Menina desaparece de fazenda no Paraná, 10 anos depois, um pescador encontra isso perto do lago
Na tarde abafada de 14 de dezembro de 2013, Sofia Mendonça, de apenas 9 anos, saiu correndo pelos campos de giraçóis da fazenda Santa Helena para brincar com sua boneca favorita e nunca mais foi vista. A propriedade rural de 200 haares, localizada no município de Candói, no interior do Paraná, pertencia à família a três gerações e era conhecida na região pela criação de gado leiteiro e plantação de soja.
Naquele sábado ensolarado que marcaria para sempre a vida da família Mendonça, ninguém imaginava que uma brincadeira inocente se transformaria no maior mistério não resolvido da região dos campos gerais. O que realmente aconteceu com Sofia naquela tarde continua sendo uma pergunta que assombra não apenas seus familiares, mas toda a comunidade rural que conhecia a menina de cabelos cacheados e sorriso contagiante.
Sofia era filha única de Roberto Mendonça, veterinário de 35 anos, e Carla Mendonça, professora de 32 anos, que lecionava na escola municipal de Candói. A família vivia uma vida tranquila na fazenda que havia sido herdada do avô de Roberto, um português imigrante que chegou ao Brasil nos anos 1950 em busca de uma vida melhor.
A propriedade era um verdadeiro paraíso rural, com uma casa sede ampla e aconchegante, estábulos bem cuidados, açudes para a decedentação do gado e vastos campos que se estendiam até onde a vista alcançava. Sofia conhecia cada cantinho daquele lugar como a palma da mão. Havia crescido correndo pelos pastos, ajudando o pai a alimentar os bezerros e acompanhando a mãe na horta, onde cultiva verduras para consumo próprio.
Era uma criança esperta e corajosa, acostumada à liberdade que apenas a vida no campo pode proporcionar, mas sempre respeitando os limites estabelecidos pelos pais para sua segurança. Naquela manhã de sábado, a rotina na fazenda Santa Helena seguia seu curso normal. Roberto havia saído cedo para verificar um lote de vacas que estava prestes a parir enquanto Carla cuidava dos afazeres domésticos e preparava o almoço.
Sofia havia acordado animada porque finalmente chegara as férias escolares e ela poderia passar mais tempo brincando na fazenda sem se preocupar com as lições de casa. Depois do almoço, enquanto os pais descansavam na varanda conversando sobre os planos para o próximo plantio, Sofia pediu permissão para brincar nos campos próximos à casa.
“Não se afaste muito, Sofia”, alertou Carla, como sempre fazia. “Você sabe que tem que ficar onde a gente consegue te ver”. A menina acenou com a cabeça, pegou sua boneca Isabela um presente de aniversário que ganhara três meses antes e saiu correndo em direção ao campo de giraçóis, que ficava a cerca de 300 m da casa sede. João Santos, funcionário da fazenda há mais de 15 anos, foi a última pessoa a ver Sofia com vida.
Ele estava consertando uma cerca próxima ao campo quando a menina passou por ele carregando a boneca. Boa tarde, seu João”, disse Sofia com sua típica educação. “Vou brincar de casinha com a Isabela no meio dos giraçóis”. João sorriu e acenou para a menina, observando-a correr animadamente entre as fileiras de plantas que estavam no auge da floração.
O funcionário continuou seu trabalho sem imaginar que aquela seria a última vez que veria a menina que havia ajudado a criar desde que ela era bebê. O campo de giraçóis era um dos locais favoritos de Sofia para brincar durante o verão, pois as plantas altas criavam uma espécie de labirinto natural, onde ela podia dar asas à imaginação, criando histórias e aventuras com sua boneca.
Quando o sol começou a se pôr por volta das 18 horas, Carla notou que Sofia ainda não havia retornado para casa. Embora fosse normal a menina brincar até mais tarde durante as férias, a mãe começou a se preocupar. Porque Sofia sempre aparecia quando sentia fome ou sede. Roberto foi chamado e juntos caminharam até o campo de giraçóis, chamando pelo nome da filha.
Encontraram rapidamente o local onde Sofia havia estado brincando. Havia marcas na terra onde ela havia montado uma pequena mesa improvisada com pedras para servir um chá imaginário para sua boneca. Mas nem Sofia, nem a boneca Isabela estavam em lugar algum. A preocupação inicial se transformou em desespero quando perceberam que as pegadas da menina simplesmente desapareciam na terra mais dura, próxima a uma trilha que levava ao açude principal da propriedade.
Roberto imediatamente acionou a Polícia Militar de Candói, que chegou à fazenda em menos de uma hora. O sargento Carlos Pereira, que conhecia a família Mendonça há anos, organizou uma busca imediata envolvendo todos os funcionários da fazenda e vizinhos que rapidamente se mobilizaram para ajudar.
Com lanternas e tochas improvisadas, mais de 30 pessoas percorreram cada metro da propriedade durante toda a noite. Verificaram os estábulos, os depósitos de ração, as casas dos funcionários, os açudes e até mesmo uma antiga casa de farinha. abandonada que ficava nos fundos da propriedade. Mergulhadores da Defesa Civil de Guarapuava foram chamados para vasculhar os três açudes da fazenda, temendo o pior.
