Minha esposa perdeu nosso bebê… No corredor do hospital, um garoto desconhecido me chamou de pai.

Ano de 1978. O meu nome é Severino. Nesse ano, a minha vida parecia ter recebido uma nova esperança. Depois de muitas tentativas, A minha esposa finalmente conseguiu engravidar. A notícia trouxe uma alegria que é difícil explicar por palavras. Era como se todos os nossos sonhos, depois de tanta espera, começassem a tomar forma diante dos nossos olhos.

A felicidade tomou conta da nossa casa. Os familiares ficaram emocionados com a chegada do novo membro da família. Todos partilhavam da nossa alegria fazendo planos, imaginando como seria aquele momento tão esperado. Começamos a preparar tudo com muito carinho. Comprámos o enxoval, escolhemos as primeiras roupinhas, organizámos o berço e cada detalhe era feito com cuidado, pensando naquele bebé que estava prestes a chegar.

Cada objeto comprado transportava uma expectativa, um sonho, uma promessa de dias felizes. A casa parecia diferente. Havia uma sensação de espera no ar. Cada conversa, cada visita dos familiares e cada preparação aumentava ainda mais a ansiedade pela chegada daquele filho tão desejado. Mas num dia que parecia ser como qualquer outro, enquanto eu estava trabalhar, tudo mudou.

Recebi uma chamada no serviço. Do outro lado da linha veio uma notícia que paralisou o meu coração. A minha esposa tinha escorregado no banheiro e precisou ser socorrida à pressa para o hospital. Naquele instante, toda a alegria e expectativa deram lugar à preocupação. O medo tomou conta dos meus pensamentos enquanto tentava perceber a gravidade daquela situação e procurava forças para saber o que fazer.

Era impossível continuar a trabalhar depois daquela ligação. Levantei-me da minha mesa e fui praticamente a correr até à diretoria da empresa. O coração parecia querer sair pela boca. Assim que encontrei o gerente, expliquei, ainda sem conseguir esconder o desespero, que a minha esposa tinha sofrido um acidente em casa e tinha sido levada às pressas para o [música] hospital.

Ele olhou para mim. Percebeu que a situação era séria e não pensou duas vezes. Vai, Severino, fica descansado, cuida da sua esposa. Nem esperei mais nada. Saí da empresa o mais rápido que pude. Durante todo o caminho até ao hospital, a minha cabeça não parava um segundo. Só pensava nela, no nosso filho e fazia uma oração em silêncio, pedindo que tudo acabasse bem.

Quando cheguei ao hospital, fui logo para a recepção e perguntei onde é que ela estava. Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, Consegui entrar para a ver. A minha esposa estava consciente. Apesar do rosto abatido e da expressão de dor, ela conseguiu falar comigo, segurou a minha mão com força e disse que estava sentindo muitas dores na barriga desde a queda.

Ver aquela cena apertou-me o coração. Ela tentava ser forte, mas dava para aperceber que estava assustada. Eu tentava tranquilizá-la, dizendo que tudo ia correr bem. Embora por dentro o medo estivesse a tomar conta de mim. Pouco depois, um dos médicos chamaram-me para conversar. Explicou que por causa da queda, A minha esposa havia apresentado um hemorragia considerável.

disse que naquele momento ainda era cedo para tirar qualquer conclusão e que seria necessário fazer alguns exames para verificar como estava o bebé e se a gestação tinha sido afetada. Aquelas palavras fizeram com que o tempo parecesse parar. Até então, tudo o que eu queria ouvir que estava tudo bem. Mas naquele corredor de hospital, a única coisa que nos restava era esperar pelos resultados dos exames.

Fiquei naquele corredor do hospital sem conseguir pensar em mais nada. Naquele tempo, os hospitais eram simples. O corredor tinha paredes claras, bancos de madeira e um silêncio que só era interrompido pelo barulho dos passos dos enfermeiros. Pelo abrir e fechar das portas. e pelo som longínquo dos equipamentos.

As horas pareciam não passar. Lá fora, a noite foi chegando aos poucos. O frio aumentou e aquele vento gelado entrava pelas frinchas das janelas, tornando o ambiente ainda mais pesado. Eu continuava sentado no mesmo banco, com as mãos cruzadas, olhando para a porta do quarto, onde minha esposa estava internada.

