“PODE PUXAR COM MAIS DE 1.000!”: Tomate do Chapadão ostentava fuzis na internet, desafiava rivais e acabou morto em confronto na mata
“PODE PUXAR COM MAIS DE 1.000!”: Tomate do Chapadão ostentava fuzis na internet, desafiava rivais e acabou morto em confronto na mata

A ascensão do uso de redes sociais por uma nova geração de criminosos nas periferias urbanas do Rio de Janeiro transformou a exibição pública de armamentos pesados e os desafios direcionados a grupos rivais em uma perigosa ferramenta de autopromoção. Kevin Leate Fernandes, amplamente conhecido no submundo do crime pelo apelido de “Tomate do Chapadão”, tornou-se um dos nomes mais emblemáticos desse fenômeno recente. Atuando com destaque no Complexo do Chapadão e na comunidade do Gogó da Ema, localizadas no bairro de Costa Barros, na Zona Norte da capital fluminense, o jovem escalou rapidamente os degraus da hierarquia ilícita até se afirmar como um temido “puxador de guerra”.
A função exercida por Tomate não era comum dentro da estrutura das organizações que dominam o tráfico de drogas e os roubos de carga.
O termo “puxador de guerra” designa o indivíduo responsável por liderar incursões armadas contra territórios adversários, organizar ofensivas estratégicas e mobilizar tropas de choque equipadas com fuzis de assalto de alto calibre.
Para consolidar sua posição e demonstrar poder de fogo aos seus superiores e aos bando inimigos, Tomate passou a utilizar plataformas digitais com milhares de seguidores, publicando vídeos e fotos onde ostentava fuzis de calibre 7,62 mm, coletes balísticos, granadas e bebidas caras.
Em suas transmissões e mensagens gravadas, o criminoso fazia provocações diretas, afirmando que seu território era inexpugnável e desafiando qualquer bando rival a tentar invadir sua área de domínio, prometendo responder com centenas de disparos.
Contudo, essa visibilidade exagerada no ambiente virtual acelerou o rastreamento de seus passos pelos setores de inteligência das forças de segurança, culminando em uma caçada militarizada pelas matas da Zona Norte.
A Origem no Morro da Pedreira e a Migração para o Complexo do Chapadão
Para compreender a construção do perfil violento de Kevin Leate Fernandes no crime organizado, é necessário analisar as transformações territoriais e operacionais ocorridas no bairro de Costa Barros a partir do ano de 2019. Nascido e criado no Morro da Pedreira, Kevin frequentava desde a adolescência os bailes funk promovidos na comunidade vizinha do Chapadão.
Embora as duas localidades fossem historicamente controladas por grupos com rivalidades sangrentas, o jovem foi construindo laços com criminosos do lado oposto.
Sua entrada definitiva para as atividades armadas ocorreu em um momento de intensa reestruturação interna no tráfico de drogas local.
A prisão de antigas lideranças que dominavam a região de Costa Barros e articulavam grandes esquemas de roubo de cargas abriu caminho para uma dança de cadeiras no comando dos morros.
Nesse cenário de incertezas e disputas, Kevin tomou a decisão de abandonar o Morro da Pedreira e migrar para o Complexo do Chapadão, alinhando-se a um grupo focado em expansão territorial.
Na nova comunidade, o jovem passou a integrar a linha de frente de segurança dos pontos de venda de drogas, demonstrando disposição para participar de confrontos armados e ganhando a confiança de gerentes locais.
Sua disposição em aceitar missões consideradas suicidas por outros integrantes fez com que ganhasse o apelido de “Tomate” e passasse a ser escalado para operações de invasão de territórios inimigos.
A Função de “Puxador de Guerra” e os Desafios Virtuais aos Rivais
Conforme seu prestígio crescia entre os comparsas de farda e armamento, Tomate assumiu o posto de “puxador de guerra”, uma das posições mais expostas e de menor expectativa de vida no universo do narcotráfico. A função exigia que ele estivesse sempre pronto para responder a ordens de invasão emanadas pelas lideranças principais.
Sua atuação não se limitava à defesa das fronteiras do Complexo do Chapadão; ele era destacado para formar linhas de ataque em diversos pontos da Zona Norte e da Baixada Fluminense.
A rotina de guerras e invasões fez com que o criminoso adotasse uma postura extremamente agressiva nas redes sociais.
Tomate criou perfis em aplicativos de fotos e vídeos, acumulando dezenas de milhares de seguidores que acompanhavam a rotina diária de uma tropa armada.