Cães farejadores vindos de Curitiba perderam o rastro de Sofia, exatamente no mesmo ponto onde suas pegadas desapareciam, próximo à trilha que levava ao açude principal. Antes de continuarmos desvendando este mistério que mudou para sempre a vida da família Mendonça, preciso que você se torne desta investigação. Se você está aqui assistindo este vídeo, é porque, assim como eu, você não consegue simplesmente ignorar histórias que mexem com nossa mente e nosso coração.
Deixe seu like se você também acredita que toda a verdade merece ser descoberta. Se inscreva no canal se você quer continuar investigando comigo os mistérios mais intrigantes do Brasil e me conte nos comentários o que você acha que realmente aconteceu com Sofia naquela tarde. Sua teoria pode ser a peça que falta para entendermos esse quebra-cabeças.
Agora vamos descobrir juntos o que as investigações revelaram e por este caso se tornou um dos mais perturbadores do interior do Paraná. A investigação oficial começou na manhã de 15 de dezembro, com a chegada da Polícia Civil de Guarapuava, comandada pelo delegado Marco Ribeiro, um investigador experiente com 20 anos de carreira.
A fazenda foi isolada e periciada milimetricamente por uma equipe de especialistas que documentou cada detalhe do local onde Sofia foi vista pela última vez. O campo de giraçóis foi literalmente desarrado planta por planta. mas não encontraram nenhuma evidência de luta ou violência. A boneca Isabela continuava desaparecida junto com a menina, o que intrigava os investigadores, pois se Sofia tivesse se afogado acidentalmente, a boneca certamente teria boiado na superfície da água.
Os açudes foram drenados parcialmente e mergulhadores profissionais passaram dias explorando cada centímetro do fundo lodoso, encontrando apenas objetos antigos descartados ao longo dos anos, mas nenhum vestígio da menina ou de seus pertences. Roberto e Carla foram submetidos a interrogatórios extensos, procedimento padrão em casos de desaparecimento de crianças.
Ambos prestaram depoimentos consistentes e tinham álibes sólidos para o período do desaparecimento. Roberto estava reparando um bebedouro quebrado do gado na companhia de dois funcionários. Enquanto Carla estava na cozinha preparando o jantar com dona Maria, empregada doméstica que trabalhava na fazenda há 8 anos.
O delegado Ribeiro também investigou minuciosamente o histórico da família, verificando possíveis inimizades, problemas financeiros ou qualquer motivo que pudesse levar alguém a sequestrar Sofia. A família Mendonça era respeitada na região, não tinha dívidas significativas, nem envolvimento com atividades suspeitas.
Roberto mantinha a fazenda em excelente estado financeiro com a venda do leite e das safras de soja. E Carla era querida por todos os alunos e colegas de trabalho da escola onde lecionava. A investigação se expandiu para além dos limites da fazenda, quando o delegado começou a considerar a possibilidade de sequestro. Todos os funcionários da fazenda Santa Helena foram interrogados detalhadamente.
João Santos, que foi a última pessoa a ver Sofia, foi submetido a três interrogatórios diferentes e manteve sempre a mesma versão dos fatos. Sua ficha criminal estava limpa e ele tinha uma reputação impecável na região. Antônio Silva, de 28 anos, funcionário mais recente, contratado há apenas 6 meses para cuidar da ordenha, chamou a atenção dos investigadores inicialmente por ser relativamente novo na propriedade.
No entanto, verificações aprofundadas revelaram que ele estava trabalhando no estábulo principal durante todo o período do desaparecimento, sempre acompanhado de outros funcionários. Marcos Oliveira, responsável pela manutenção das máquinas agrícolas, também foi investigado, mas tinha um álib sólido e era considerado praticamente um membro da família pelos Mendonça.
A hipótese de sequestro ganhou força quando os investigadores descobriram que, três semanas antes do desaparecimento de Sofia, um homem desconhecido havia sido visto rondando as propriedades rurais da região. Diversos fazendeiros relataram a polícia ter notado um Volkswagen Gol branco com placas de São Paulo transitando pelas estradas rurais de forma suspeita.
O veículo era sempre conduzido por um homem de aproximadamente 40 anos, moreno, que se apresentava como comprador de gado interessado em fazer negócios na região. Pedro Almeida, proprietário da fazenda vizinha, relatou ter conversado com o homem por alguns minutos quando ele parou em sua propriedade.
Ele dizia que representava um frigorífico de São Paulo e estava procurando fornecedores de gado na região, contou Pedro aos investigadores. Mas alguma coisa no jeito dele me deixou desconfortável. Fazia muitas perguntas sobre as famílias que moravam nas fazendas, se tinham filhos, se as propriedades ficavam isoladas. Achei estranho para alguém interessado apenas em comprar gado.
O misterioso homem do Gol Branco nunca mais foi visto na região após o desaparecimento de Sofia, o que aumentou as suspeitas da polícia. Uma força tarefa foi montada para rastrear o veículo através das câmeras de segurança das rodovias e postos de gasolina da região. As imagens de segurança mostraram que um Gol branco com placas de São Paulo havia passado pelo pedágio da BR27 na direção de Curitiba na madrugada do dia 15 de dezembro, poucas horas após o desaparecimento de Sofia ser descoberto.
