“SOU BOMBEIRO MILITAR E NÃO SUJO MINHA FARDA!”: Bombeiro desafia a polícia, apresenta carteira funcional, mas é preso por morte de cozinheira em Ubatuba
“SOU BOMBEIRO MILITAR E NÃO SUJO MINHA FARDA!”: Bombeiro desafia a polícia, apresenta carteira funcional, mas é preso por morte de cozinheira em Ubatuba

O dever moral e legal de proteger a vida humana é o pilar fundamental que norteia as corporações de segurança pública e de salvamento no Brasil. Quando um integrante ou egresso dessas forças utiliza de seu prestígio institucional, do treinamento recebido do Estado ou de sua influência funcional para acobertar ou participar ativamente de uma barbárie motivada por ganância financeira, a indignação social atinge níveis máximos. A arrogância e a tentativa de se colocar acima da lei costumam ser a primeira reação daqueles que acreditam que a farda funciona como um escudo protetor contra a ação da Justiça.
O avanço das investigações sobre o chocante assassinato da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, uma trabalhadora idosa de 60 anos brutalmente executada e arremessada de um penhasco por cobrar R$ 4 mil em verbas trabalhistas de sua ex-patroa, trouxe à tona os contornos mais sombrios dessa farsa.
A postura desafiadora do bombeiro militar da reserva Irimar Castilho, de 55 anos, que chegou a exibir sua carteira funcional e discursar sobre a honra da corporação antes de ter sua prisão decretada, escancarou a falsidade e a ruína de um plano criminoso montado nas sombras de Ubatuba.
A Carteira Funcional como Escudo e o Discurso sobre a Honra Militar
Desde as primeiras diligências realizadas pela Polícia Civil para apurar o desaparecimento de Berenice no final de junho, Irimar Castilho tentou utilizar sua condição de servidor militar reformado como um elemento para desencorajar o avanço dos investigadores. Atual companheiro da empresária Eliane — a ex-patroa apontada como mandante e executora principal —, o bombeiro adotou uma postura ostensiva e de confrontação velada.
Em abordagens iniciais e nas conversas travadas com familiares da vítima e agentes de segurança, Irimar não hesitava em sacar e apresentar sua carteira de identidade do Corpo de Bombeiros Militar de São Paulo.
Com tom inflamado, olhar firme e atitude manifestamente arrogante, o ex-militar buscava demonstrar uma superioridade moral fictícia.
“Eu sou bombeiro militar! Passei uma vida inteira salvando vidas e honrando essa instituição! Vocês acham mesmo que eu iria sujar as minhas mãos ou jogar a minha farda no lixo por causa de amor por mulher? Eu não tenho nada a ver com isso!”
O discurso inflamado sobre o compromisso com a farda e a suposta incapacidade de envolver-se em atos ilícitos por razões passionais serviu como a principal narrativa defensiva do suspeito durante semanas. Irimar usou do prestígio da corporação para tentar construir um álibi moral inabalável, apostando que as autoridades locais vacilariam em confrontar a versão apresentada por um militar da reserva.
A Farsa Desmontada: A Linha do Tempo da Participação do Bombeiro
Contudo, o discurso sobre a “honra da farda” ruiu à medida que o trabalho técnico conduzido pelos investigadores do Departamento de Investigações Gerais (DIG) da Seccional de São Sebastião avançou. A Polícia Civil recusou-se a aceitar a “carteirada” funcional do suspeito e passou a cruzar evidências físicas, registros telefônicos e depoimentos de testemunhas locais.
O encontro do corpo de Berenice em um penhasco íngreme na região de Angra dos Reis (RJ), 15 dias após o seu desaparecimento, com duas perfurações de projétil de arma de fogo no abdômen, atestou desde o primeiro momento a necessidade de mais de uma pessoa com força física para transportar e ocultar o cadáver.
A Farsa do Bombeiro Militar Desmontada:
• A Carteirada Funcional: Apresentação da identidade de bombeiro para tentar inibir o trabalho da polícia.
• O Discurso Inflamado: Afirmação categórica de que não sujaria a farda militar por amor à ex-patroa.
• O Rastreamento Telefônico: Geolocalização provou que o bombeiro fez todo o trajeto até o penhasco no RJ.
• A Cúmplice na Funilaria: Levou a caminhonete manchada de sangue para conserto e ameaçou mecânicos.