Em uma das declarações que mais circularam em grupos virtuais e aplicativos de mensagens, o criminoso enviou um recado direto aos líderes de grupos rivais que tentavam ensaiar investidas contra seu reduto.
“Pode puxar com mais de 1.000 que vai tomar só de fuzil, aqui ninguém entra! A nossa tropa tá pesada no Chapadão e quem pisar aqui vai ficar pelo caminho!”
Cronologia da Trajetória e Queda de Tomate do Chapadão:
• A Origem em Costa Barros: Kevin cresce na Pedreira, migra para o Chapadão e ingressa no crime armado.
• O Posto de Puxador: Assume a liderança de tropas de invasão e participa de guerras na Zona Norte.
• A Ostentação Virtual: Exibe fuzis 7,62 mm e coletes em perfis públicos com mais de 50 mil seguidores.
• As Invasões na Baixada: Comanda investidas violentas contra comunidades do As de Ouro e Trio de Ouro.
• A Operação de Fevereiro de 2024: Cercado por policiais na mata da Penha, reage a tiros e acaba morto.
O tom de deboche e a exibição constante de armamentos de grosso calibre funcionavam como propaganda de guerra, mas também serviram de alerta máximo para as autoridades estaduais.
A Ostentação da Geração Z nas Redes Sociais e a Reação do Crime
O comportamento exibido por Tomate do Chapadão refletia um movimento mais amplo observado por analistas de segurança pública, frequentemente denominado como a conduta da “geração Z” no crime organizado. Diferente dos antigos chefes do tráfico que pregavam a discrição total como regra de sobrevivência, os jovens combatentes passaram a buscar validação social através da ostentação digital.
Páginas administradas por integrantes de tropas armadas mostravam transmissões ao vivo de bailes, exibição de joias de ouro, garrafas de uísque importado e, principalmente, fuzis de última geração equipados com miras telescópicas.
A superexposição do poder de fogo do bando começou a atrair holofotes indesejados para as operações do grupo.
O trabalho de inteligência das polícias civil e militar passou a monitorar minuciosamente essas contas, identificando rostos, tatuagens, cenários de fundo e localizações geográficas através das postagens.
A situação atingiu um ponto tão crítico que os próprios líderes veteranos das organizações criminosas emitiram avisos internos exigindo o fechamento imediato das páginas públicas.
ASSISTA AO VÍDEO COMPLETO E VEJA OS MOMENTOS FINAIS DE TOMATE ANTES DE SER NEUTRALIZADO NO VÍDEO EXIBIDO AO LONGO DESTA MATÉRIA!
Atendendo às pressões e com receio de sanções internas do próprio bando, Tomate desativou seus perfis principais por um período, tentando reduzir a visibilidade sobre seu paradeiro.
Contudo, o recuo do ambiente virtual não significou uma diminuição em suas ações armadas no terreno.
A Expansão Armada e as Invasões na Baixada Fluminense
Com o apoio financeiro e bélico fornecido por lideranças do Complexo da Penha e do Chapadão, Tomate foi encarregado de abrir novas frentes de combate na Baixada Fluminense e em bairros vizinhos da Zona Norte. Seu objetivo principal era expulsar grupos rivais e milicianos de áreas estratégicas para o comércio ilícito.
O criminoso liderou invasões de grande porte contra a comunidade As de Ouro, localizada no bairro de Anchieta, e contra o complexo do Trio de Ouro, em São João de Meriti.
Durante essas incursões, o bando promovia tiroteios intensos que paralisavam o trânsito de importantes vias expressas, forçavam o fechamento de escolas e postos de saúde e espalhavam o pânico entre os moradores.
Relatos de moradores e investigações policiais apontavam que as tropas comandadas por Tomate agiam com extrema violência durante as invasões.
Os integrantes do grupo consumiam grandes quantidades de bebidas e substâncias entorpecentes antes dos confrontos, investindo de forma desordenada contra os pontos de contenção dos adversários.
Apesar da falta de rigor tático profissional, o volume de fogo empregado pelo bando garantiu a tomada temporária de algumas dessas comunidades, alçando Tomate ao posto de gerente-geral dos novos pontos conquistados.
A Operação Policial Decisiva e o Cerco no Complexo da Penha
A sequência de guerras territoriais promovidas por Tomate e sua tropa na Baixada Fluminense motivou a elaboração de uma megaoperação integrada pelas forças de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Na terça-feira, 27 de fevereiro de 2024, equipes de diversos batalhões da Polícia Militar deflagraram uma ação tática de grande escala em comunidades da Zona Norte.
O objetivo central da operação era localizar e prender os principais executores e “puxadores de guerra” envolvidos nas recentes disputas territoriais.