Infelizmente, a qualidade das imagens não permitia identificar claramente o condutor ou confirmar se era o mesmo veículo visto rondando as fazendas. A Polícia Civil de São Paulo foi acionada para verificar a procedência das placas, mas descobriu que elas eram clonadas, aumentando ainda mais o mistério sobre a identidade do homem suspeito.
Durante as buscas, a equipe de investigação encontrou algo perturbador no quarto de Sofia. escondido embaixo de sua cama, dentro de uma caixa de sapatos, estava um pequeno diário, onde a menina registrava seus pensamentos e atividades diárias. As últimas anotações revelaram que Sofia havia notado o homem estranho observando a fazenda alguns dias antes de seu desaparecimento.
Em uma entrada datada de 10 de dezembro, 4 dias antes de sumir, Sofia escreveu com sua letra infantil: “Hoje vi um homem parado na estrada olhando nossa casa. Ele ficou muito tempo lá e foi embora quando o papai apareceu no pasto. Ele dirigia um carro branco e usava óculos escuros. Achei ele assustador e contei para M Isabela que a gente tem que tomar cuidado.
A descoberta do diário confirmou que Sofia havia percebido a presença do homem suspeito e se sentido incomodada com isso, mas aparentemente não contou aos pais sobre suas observações. A revelação do diário trouxe uma nova dimensão ao caso e confirmou que Sofia não havia desaparecido por acidente ou por vontade própria.
O padrão de comportamento do homem suspeito indicava claramente um predador que havia estudado a rotina da família e planejado cuidadosamente o sequestro. O delegado Ribeiro intensificou as buscas na região e expandiu a investigação para estados vizinhos, temendo que Sofia tivesse sido levada para longe.
Cartazes com a foto da menina foram espalhados por todo o Paraná, Santa Catarina e São Paulo. A imprensa nacional abraçou o caso e a foto de Sofia com sua boneca Isabela se tornou uma das imagens mais divulgadas do ano de 2013. Programas de televisão especializados em pessoas desaparecidas ofereceram recompensas por informações que levassem ao paradeiro da menina, mas nenhuma pista concreta surgiu.
Os meses que se seguiram ao desaparecimento de Sofia foram um período de agonia indescritível para Roberto e Carla. A vida na fazenda Santa Helena nunca mais foi a mesma, com o casal se revezando entre a esperança de que a filha aparecesse e o desespero de não ter nenhuma pista sobre seu paradeiro. Carla desenvolveu insônia severa e precisou se afastar das aulas por vários meses, incapaz de se concentrar em qualquer atividade que não fosse relacionada à busca por Sofia.
Roberto, por sua vez, se tornou obsecado pela investigação, contratando detetives particulares e oferecendo recompensas cada vez maiores por informações sobre o Homem do Gol Branco. A fazenda, que antes era um lugar de paz e felicidade, se transformou em um ambiente sombrio, onde cada cantinho lembrava a presença da menina, que ali havia crescido e brincado.
6 meses após o desaparecimento, em junho de 2014, uma pista promissora surgiu quando uma mulher de Londrina entrou em contato com a polícia, relatando ter visto uma menina com características similares às de Sofia em um shopping da cidade. Segundo Teresa Campos, de 45 anos, ela estava fazendo compras quando notou uma menina de cabelos cacheados, acompanhada de um homem mais velho, que parecia nervoso e ansioso para sair do local.
A menina parecia triste e assustada”, relatou Teresa aos investigadores. Quando eu me aproximei para perguntar se estava tudo bem, o homem rapidamente disse que era o pai dela e saiu apressadamente puxando a criança pela mão. Só depois que viu o cartaz da Sofia na televisão, que percebia a semelhança. As câmeras de segurança do shopping foram verificadas, mas as imagens não eram claras o suficiente para confirmar se realmente era Sofia ou apenas uma criança com características físicas similares. A investigação de Londrina
mobilizou recursos significativos da Polícia Civil, mas não levou a resultados concretos. Outros relatos similares começaram a chegar de diferentes cidades do Paraná e estados vizinhos, criando um ciclo de esperança e decepção para a família Mendonça. Cada suposto avistamento era investigado minuciosamente, mas invariavelmente se revelava um equívoco ou identificação errônea.
O delegado Ribeiro explicou à família que casos de crianças desaparecidas frequentemente geram avistamentos falsos, pois o público sensibilizado pela situação tende a ver semelhanças onde elas não existem. Mesmo assim, cada pista era tratada com seriedade e investigada até suas últimas consequências. Durante esse período, a investigação também se voltou para a possibilidade de Sofia ter sido vítima de uma rede de tráfico de crianças.
O Paraná, devido à sua localização estratégica na fronteira com o Paraguai e Argentina, era conhecido como uma rota utilizada por criminosos para diversos tipos de tráfico. Agentes da Polícia Federal especializados em crimes contra crianças se juntaram à investigação trazendo expertise em casos internacionais.
e acesso a bancos de dados de pessoas desaparecidas em outros países. A possibilidade de Sofia ter sido levada para o exterior era aterrorizante para a família, mas os investigadores precisavam considerar todos os cenários possíveis. Em dezembro de 2014, exatamente um ano após o desaparecimento, Roberto e Carla organizaram uma vigília na igreja de Candói, que reuniu centenas de pessoas da região.