Não conseguia comer, não conseguia descansar. A minha cabeça estava tomada por uma única preocupação, saber se ela e o nosso bebé ficariam bem. De vez em quando, uma enfermeira passava apressada pelo corredor. Cada vez que a porta do quarto se abria, o meu coração disparava. Eu levantava-me na esperança de receber uma boa notícia, mas logo voltava a me sentar. Esperando mais um pouco.

Com o passar das horas, percebi que o estado da minha mulher parecia estar a piorar. Até então, ela não tinha apresentado febre, mas durante a noite começou a ter uma temperatura elevada e isso deixou toda a a equipa médica ainda mais atenta. Os médicos entravam e saíam do quarto várias vezes.

As enfermeiras preparavam medicamentos, verificavam os sinais vitais e tentavam controlar a febre. Era um movimento constante e cada vez que eu via aquela correria, o meu coração apertava ainda mais. sem poder fazer mais nada além de esperar, permanecia ali naquele corredor frio durante toda a noite, sentado naquele banco duro, olhando para o chão por alguns instantes e logo de seguida para a porta do quarto.

Eu fazia uma oração atrás da outra, pedindo a Deus que protegesse a minha mulher e o nosso filho. Naquela madrugada, a única coisa que eu podia fazer era esperar. E, por vezes, esperar é uma das coisas mais difíceis que um homem pode enfrentar. Com o passar da madrugada, o hospital foi ficando cada vez mais silencioso. Aos poucos, os outros acompanhantes começaram a ir embora.

Os médicos explicavam que os doentes deles não estavam em estado grave e que não havia necessidade de permanecer no hospital durante a noite. Um a um, recolhiam os seus pertences, despediam-se e deixavam o corredor. Em pouco tempo fiquei sozinho. Aquele corredor que horas antes tinha algumas pessoas a falar baixinho, parecia agora vazio.

O silêncio era tão grande [música] que ouvia-se o barulho das lâmpadas fluorescentes, o ranger de um carrinho de medicação passando ao longe e os passos das enfermeiras ecoando pelo chão. Mais à frente, o corredor fazia uma curva. Ora, naquele ponto havia uma espécie de balcão de enfermagem. Quando não estavam a atender algum doente, as enfermeiras permaneciam ali organizando registos médicos, preparando medicamentos, separando seringas e materiais ou apenas aguardando algum chamamento dos quartos.

Eu continuava sentado no mesmo banco, sem conseguir descansar. De tempos a tempos levantava os olhos para a porta do quarto, onde o meu esposa estava internada. Foi então que reparei numa coisa que me chamou a atenção. Em frente à porta do quarto estava um menino. Ele estava de costas [música] para mim, completamente parado, olhando para dentro do quarto.

Não corria, não brincava, não falava com ninguém, apenas permanecia ali em silêncio, como se estivesse a observar alguma coisa. Pela altura, imaginei que tivesse por volta dos 5 anos de idade. Naquele momento, achei aquilo normal. Pensei que fosse filho ou neto de algum doente. Imaginei que ele tivesse chegado acompanhado por algum adulto e que, enquanto estava preocupado [música] com a minha mulher, simplesmente não havia notou a sua chegada.

Continuei observando durante alguns segundos. O menino permaneceu imóvel diante da porta e passado um instante entrou no quarto onde estava a minha esposa. Achei estranho por um momento, mas logo pensei que talvez algum familiar tivesse autorizado a sua entrada ou que ele estivesse acompanhado por alguém que eu não tinha visto.

Sem dar muita importância, voltei a sentar-me e permaneci naquele corredor à espera de alguma notícia enquanto a madrugada seguia lenta e silenciosa. O cansaço começou a pesar. Depois de tantas horas acordado, sentado naquele banco duro do corredor, o meu corpo já não respondia da mesma forma. Eu tentava manter-me atento, mas de vez em quando acabava por dormitar por alguns minutos.

