“PAI, NÃO FAZ ISSO, EU TE AMO!”: Empresária é morta pelo próprio pai com quatro tiros no rosto após disputa por R$ 2 milhões
“PAI, NÃO FAZ ISSO, EU TE AMO!”: Empresária é morta pelo próprio pai com quatro tiros no rosto após disputa por R$ 2 milhões

A laço de sangue entre pais e filhos é universalmente compreendido como a estrutura mais profunda de proteção, afeto e suporte interpessoal. Contudo, quando o amor familiar dá lugar à ganância, às disputas financeiras e aos sentimentos acumulados de rancor, a tragédia que se desdobra é capaz de estilhaçar estruturas inteiras e deixar cicatrizes perpétuas. O homicídio da empresária Iara Mave Teixeira de Faria, de 45 anos de idade, ocorrido no município de Aparecida de Goiânia, no estado de Goiás, permanece na história policial do Centro-Oeste brasileiro como um dos episódios mais chocantes de ruptura familiar e violência desmedida.
Iara era uma mulher trabalhadora, casada e mãe de um filho pequeno, descrita por amigos e colaboradores como uma empreendedora dedicada e em franca ascensão profissional.
Menos de um ano antes de sua morte, ela havia fundado sua própria empresa no segmento de materiais hidráulicos, gerenciando equipes e conquistando uma sólida carteira de clientes na região metropolitana de Goiânia.
Por trás do sucesso do novo empreendimento, contudo, escondia-se uma teia complexa de mágoas, processos judiciais e disputas comerciais com o homem que lhe ensinou os primeiros passos no mundo dos negócios: seu próprio pai.
José Maria Alves de Faria, na época com 72 anos de idade, alimentava um ódio profundo contra a filha, culpando-a diretamente por sua ruína financeira e pelo colapso do antigo negócio que mantinham em conjunto.
A Sociedade Desfeita, a Acusação de R$ 2 Milhões e a Ruína Comercial
A trajetória de conflitos entre pai e filha começou a se desenhar anos antes da tragédia, quando José Maria e Iara decidiram unir forças para abrir um comércio no mesmo ramo de materiais hidráulicos. Durante um longo período, ambos gerenciaram o negócio lado a lado, compartilhando responsabilidades administrativas, carteiras de clientes e metas financeiras.
Para a comunidade local, a parceria entre gerações simbolizava o sucesso de uma família unida no empreendedorismo.
Contudo, desentendimentos internos na gestão dos recursos financeiros começaram a desgastar a relação de confiança entre os dois sócios.
Segundo os relatos apresentados posteriormente por José Maria à polícia, Iara teria realizado um desvio financeiro equivalente a R$ 2 milhões dos cofres da empresa da família, contando com o auxílio operacional de uma funcionária de confiança.
Após a descoberta das divergências e a quebra irreparável da sociedade, a parceria foi formalmente dissolvida.
Cronologia da Tragédia Familiar em Aparecida de Goiânia:
• A Sociedade e o Rompimento: Pai e filha gerenciam empresa; briga por suposto desvio de R$ 2 milhões encerra parceria.
• A Nova Empresa e a Miséria: Iara abre novo comércio no mesmo ramo, atrai clientes e o pai enfrenta colapso financeiro.
• As Denúncias e Medida Protetiva: Troca de boletins de ocorrência; Iara obtém medida protetiva por ameaças de morte.
• O Crime na Sexta-Feira: José Maria invade a loja armado; Iara implora pela vida e é atingida por 4 tiros no rosto.
• A Prisão e a Soltura: Pai confessa o crime na rodovia, tem plano de novos ataques revelado e consegue habeas corpus.
Iara decidiu recomeçar sua vida profissional abrindo uma nova empresa no mesmo segmento de mercado.
Acompanhada pela credibilidade que construiu ao longo dos anos, a empresária migrou com praticamente toda a antiga carteira de clientes para o seu novo estabelecimento.
Do outro lado, José Maria viu seu antigo comércio definhar rapidamente, enfrentando graves dificuldades financeiras e acumulando dívidas que o levaram à beira da miséria.
A Escalada do Ódio: Boletins de Ocorrência e a Medida Protetiva
A ruína financeira fez com que o rancor do idoso crescesse em proporções incontroláveis. A briga deixou de ser apenas um desentendimento comercial e transformou-se em uma guerra judicial e policial que durou mais de um ano. Pai e filha romperam totalmente o diálogo e passaram a registrar ocorrências formais um contra o outro.
José Maria procurou as autoridades policiais para denunciar a própria filha alegando violência psicológica e maus-tratos, amparando-se nos dispositivos legais do Estatuto do Idoso.
Iara, por sua vez, registrou boletins de ocorrência na Polícia Civil relatando que o pai a perseguia constantemente e fazia ameaças diretas de morte contra sua vida.
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Diante do risco iminente de agressão física, o Poder Judiciário do Estado de Goiás concedeu uma medida protetiva de urgência em favor de Iara.
O documento proibia expressamente que José Maria se aproximasse da filha, de sua residência ou de seu local de trabalho.
Portanto, muito antes de o primeiro tiro ser deflagrado, os arquivos oficiais das forças de segurança já continham avisos formais, documentos e registros de que a tensão entre os dois havia atingido um patamar de altíssima periculosidade.
O Dia do Crime: A Invasão da Empresa na Sexta-Feira Santa
A tragédia anunciou-se na tarde de sexta-feira, 17 de abril de 2020. Em pleno horário de expediente comercial, José Maria dirigiu-se até a sede da empresa administrada pela filha em Aparecida de Goiânia.