A comunidade rural, que sempre foi unida, demonstrou solidariedade tocante à família Mendonça. “Sofia não é apenas nossa filha”, disse Roberto emocionado durante a cerimônia. “Ela é filha de todos vocês também. Enquanto houver uma centelha de esperança em nossos corações, não vamos parar de procurá-la. Carla, visivelmente abalada, mas determinada, fez um apelo direto para possíveis sequestradores.
Se vocês estão ouvindo isso, por favor, devolvam nossa menina. Ela precisa da família dela, precisa de casa, precisa do amor que só nós podemos dar a ela. A vigília foi transmitida por emissoras de televisão regionais e ganhou repercussão nacional. renovando o interesse da mídia pelo caso.
A partir de 2015, a investigação oficial começou a perder intensidade. Sem novas pistas concretas e com recursos limitados, a Polícia Civil foi obrigada a redirecionar seus esforços para outros casos em andamento. O delegado Ribeiro, no entanto, nunca arquivou formalmente o caso de Sofia e continuou recebendo informações esporádicas que eram devidamente investigadas.
Roberto e Carla se recusaram a aceitar a redução das buscas oficiais e intensificaram seus próprios esforços. criaram uma página nas redes sociais dedicada à procura por Sofia, que reuniu milhares de seguidores. Contrataram detetives particulares especializados em pessoas desaparecidas e estabeleceram uma linha telefônica própria para receber informações.
A boneca Isabela, que havia desaparecido junto com Sofia, se tornou um símbolo da busca, aparecendo em todos os materiais de divulgação como uma pista importante para identificar a menina. Os anos de 2016 e 2017 trouxeram novos desafios para a família Mendonça. A fazenda começou a enfrentar dificuldades financeiras devido aos recursos gastos na busca por Sofia e a dificuldade de Roberto em se concentrar completamente na administração da propriedade.
Carla retornou ao trabalho na escola, mas nunca mais foi a mesma professora entusiasmada de antes. Seus colegas relatavam que ela frequentemente se distraía durante as aulas, perdida em pensamentos sobre a filha desaparecida. O casal passou por sessões de terapia para tentar lidar com o trauma, mas a ausência de Sofia continuava sendo uma ferida aberta que não cicatrizava.
Mesmo assim, eles se recusavam a realizar qualquer tipo de cerimônia fúnebre ou aceitar a possibilidade de que Sofia estivesse morta. Enquanto não tivermos certeza, nossa filha está viva em algum lugar precisando de nós”, repetia Carla, sempre que alguém sugeria que talvez fosse hora de aceitar o inevitável. Em 2018, 5 anos após o desaparecimento, a vida de Roberto e Carla havia se tornado uma rotina melancólica, pontuada por momentos de esperança renovada, sempre que surgia uma nova pista.
A fazenda Santa Helena funcionava mecanicamente, mas havia perdido a vitalidade de outrora. O quarto de Sofia permanecia exatamente como ela havia deixado, com suas roupas no guarda-roupa, brinquedos organizados nas prateleiras e a cama sempre arrumada como se a menina fosse voltar a qualquer momento. Carla desenvolveu o hábito de sentar na cama da filha todas as noites antes de dormir, conversando com Sofia como se ela pudesse ouvi-la.
Roberto, mais pragmático em sua dor, se concentrava em manter as buscas ativas, atualizando constantemente as redes sociais com apelos por informações e coordenando com outros pais de crianças desaparecidas ao redor do país. A comunidade de Candói nunca esqueceu de Sofia. Todo dia 14 de dezembro, data de seu desaparecimento, a população local realizava uma caminhada silenciosa pelas ruas da cidade, partindo da igreja matriz até a entrada da fazenda Santa Helena.
As crianças da escola onde Carla lecionava desenhavam cartazes pedindo o retorno de Sofia e os comerciantes locais mantinham fotografias da menina expostas em suas vitrines. Padre Joaquim, pároco da cidade há mais de 30 anos, incluí Sofia em todas as suas orações dominicais, pedindo pela proteção da menina e conforto para sua família.
Sofia se tornou uma filha de toda a nossa comunidade”, dizia o padre em seus sermões. Sua ausência deixou um vazio que só seu retorno pode preencher. Durante esses anos, Roberto desenvolveu uma obsessão particular com lagos e açudes da região. Ele acreditava que as respostas sobre o desaparecimento de Sofia poderiam estar escondidas no fundo desses corpos d’água.

Munido de equipamento de mergulho amador, passava fins de semana explorando açudes abandonados, lagoas artificiais e represas em um raio de 100 km da fazenda. Carla inicialmente tentou dissuadi-lo dessa atividade perigosa, mas eventualmente compreendeu que aquela busca era a forma de Roberto manter a sanidade mental.
Se eu parar de procurar, é como se estivesse desistindo dela”, explicava ele à esposa. Enquanto eu tiver forças, vou revirar cada pedaço de terra e cada gota d’água desta região até encontrar nossa menina. Em 2019, um evento perturbador reacendeu as esperanças da família. Uma mulher de Foz do Iguaçu entrou em contato com a polícia, relatando ter reconhecido Sofia em um vídeo postado nas redes sociais por uma família argentina que havia adotado uma menina brasileira de idade similar.