Era um sono leve, daqueles em que qualquer barulho nos faz despertar. Foi num desses cochilos que aconteceu algo que nunca mais esqueci. No meio daquele silêncio da madrugada, ouvi uma voz bem [música] clara me chamar. Pai, Abri os olhos no mesmo instante assustado. Olhei imediatamente para a porta do quarto da minha mulher e vi o mesmo menino que ali tinha entrado algum tempo antes.

Estava parado na entrada do quarto, olhando diretamente para mim. Com uma das mãos fazia um gesto, como se estivesse a chamar-me para ir até lá. Sem pensar duas vezes, levantei-me rapidamente e caminhei quase a correr em direção ao quarto. Assim que entrei, encontrei uma cena desesperada. A minha esposa estava a convulsionar. O seu corpo debatia-se na cama e ela tinha-se engasgado com o próprio vómito.

Tudo aconteceu muito rápido. Corri imediatamente para fora do quarto e gritei por socorro. As enfermeiras que estavam ao balcão logo à frente do corredor vieram correndo. Em poucos segundos, toda a equipa estava dentro do quarto. Uma delas acionou imediatamente o médico de serviço, enquanto as outras iniciavam os primeiros atendimentos.

Eu fui afastado para que eles pudessem trabalhar. Do lado de fora, o meu coração parecia que ia sair pela boca. Eu só conseguia olhar para as para a porta, esperando por qualquer notícia. Enquanto via médicos e enfermeiros entrando e saindo do quarto a um ritmo acelerado. Depois de alguns exames e da avaliação da equipa médica, o médico veio falar comigo.

Com um semblante sério, explicou que o estado da minha mulher tinha-se agravado e que já não havia tempo para esperar. Ela precisaria de ser levada para a cirurgia imediatamente. Nesse momento, senti o chão desaparecer debaixo dos meus pés. Tudo o que eu podia fazer era confiar em Deus e esperar que aquela cirurgia salvasse a vida da minha mulher e do nosso bebé.

E enquanto o médico falava comigo, um pergunta não me saía da cabeça. Onde estava o menino que me tinha chamado? Quando voltei a olhar para o quarto e para o corredor, já não estava ali. Assim que os médicos levaram a minha esposa para a cirurgia, Fiquei completamente sem perceber o que tinha acabado de acontecer.

Uma única questão não saía da minha cabeça. Quem era aquele menino? Enquanto aguardava notícias da cirurgia, lembrei-me da outra doente que estava internada no mesmo quarto da minha esposa. [música] Decidi conversar com ela, imaginando que talvez soubesse quem era a criança. Aproximei-me da cama e perguntei: “A senhora viu de quem era aquele rapazinho que estava aqui no quarto?” Ela olhou para mim com um semblante de dúvida e respondeu: “Que rapazinho! Expliquei que tinha visto um menino aparentando ter cerca de 5 anos de idade,

parado à porta do quarto e que pouco antes de a minha mulher passar mal, ele me havia chamado. A senhora permaneceu em silêncio durante alguns segundos antes de responder. Disse que estava a dormir quando a minha esposa começou a sentir-se mal. contou que só acordou quando ouviu os meus passos entrando apressadamente no quarto e logo depois a correria das enfermeiras e dos médicos.

Mas fez questão de afirmar uma coisa. Durante todo aquele momento, ela não viu menino nenhum. A resposta dela deixou-me ainda mais confuso. Sem conseguir encontrar uma explicação, Caminhei até ao balcão da enfermaria, onde as enfermeiras permaneciam quando não estavam a atender algum paciente. Perguntei se havia alguma criança internada nesse piso ou se algum familiar tinha entrado no hospital durante a madrugada.

As enfermeiras entreolharam-se e responderam quase ao mesmo tempo. Disseram que aquilo era impossível. Naquele horário da madrugada, as visitas já estavam proibidas há horas. Ninguém podia entrar no hospital sem autorização, muito menos uma criança desacompanhada. Além disso, segundo elas, não havia nenhuma criança internada naquele setor naquela noite.

Fiquei parado por alguns instantes, tentando perceber o que tinha acontecido. Eu tinha a certeza absoluta do que havia visto e vi o menino parado à porta do quarto. Vi quando ele entrou e pouco antes de a minha esposa passar mal, ouvi claramente uma voz a chamar-me. Pai, se eu não tivesse acordado naquele exato momento e correu para o quarto, talvez só encontrasse a minha esposa algum tempo depois, quando já fosse tarde demais.