Durante as incursões apoiadas por veículos blindados, um grupo de criminosos tentou abandonar o perímetro do Complexo da Penha a bordo de um automóvel roubado.
Ao avistarem o bloqueio montado por policiais do 21º Batalhão da PM, os suspeitos iniciaram uma fuga desesperada em direção a São João de Meriti.
Para dificultar o avanço das viaturas oficiais, integrantes do bando chegaram a incendiar veículos em vias públicas e promover barricadas temporárias.
Apesar das tentativas de criar o caos urbano, as tropas táticas mantiveram o cerco fechado em torno das rotas de fuga estratégicas.
O Confronto Final no Trilho da Mata e a Derrocada do Bando
Percebendo que as estradas principais estavam totalmente bloqueadas por blindados e guarnições armadas, Tomate e seus comparsas mais próximos abandonaram o veículo e buscaram refúgio em uma área de vegetação densa. O bando adentrou a região conhecida como “Trilho da Mata”, uma área de relevo acidentado situada entre o Complexo do Alemão e o do Penha.
A posição na mata oferecia aos criminosos uma visão elevada da aproximação das forças policiais, permitindo que tentassem organizar uma linha de defesa desesperada.
Contudo, equipes de elite da Polícia Militar treinadas para combate em ambiente de selva realizaram a progressão tática pelas trilhas da comunidade.
Ao notar a aproximação dos agentes de segurança, o bando comandado por Tomate abriu fogo utilizando fuzis de alta potência.
O tiroteio no meio da vegetação durou vários minutos, resultando em um confronto violento de rajadas cruzadas.
Quando os disparos cessaram, os policiais avançaram sobre o ponto de onde partiam os tiros e encontraram quatro integrantes do bando gravemente feridos ao solo.
Entre os atingidos estava Kevin Leate Fernandes, o “Tomate do Chapadão”, e outro homem identificado pelo apelido de “Gato”, apontado como seu braço direito nas invasões.
Os feridos foram socorridos pelas próprias equipes policiais e transportados de emergência para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na região de Jardim Íris.
Contudo, devido à severidade dos impactos provocados pelos disparos de resposta tática, os óbitos de Tomate e de seus companheiros foram confirmados pela equipe médica ao darem entrada na unidade de saúde.
Apreensões e as Consequências da Morte nas Comunidades
No local do confronto no Trilho da Mata, os policiais militares apreenderam um arsenal bélico de elevado poder de destruição. Foram recolhidos dois fuzis calibre 7,62 mm, quatro carregadores sobressalentes totalmente municiados, dezenas de projéteis deflagrados, equipamentos de rádio comunicação de longa distância, capas de coletes táticos e o veículo utilizado na tentativa inicial de fuga.
A notícia da morte de Tomate do Chapadão espalhou-se rapidamente pelas comunidades da Zona Norte e da Baixada Fluminense.
Em uma tentativa de demonstrar força após a perda de seu principal “puxador de guerra”, lideranças do crime organizado tentaram impor um toque de recolher forçado aos comerciantes e moradores das regiões do Trio de Ouro e Vila Norma.
A Polícia Militar reagiu de forma imediata, intensificando o patrulhamento ostensivo com apoio de guarnições do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) para garantir o funcionamento do comércio local e a segurança dos moradores.
A trajetória de Kevin Leate Fernandes encerrou-se aos 28 anos de idade de forma idêntica à de diversos outros jovens que optam por seguir o caminho da violência e da ostentação no crime organizado.
A ilusão de poder proporcionada pelas armas de alto calibre e pelos milhares de seguidores nas redes sociais durou apenas o tempo necessário para que a resposta do Estado alcançasse seu esconderijo final.
O caso do traficante Tomate permanece como um retrato vívido dos perigos associados ao narcotráfico, à busca desesperada por status digital e às consequências inevitáveis para aqueles que decidem desafiar as leis e as forças de segurança pública.
As investigações da Polícia Civil continuam em andamento para identificar outros integrantes da tropa de invasão que atuavam sob o comando do criminoso neutralizado.
Diante da história de Tomate do Chapadão, que ostentava fuzis nas redes sociais e atuava como “puxador de guerra” até ser morto em um confronto na mata, como você avalia o papel da exibição digital na aceleração do trabalho de localização realizado pelas polícias?
You acredita que o combate rigoroso às tropas de invasão territorial é a medida mais urgente para restaurar a paz e a segurança das famílias nas periferias?
Convidamos todos os leitores a participarem ativamente dessa reflexão sobre segurança pública, combate ao crime organizado e atuação das forças de segurança, deixando suas opiniões e comentários na seção abaixo.