Segundo Amanda Ferreira, de 38 anos, ela estava navegando no Facebook quando se deparou com o vídeo de uma festa de aniversário, onde uma menina de aproximadamente 15 anos aparecia cantando parabéns. O rosto dela era muito parecido com o da Sofia, principalmente os olhos e o formato do nariz, relatou Amanda. A menina falava espanhol fluentemente, mas tinha traços brasileiros muito marcantes.
A Polícia Federal foi acionada para investigar a denúncia através de canais diplomáticos com a Argentina. A investigação internacional levou três meses para ser concluída e trouxe resultados devastadores para a família Mendonça. A menina argentina se chamava Valentina Rossi e havia sido adotada legalmente em 2015 por uma família de Buenos Aires.
Seus documentos comprovavam que ela havia nascido na Argentina e vivia em um orfanato de Córdoba antes da adoção. Exames de DNA solicitados pela Polícia Federal confirmaram que não havia relação genética entre Valentina e a família Mendonça. Mais uma vez, a esperança se transformou em decepção, mas Roberto e Carla agradeceram publicamente o empenho das autoridades e da cidadã que fez a denúncia.
Preferimos mil decepções do que deixar passar uma única oportunidade real de encontrar nossa Sofia”, declarou Carla em entrevista para uma emissora local. Os anos de 2020 e 2021 foram particularmente difíceis devido à pandemia de COVID-19, que limitou as possibilidades de busca e investigação. As reuniões comunitárias em memória de Sofia foram suspensas e as viagens de Roberto para explorar outros locais ficaram restritas.
O isolamento social intensificou a dor da família, que se viu ainda mais privada do apoio da comunidade que sempre o sustentou. Durante esse período, Carla começou a escrever um livro sobre a experiência de ter uma filha desaparecida como forma de terapia e também para manter viva a memória de Sofia. Enquanto as pessoas lembrarem do nome dela, Sofia continua viva”, dizia Carla aos amigos que a visitavam respeitando os protocolos sanitários.
Em dezembro de 2021, 8 anos após o desaparecimento, Roberto tomou uma decisão drástica que surpreendeu a família e a comunidade. Ele anunciou que iria vender parte das terras da fazenda para financiar uma expedição de busca mais ampla, incluindo a contratação de mergulhadores profissionais para explorar sistematicamente todos os corpos d’água num raio de 200 km de Candói.
Chegamos ao ponto onde precisamos usar todos os recursos disponíveis”, explicou Roberto em uma reunião com familiares e amigos. “Se Sofia está em algum lugar debaixo d’água, vamos encontrá-la. Se ela está viva em algum lugar, os recursos dessa busca podem nos levar até ela. Carla apoiou integralmente a decisão do marido, mesmo sabendo que isso significaria sacrificar o patrimônio familiar construído ao longo de gerações.
A expedição de Roberto começou na primavera de 2022 e se estendeu por quase um ano inteiro. Ele contratou uma empresa especializada em recuperação subaquática de Curitiba, comandada por Carlos Moreira, um mergulhador técnico com mais de 20 anos de experiência em operações de busca e resgate. A equipe utilizava equipamentos de última geração, incluindo sonares de varredura lateral capazes de mapear o fundo de lagos e açudes com precisão milimétrica.
Sistematicamente exploraram 47 corpos d’água diferentes, desde pequenas lagoas artificiais até grandes represas da região. Em cada local passavam dias realizando mergulhos meticulosos, documentando tudo o que encontravam no fundo lodoso. Recuperaram dezenas de objetos descartados ao longo dos anos. Carros abandonados, eletrodomésticos velhos, ferramentas agrícolas perdidas, mas nenhum vestígio de Sofia ou de sua boneca Isabela.
Durante essa fase intensiva de buscas, Roberto conheceu Edmundo Teixeira, um pescador aposentado de 67 anos, que se tornaria peça fundamental na resolução do mistério. Edmundo morava em uma pequena propriedade às margens do lago artificial, criado pela represa do rio Jordão, a aproximadamente 80 km da fazenda Santa Helena.
O lago estava no roteiro de exploração da equipe de mergulhadores e Edmundo se ofereceu para ajudar com seu conhecimento detalhado das correntes e profundidades locais. “Pesco nessas águas há mais de 40 anos”, disse Edmundo a Roberto. “Conheço cada buraco, cada pedra do fundo deste lago. Se tem alguma coisa aqui que não deveria estar, posso ajudar vocês a encontrar”.
O pescador ficou profundamente tocado com a história de Sofia. e se tornou um auxiliar voluntário da expedição. A busca no lago da represa durou duas semanas intensas. Os mergulhadores mapearam sistematicamente todo o fundo, prestando atenção especial às áreas mais profundas, onde objetos pesados tendiam a se acumular.
Encontraram restos de uma antiga ponte de madeira que havia sido submersa quando a represa foi construída nos anos 1980. Vários carros que provavelmente haviam sido jogados ali para se desfazer de evidências de outros crimes, mas nada relacionado à Sofia. Roberto começava a perder as esperanças quando Edmundo sugeriu uma abordagem diferente.
Roberto, já procuramos onde os objetos afundam? Mas e se alguma coisa ficou presa em galhos submersos ou estruturas que impedem que ela chegue ao fundo? A sugestão do pescador experiente fez sentido e a equipe redirecionou os esforços para áreas de profundidade média, onde árvores submersas criavam obstáculos naturais.
