam brutalmente tantas vidas.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

Recommended for You

View Archive arrow_forward