• A Transferência Prisional: Capturado na Praia do Estaleiro e recolhido ao Presídio Militar Romão Gomes.
O rastreamento dos sinais emitidos pelas antenas de telefonia celular provou de forma irrefutável que o aparelho de Irimar realizou exatamente a mesma rota que o veículo de Eliane no dia do homicídio.
O bombeiro militar esteve presente na porta do restaurante em Ubatumirim quando a idosa foi agredida, ingressou na caminhonete onde os disparos foram efetuados e acompanhou o transporte do corpo até a divisa com o estado do Rio de Janeiro.
A Tentativa de Adulteração na Oficina e Ameaças a Testemunhas
Longe da conduta esperada de um agente público incumbido de proteger a vida, Irimar desempenhou papel ativo na tentativa de apagar os vestígios da barbárie e na destruição do veículo utilizado no sequestro e na execução. Após o descarte do corpo de Berenice no penhasco, cabeu ao bombeiro militar a missão de camuflar as perfurações de bala no automóvel.
Irimar conduziu a caminhonete até uma oficina de bate-chapas e funilaria na região de Ubatuba. Para tentar justificar as marcas de disparos e os rasgos de projéteis na lataria interna, o ex-militar retirou as placas do veículo e inventou uma história esfarrapada de que houvera um “disparo acidental” de sua própria arma.
Trabalhadores da oficina que identificaram resquícios de sangue e estranharam o estado do veículo foram gravemente alertados e coagidos pelo próprio bombeiro para que mantivessem o silêncio.
A carteira funcional e a postura de intimidação tornaram a ser utilizadas como instrumentos de coerção contra cidadãos simples, demonstrando que o discurso de honra não passava de uma dissimulação calculada.
O Cerco na Praia do Estaleiro e a Prisão Preventiva
Com a materialidade do homicídio qualificado plenamente demonstrada e o mandado de prisão preventiva expedido pela 2ª Vara da Comarca de Ubatuba, equipes da DIG de São Sebastião montaram uma operação discreta para capturar Irimar Castilho. O suspeito foi localizado no interior de uma residência isolada, situada em uma servidão próxima à Praia do Estaleiro, no bairro de Ubatumirim.
Ao perceber a presença de múltiplos policiais civis cercando o imóvel e a exibição da ordem judicial de prisão expedida em seu nome, a arrogância do bombeiro desmoronou em instantes.
Sem qualquer margem para repetir o discurso de desafio ou exibir a carteira funcional, Irimar entregou-se sem esboçar resistência física.
O investigado foi conduzido à delegacia de Ubatuba, onde recebeu voz de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima), sequestro e ocultação de cadáver. Devido à sua condição de militar da reserva do estado de São Paulo, Irimar foi transferido sob escolta para o Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista, onde permanece detido em cela especial à disposição do Judiciário.
O Desmantelamento da Impunidade e o Exemplo Penal
A prisão do bombeiro militar da reserva e de todos os envolvidos no assassinato de Berenice Ramos representa uma resposta severa do Estado contra aqueles que tentam colocar títulos ou fardas acima do cumprimento da lei penal. A ilusão de que sua condição funcional o manteria imune à investigação criminal ruí perante a produção de provas periciais irrefutáveis.
O caso da idosa de 60 anos, morta de forma covarde ao exigir a quitação justa de R$ 4 mil referentes ao seu trabalho no restaurante, permanece como um lembrete doloroso sobre a necessidade de rigor na punição de agentes que deshonram suas instituições.
No Presídio Romão Gomes, Irimar aguardará o julgamento perante o Tribunal do Júri, onde não haverá espaço para carteiradas ou discursos de falsa virtude diante dos jurados e da família que chora a perda de Dona Berenice.
Diante da prisão do bombeiro militar Irimar Castilho, que tentou usar sua farda e carteira funcional para se defender antes de ser preso pela morte da cozinheira Berenice Ramos em Ubatuba, como você avalia o agravante moral de agentes que tentam usar o prestígio das forças de segurança para encobrir crimes brutais?
You acredita que a punição para militares e ex-policiais envolvidos em homicídios motivados por ganância deve ser ainda mais rigorosa do que a aplicada a civis comuns?
Convidamos todos os leitores a participarem ativamente dessa discussão essencial sobre justiça, conduta ética e combate à impunidade, registrando suas opiniões na seção de comentários abaixo.