Em março de 2023, quase 10 anos após o desaparecimento de Sofia, Edmundo decidiu investir em um novo hobby que estava ganhando popularidade entre pescadores. A pesca magnética comprou um imã de neodímio de alta potência, capaz de levantar objetos metálicos de até 200 kg, e começou a explorar diferentes pontos do lago em busca de objetos interessantes.
A pesca magnética havia se tornado uma febre mundial, com pessoas encontrando de tudo, desde moedas antigas até armas utilizadas em crimes. Para Edmundo, era uma forma de combinar sua paixão pela pesca com a possibilidade de fazer descobertas surpreendentes. Além disso, ele continuava pensando em Sofia, mesmo depois que as buscas oficiais no lago haviam terminado.
Talvez o imã consiga puxar alguma coisa que os mergulhadores não viram”, pensava o pescador enquanto preparava seu equipamento. Na manhã de 15 de março de 2023, Edmundo saiu, como de costume, para sua sessão de pesca magnética, dirigindo-se para um ponto do lago que ainda não havia explorado completamente. Era uma área próxima a uma antiga estrada rural que ficava submersa quando o nível da represa subia.
O pescador lançou seu íã potente na água, deixando a corda desenrolar até atingir o fundo. Depois de alguns minutos, começou a recolher lentamente, sentindo o peso familiar de algum objeto metálico aderido ao imían. Inicialmente, pensou que poderia ser mais um pedaço de ferro velho ou talvez alguma ferramenta descartada.
Mas quando o objeto emergiu da água turva, Edmundo sentiu o coração disparar. Pendurada no ímã estava uma pequena mochila infantil cor- de-osa, obviamente submersa há muito tempo, mas ainda reconhecível. As mãos de Edmundo tremiam enquanto ele cuidadosamente retirava a mochila do imã. O material estava deteriorado pela longa exposição à água, mas ainda era possível ver detalhes que o fizeram se lembrar imediatamente de Sofia.
A mochila tinha estampas de borboletas coloridas e um pequeno chaveiro em formato de coração que brilhava mesmo coberto de limo. Com muito cuidado, Edmundo abriu o zíper principal da mochila, que ainda funcionava apesar dos anos submersa. Dentro, protegidos por uma sacola plástica que havia resistido parcialmente à água, estavam alguns objetos que fariam seu sangue gelar.
Um caderno escolar com o nome Sofia Mendonça, escrito na capa, alguns lápis de cor, uma borracha em formato de gato e mais perturbador ainda, uma pequena carteira de identidade infantil plastificada que ainda mostrava claramente a foto e os dados de Sofia. O pescador imediatamente pegou seu celular e ligou para Roberto, que atendeu no primeiro toque, como sempre fazia, esperando eternamente por notícias sobre a filha.
“Roberto, preciso que você venha ao lago agora mesmo”, disse Edmundo com a voz embargada. “Encontrei alguma coisa que pertencia à Sofia.” Roberto sentiu o mundo girar, perguntando freneticamente o que havia sido encontrado, mas Edmundo preferiu não dar detalhes pelo telefone. Venha rapidamente e traga a Carla. Vocês precisam ver isso pessoalmente.
Em menos de uma hora, Roberto e Carla estavam no lago, acompanhados pelo delegado Ribeiro, que nunca havia parado completamente de acompanhar o caso. Quando viram a mochila e seu conteúdo, souberam imediatamente que finalmente haviam encontrado a primeira evidência física do que havia acontecido com Sofia naquela tarde fatídica de dezembro de 2013.
A descoberta da mochila de Sofia transformou completamente a investigação que havia esfriado ao longo dos anos. O delegado Ribeiro, agora próximo da aposentadoria, mas ainda obsecado pelo caso, imediatamente isolou a área e acionou uma nova equipe de peritos da Polícia Científica do Paraná. A mochila foi cuidadosamente embalada e enviada para análise forense completa em Curitiba, onde especialistas examinariam cada fibra em busca de evidências que pudessem revelar o que havia acontecido com Sofia.
O local onde Edmundo encontrou a mochila foi mapeado com precisão usando GPS e mergulhadores retornaram para realizar uma nova busca concentrada naquela área específica. A proximidade com a antiga estrada submersa sugeria que a mochila poderia ter sido jogada de um veículo, possivelmente na noite do desaparecimento ou logo depois.
Roberto e Carla viveram dias de agonia aguardando os resultados das análises forenses. A descoberta da mochila era simultaneamente uma bênção e uma maldição. Finalmente tinham uma pista concreta sobre o destino de Sofia. Mas isso também confirmava que algo terrível havia acontecido com a menina. Durante todos esses anos, uma parte de mim continuava acreditando que Sofia poderia estar viva em algum lugar”, confessou Carla ao marido.
Agora sabemos que ela nunca saiu desta região. Roberto tentava permanecer forte pela esposa, mas internamente estava devastado pela implicação óbvia da descoberta. Se a mochila de Sofia estava no fundo daquele lago, onde estava o corpo da menina? Por que apenas a mochila havia sido encontrada depois de tantos anos de buscas intensivas? Os resultados da análise forense chegaram duas semanas depois e trouxeram revelações perturbadoras.