O idoso chegou ao local extremamente nervoso, alterado e portando um revólver calibre 38 municiado na cintura.
Ele não foi até o estabelecimento para dialogar ou tentar uma reconciliação; sua entrada foi firme e com a arma em punho.
Ao avistar o pai armado caminhando em sua direção no interior da loja, Iara compreendeu imediatamente que sua vida estava sob ameaça direta e entrou em desespero absoluto.
Funcionários e colaboradores que estavam nas proximidades ouviram os gritos desesperados da empresária tentando comover o agressor.
Encurralada atrás do balcão de atendimento, a mulher apelou para o último vínculo sentimental que imaginava existir no coração daquele homem.
“Pai, não faz isso! Eu te amo!”
Apesar do apelo desesperado e da declaração de amor emitida por sua própria filha, José Maria não hesitou.
Ele efetuou quatro disparos de arma de fogo à queima-roupa diretamente contra o rosto de Iara.
A empresária tombou sem vida no chão do estabelecimento comercial que havia construído com tanto esforço, enquanto o agressor caminhava friamente em direção à saída do imóvel.
A Fuga na Rodovia, o Plano Macabro e a Abordagem Policial
Logo após a execução da filha, José Maria embarcou em seu veículo de passeio e fugiu da cena do crime em alta velocidade.
A Polícia Militar do Estado de Goiás foi acionada por colaboradores em choque e iniciou um cerco tático nas principais vias de acesso e rodovias estaduais.
Pouco tempo depois, uma equipe de patrulhamento localizou o veículo do idoso circulando pela rodovia GO-060, na região de Trindade, aparentando desorientação sobre qual rota seguir.
Ao ser abordado pelas guarnições policiais, José Maria não ofereceu resistência física e confessou imediatamente a autoria do homicídio.
Durante o interrogatório preliminar realizado na margem da rodovia, o idoso fez declarações estarrecedoras sobre suas reais intenções para aquela tarde.
Ele revelou aos policiais que seu plano original não se limitava a tirar a vida de Iara.
José Maria pretendia deslocar-se até a residência da ex-funcionária que teria auxiliado no suposto desvio de R$ 2 milhões para executá-la da mesma forma e, ao final de tudo, cometer o suicídio.
No interior do automóvel, os agentes de segurança apreenderam o revólver utilizado no crime com quatro cápsulas deflagradas e diversas munições intactas sobressalentes, comprovando a premeditação do plano.
O Drama da Família Dividida e a Memória Seletiva na Delegacia
José Maria foi preso em flagrante por homicídio triplamente qualificado e conduzido à Central de Flagrantes da Polícia Civil.
Foi na sede policial que a tragédia expôs sua face mais dolorosa para os familiares remanescentes.
Ao chegar à delegacia, o filho de José Maria — irmão de Iara, a mulher que acabara de ser executada —, chorou copiosamente e abraçou o pai idoso na cela.
O gesto simbolizou o drama de uma família destruída em poucas horas: de um lado, a dor insuportável do luto por uma irmã assassinada com extrema crueldade; do outro, o amparo a um pai idoso preso como autor da barbárie.
Diante dos delegados da Polícia Civil, José Maria adotou uma postura que chamou a atenção dos investigadores.
Ele descreveu com riqueza de detalhes todos os motivos que alimentaram seu rancor: a briga pelo dinheiro, as acusações de roubo, a perda dos clientes e a decadência de sua saúde financeira.
Contudo, ao ser questionado sobre o instante exato em que puxou o gatilho contra o rosto de Iara, o idoso afirmou que sofreu um lapso de memória e não se recordava dos disparos.
Para as autoridades policiais e o Ministério Público, a suposta amnésia momentânea tratou-se de uma estratégia dissimulada para amenizar a responsabilidade penal sobre o ato cruel.
O Habeas Corpus, a Soltura e o Impacto na Sociedade
Apesar da gravidade do homicídio qualificado e da confissão do agressor, o desfecho judicial do caso indignou a população de Goiás.
Cerca de dois meses após o crime, em junho de 2020, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) concedeu uma ordem de habeas corpus em favor de José Maria Alves de Faria.
Os magistrados consideraram a idade avançada do réu — então com mais de 70 anos —, seu estado de saúde debilitado e a ausência de antecedentes criminais anteriores para conceder o benefício da liberdade provisória.
José Maria deixou o complexo prisional de Aparecida de Goiânia para aguardar os trâmites do processo criminal em sua residência.
A morte prematura da empresária Iara Mave Teixeira de Faria permanece como um triste exemplo das consequências devastadoras do rancor familiar e do descontrole emocional.
A frase final da empresária — “Pai, não faz isso, eu te amo!” — ficou gravada na memória de familiares e amigos como o último pedido de socorro de uma mulher cuja vida foi ceifada por quem deveria protegê-la.
O processo criminal contra José Maria Alves de Faria segue sob o acompanhamento do Poder Judiciário.
Diante do trágico caso da empresária Iara Mave, morta pelo próprio pai com quatro tiros no rosto após uma disputa financeira por R$ 2 milhões em Goiás, como você avalia a concessão de liberdade provisória a réus idosos que cometem crimes hediondos contra a própria família?
You acredita que os mecanismos de proteção às vítimas de ameaça deveriam atuar com maior rigor antes que desentendimentos comerciais terminem em violência fatal?
Convidamos todos os leitores a participarem ativamente dessa reflexão sobre segurança pública, violência familiar e justiça, registrando suas opiniões e análises na seção de comentários abaixo.