Já estava quase a amanhecer. Através das janelas do hospital, os primeiros raios de sol começavam a aparecer, quebrando a escuridão daquela longa madrugada. Eu continuava no mesmo corredor, cansado, [música] sem dormir direito e à espera de qualquer notícia. Foi quando a porta do bloco operatório se abriu.

O médico caminhou lentamente até mim. Bastou olhar para o seu rosto para perceber que as notícias não eram boas. Colocou a mão no meu ombro e com muito cuidado disse: “Severino, infelizmente as notícias não são boas”. Naquele instante o meu coração apertou. Ele explicou que a minha mulher tinha ficado entre a vida e a morte durante a cirurgia.

A equipa médica fez tudo o que estava ao alcance para a salvar, mas infelizmente o nosso bebé não resistiu. Os exames confirmaram que o feto já estava sem vida e foi necessário fazer a retirada para preservar a vida da minha esposa. Foi como se o mundo parasse. Aquele filho com que tanto sonhamos, pelo qual fizemos planos, comprámos roupa, montamos o berço e imaginamos o futuro, já não estava connosco.

Não consegui segurar as lágrimas. Chorei como nunca tinha chorado antes. Mas depois desse momento, compreendi que precisava de encontrar forças. A minha esposa ainda estava viva, lutando para se recuperar e ela precisaria de mim quando acordasse. Enxuguei as lágrimas, fiz uma oração em silêncio e ali permaneci.

Foram três dias de espera. Três dias a acompanhar cada pequena melhoria, cada notícia dada pelos médicos, cada esperança que surgia de que ela conseguiria vencer aquele batalha. Aos poucos, graças a Deus, a minha esposa começou a reagir ao tratamento. A sua recuperação foi acontecendo dia após dia, até que os médicos nos deram uma notícia que trouxe alívio, mas também uma grande tristeza.

Ela poderia voltar a ter uma vida normal. No entanto, os danos causados pelo acidente tinham sido irreversíveis. Ela não podia mais ser mãe. Foi uma notícia muito difícil para nós os dois. Sabíamos que aquele sonho tinha ficado para trás, mas também sabíamos que ainda tínhamos um ao outro. Seguimos em frente.

Aprendemos a transformar aquela dor em companheirismo. Vivemos juntos durante muitos anos, enfrentando as dificuldades da vida lado a lado, [música] lembrando sempre o filho que não chegou a nascer, mas que nunca deixou de existir nos nossos corações. Em 2003, chegou o dia mais difícil da a minha vida. A minha esposa partiu.

Ela deixou-me fisicamente, mas nunca saiu de dentro de mim. As recordações da mulher que caminhou ao meu lado durante tantos anos continuam vivas. Ainda me lembro do teu sorriso, da sua voz, da forma como segurava a minha mão e da força que demonstrou depois de tudo o que enfrentamos. O tempo passou, mas há pessoas que nunca vão embora de verdade.

Elas continuam a viver dentro da gente enquanto houver memória, amor e saudade. Se chegou até aqui, quero agradecer-lhe de coração por ter dedicado um pouco do o seu tempo para ouvir esta história. A vida [música] faz-nos muitas vezes passar por momentos que nunca imaginamos enfrentar. Algumas respostas talvez nunca encontrar, mas a fé é o que nos ajuda a continuar a caminhar, mesmo quando tudo parece perdido.

Se esta história tocou o seu coração e você acredita que Deus cuida de nós, mesmo nos momentos mais difíceis, escreva aqui nos comentários. Eu acredito. Quero ler cada comentário e saber que essa mensagem chegou até si. E antes de se ir embora, faça um favor a mim. Abrace quem ama, valorize a sua família e nunca deixe de demonstrar carinho às pessoas que caminham ao seu lado.

Que Deus abençoe a sua vida, proteja o seu lar, fortaleça a sua família e conceda saúde, paz e esperança a todos vós. Fiquem com Deus e que ele esteja sempre ao lado de cada um dos vós e dos vossos familiares. Um grande abraço.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

Recommended for You

View Archive arrow_forward