Os peritos conseguiram recuperar material genético das alças da mochila, que não pertencia à Sofia, nem a nenhum membro da família Mendonça. O DNA era de um homem adulto, não identificado nos bancos de dados criminais. Mais importante ainda, foram encontradas fibras de tecido presas no zíper da mochila, que não correspondiam a nenhuma das roupas que Sofia vestia no dia do desaparecimento.
As fibras eram de um tecido grosso, possivelmente de uma lona ou material de construção, sugerindo que a mochila havia sido envolvida em algo antes de ser jogada na água. A análise também revelou que a mochila havia sido submersa recentemente, não há 10 anos, como se supunha inicialmente. O estado de conservação de alguns itens e o tipo de deterioração indicavam que ela estava na água há no máximo 2 anos.
A descoberta de que a mochila havia sido submersa recentemente mudou completamente a perspectiva da investigação. Isso significava que alguém havia mantido os pertences de Sofia por 8 anos antes de se desfazer deles. O delegado Ribeiro desenvolveu uma nova teoria. O sequestrador manteve a mochila como troféu ou evidência e só decidiu se livrar dela anos depois, possivelmente quando se sentiu pressionado pela intensificação das buscas de Roberto.
Criminosos às vezes guardam objetos das vítimas por motivos psicológicos complexos”, explicou Ribeiro à família. “Pode ser que ele tenha finalmente decidido se desfazer das evidências quando percebeu que Roberto não ia parar de procurar. Baseado nessa nova hipótese, a investigação se concentrou em identificar quem poderia ter acesso ao lago e conhecimento suficiente sobre a região para escolher aquele local específico para descartar a mochila.
A antiga estrada submersa era conhecida principalmente por moradores locais mais antigos, pescadores experientes e trabalhadores que haviam participado da construção da represa. Edmundo forneceu uma lista de pessoas que frequentavam regularmente aquela área do lago, incluindo outros pescadores, proprietários de chácaras próximas e funcionários da empresa responsável pela manutenção da represa.
A polícia começou a investigar sistematicamente cada uma dessas pessoas, verificando antecedentes criminais, para o período original do desaparecimento e possíveis conexões com a fazenda Santa Helena. Entre os investigados, um nome chamou particular atenção do delegado Ribeiro, Evandro Costa, de 52 anos, funcionário aposentado da empresa de construção que havia edificado a represa nos anos 1980.
Evandro conhecia intimamente toda a região, incluindo a localização exata da antiga estrada submersa. Mais importante, verificações nos registros da Polícia Rodoviária revelaram que ele possuía um Volkswagen Gol branco nos anos 2013, vendido logo após o desaparecimento de Sofia. Embora nunca tivesse sido considerado suspeito na investigação original, Evandro morava a apenas 20 km da fazenda Santa Helena e trabalhava eventualmente como prestador de serviços para propriedades rurais da região.
Era possível que ele conhecesse a rotina da família Mendonça e tivesse observado Sofia brincando nos campos de giraçóis. Quando os investigadores foram à casa de Evandro para interrogá-lo, descobriram que ele havia se mudado para o Mato Grosso do Sul três meses antes, logo após Roberto intensificar as buscas no lago.
Vizinhos relataram que a mudança foi repentina e que Evandro parecia nervoso nas últimas semanas antes de partir. Ele sempre foi meio estranho, vivia sozinho e falava pouco com a vizinhança. contou Maria Aparecida, que morava na casa ao lado, mas nas últimas semanas, antes de se mudar, ele estava diferente, mais agitado. Várias vezes o vi queimando coisas no quintal de madrugada, o que achei muito estranho.
A informação sobre as queimas noturnas intrigou os investigadores que especularam se Evandro poderia estar se desfazendo de evidências relacionadas ao caso de Sofia. A polícia civil do Mato Grosso do Sul foi acionada para localizar Evandro em sua nova residência em Campo Grande. Quando finalmente o encontraram, duas semanas depois descobriram um homem visivelmente perturbado e com sinais de estresse extremo.
Andro inicialmente negou qualquer envolvimento no desaparecimento de Sofia, mas quando confrontado com as evidências, o DNA masculino na mochila, a coincidência do Gol Branco, o conhecimento da área onde a mochila foi encontrada, ele começou a demonstrar sinais de colapso emocional. Depois de 12 horas de interrogatório com a presença de advogados e psicólogos, Evandro finalmente quebrou e confessou sua participação no sequestro e morte de Sofia Mendonça.
A confissão de Evandro Costa revelou detalhes horripilantes sobre os últimos momentos de Sofia e o que havia acontecido naquela tarde fatídica de dezembro de 2013. Segundo seu relato, ele havia observado a rotina da família Mendonça por várias semanas, fascinado pela liberdade com que Sofia brincava sozinha nos campos da fazenda.
Evandro admitiu ter problemas psicológicos não tratados e uma obsessão doentia por crianças que o levava-te a vigiar propriedades rurais, onde famílias com filhos pequenos moravam. No dia do sequestro, ele esperou até que Sofia estivesse suficientemente distante da casa para não ser ouvida se gritasse, aproximou-se dela no campo de giraçóis, fingindo estar perdido e precisar de ajuda para encontrar uma estrada.
Sofia, educada como sempre foi criada, tentou ajudar o homem desconhecido, indicando a direção da estrada principal. Foi quando Evandro a agarrou e colocou um pano com clorofórmio sobre seu rosto, fazendo-a desmaiar rapidamente. Ele carregou o corpo inconsciente da menina até seu Gol branco, que estava escondido atrás de uma mata próxima, colocou-a no porta-malas junto com sua boneca Isabela e dirigiu até uma casa abandonada que conhecia nas proximidades do lago da represa.
casa havia pertencido a um trabalhador da construção da represa e estava vazia há anos, sendo o esconderijo perfeito onde ninguém o encontraria. Evandro manteve Sofia prisioneira naquela casa por três dias, alimentando-a esporadicamente e prometendo que logo a levaria de volta para casa. Durante o interrogatório, Evandro chorava compulsivamente ao descrever o terror nos olhos de Sofia durante o cativeiro.
A menina implorava constantemente para voltar para os pais, perguntava por ele havia feito aquilo e prometia não contar nada para ninguém se ele a libertasse. Ela era tão pequena, tão assustada”, confessou Evandro aos investigadores. Ficava abraçada com aquela boneca, conversando com ela como se a boneca fosse protegê-la de mim.
Eu não planejava machucá-la, juro que não. Só queria, só queria ter uma filha para mim, alguém que me fizesse companhia. A confissão revelou a mente perturbada de um homem solitário que havia construído uma fantasia delirante sobre ter uma família própria, usando Sofia como peça central desse delírio doentio. A tragédia final aconteceu na terceira noite, quando Sofia tentou fugir da casa abandonada enquanto Evandro dormia.
A menina conseguiu sair silenciosamente, mas se perdeu na escuridão da mata que circundava a propriedade. Quando Evandro acordou e percebeu que ela havia fugido, saiu desesperadamente à procura, encontrando Sofia várias horas depois, caminhando em direção ao lago, com frio e exausta, em pânico por ter sido descoberto e temendo que Sofia pudesse identificá-lo para a polícia, Evandro perdeu completamente o controle psicológico.
“Eu não conseguia pensar direito”, relatou aos investigadores. Sabia que se ela voltasse para casa, minha vida acabaria. No desespero, empurrei ela e ela bateu a cabeça numa pedra. Quando vi o sangue, entrei em choque. Ela parou de se mover e eu soube que havia feito algo terrível. Evandro enterrou o corpo de Sofia em uma área da mata próxima ao lago, marcando o local com pedras empilhadas para poder encontrá-lo novamente.
Durante anos, ele visitou secretamente o túmulo improvisado, levando flores silvestres e conversando com Sofia, como se ela pudesse ouvi-lo. A boneca Isabela foi enterrada junto com a menina, pois Evandro sentia que elas não deveriam ser separadas. A mochila, no entanto, foi mantida por ele como uma lembrança perturbadora do crime.
Eu olhava para aquela mochila todos os dias e me lembrava do que havia feito. Confessou. Era minha punição, meu tormento constante. Quando Roberto intensificou as buscas no lago em 2022 e Evandro percebeu que os mergulhadores estavam se aproximando da área onde Sofia estava enterrada, decidiu se desfazer da mochila, jogando-a na água, esperando que ela nunca fosse encontrada.
A localização exata do corpo de Sofia foi revelada por Evandro aos investigadores que organizaram uma operação de escavação no local indicado. Em uma manhã chuvosa de abril de 2023, quase 10 anos após o desaparecimento, os restos mortais de Sofia Mendonça foram finalmente encontrados. A boneca Isabela estava ao lado do corpo, deteriorada pelo tempo, mas ainda reconhecível.
Roberto e Carla estiveram presentes durante a escavação, e o momento em que os peritos confirmaram a identidade dos restos foi simultaneamente o mais doloroso e libertador de suas vidas. “Finalmente sabemos onde nossa menina está”, disse Carla através das lágrimas. Ela pode descansar em paz agora e nós podemos começar a aceitar que ela se foi.
O funeral de Sofia foi realizado uma semana depois na igreja de Candói com a presença de centenas de pessoas que acompanharam o caso ao longo dos anos. A pequena cidade parou completamente para prestar suas últimas homenagens à menina, que havia marcado para sempre a vida da comunidade. Evandro Costa foi condenado a 30 anos de prisão por sequestro seguido de morte.
sendo considerado pelo juiz um criminoso de alta periculosidade que representava risco permanente à sociedade. Roberto e Carla, finalmente tendo as respostas que procuraram por uma década, decidiram transformar parte da fazenda Santa Helena em uma fundação dedicada à prevenção de crimes contra crianças e apoio a famílias de pessoas desaparecidas.
Agora que chegamos ao final desta investigação que nos manteve unidos por todos esses minutos, quero que você reflita sobre algo importante. Quantas famílias pelo Brasil ainda vivem a mesma angústia que Roberto e Carla viveram por 10 longos anos? Se este caso te tocou, se você acredita que toda criança merece proteção e toda família merece respostas, inscreva-se no canal e ative o sininho para continuar investigando comigo os mistérios mais impactantes do nosso país.
Deixe nos comentários qual foi o momento mais chocante desta história para você e me conte, você conhece algum caso de pessoa desaparecida que merece nossa atenção? Sua sugestão pode ser a próxima investigação que iremos desvendar juntos, porque a verdade, por mais dolorosa que seja, sempre merece vir à luz. M.