“EU ME SINTO DEFINHANDO!”: O drama de Evaristo Costa aos 49 anos na UTI e a luta silenciosa contra a Doença de Crohn

“EU ME SINTO DEFINHANDO!”: O drama de Evaristo Costa aos 49 anos na UTI e a luta silenciosa contra a Doença de Crohn

Houve um tempo em que o Brasil inteiro reconhecia o meio-dia pelo calor humano e pela espontaneidade de um sorriso que não parecia pertencer ao protocolo engessado da televisão aberta. Não se tratava daquela expressão ensaiada, milimetricamente calculada por quem sabe que a luz vermelha da câmera está acesa no estúdio. Era outro tipo de presença: aquele riso involuntário que escapa antes que a razão consiga conter, que surge quando algo é genuinamente cômico no ar e desarma qualquer formalidade. Por treze anos ininterruptos, essa energia entrou diariamente nos lares brasileiros durante a exibição do Jornal Hoje, dividindo a bancada com Sandra Annenberg. O público, acostumado à companhia diária, incorporou aquela voz à sua rotina, como quem se habitua à claridade da manhã, sem notar a dependência até que ela subitamente desapareça.

Em julho de 2017, após quase duas décadas de dedicação à TV Globo, Evaristo Costa tomou uma decisão que pegou o país de surpresa: pediu demissão da maior emissora da América Latina, abriu mão de um contrato de prestígio, arrumou as malas e mudou-se com a família para o Reino Unido. Não houve brigas de bastidores vazadas para colunas de fofoca, comunicados amargos ou acusações mútuas na imprensa. Foi uma despedida serena e definitiva. O público brasileiro, acostumado a ver figuras célebres saírem de cena sob o ruído de escândalos, ficou sem compreender o peso daquele adeus silencioso. O que ninguém poderia prever na época era o desafio avassalador que se desenharia anos depois nos bastidores daquela nova vida no exterior.

Enquanto a audiência na internet continuava a rir de suas publicações bem-humoradas e a especular sobre possíveis retornos aos estúdios de televisão, Evaristo enfrentava uma batalha silenciosa contra o próprio organismo. Diagnosticado em 2021 com Doença de Crohn — uma enfermidade inflamatória crônica e sem cura —, o jornalista viveu momentos de dor extrema que culminaram em uma internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no início de 2024. A retirada abrupta de medicações pesadas provocou uma perda assustadora de 22 quilos em apenas três semanas. Aos 49 anos de idade, o homem cujo carisma marcou a comunicação nacional viveu a experiência crua de ver o próprio corpo definhar, revelando a fragilidade que se escondia por trás dos sorrisos virtuais.

A Construção da Vocação: Dos Estúdios Universitários à Consagração na Bancada

A relação de Evaristo de Oliveira Costa Merigo com o jornalismo começou muito antes de ele ter idade para ingressar em uma faculdade. Nascido em 30 de setembro de 1976, no município de São José dos Campos, no interior de São Paulo, o menino já demonstrava desde os primeiros anos escolares que sua vocação não admitia hesitações. Durante os seminários em sala de aula, quando todos os colegas se posicionavam de pé em frente à lousa, ele empurrava uma carteira para o centro da classe, sentava-se ereto e transformava o móvel escolar em uma bancada improvisada de telejornal. Em casa, costumava conduzir entrevistas com os próprios pais, simulando reportagens de campo e demonstrando domínio precoce do ritmo verbal.

Essa inclinação natural encontrou terreno fértil no ambiente profissional de sua família. Seus pais trabalhavam na Universidade do Vale do Paraíba (Univap), onde funcionava a estrutura técnica de um programa semanal veiculado pela Rede Vida. Foi ali que Evaristo teve os primeiros contatos práticos com câmeras profissionais, iluminação e cabines de edição. Não se tratava de privilégio financeiro, mas de acesso ao maquinário da comunicação. Aos treze anos, começou a atuar como operador de áudio em uma rádio comunitária local, aprendendo desde cedo a disciplina rigorosa da transmissão ao vivo, o peso do silêncio no ar e o rigor com que se deve tratar o microfone aberto.

Aos dezenove anos, enquanto cursava jornalismo na Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes, recebeu o convite para integrar a equipe da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo no Vale do Paraíba. Iniciou como estagiário na produção, assumiu reportagens de rua e, em pouco tempo, alcançou a apresentação de telejornais locais. A competência demonstrada regionalmente abriu as portas da matriz da TV Globo em São Paulo no ano de 1999. Ele passou pelo “Mais Você”, apresentou a previsão do tempo no rodízio do Jornal Nacional e integrou a escala dos telejornais locais como o SPTV.

Em 2 de fevereiro de 2004, com a saída do jornalista Carlos Nascimento da emissora, Evaristo Costa assumiu a titularidade do Jornal Hoje ao lado de Sandra Annenberg. A química entre os apresentadores redefiniu a linguagem do jornalismo vespertino: o rigor da notícia convivia com a simpatia e com comentários espontâneos que geraram empatia instantânea com o público. O apresentador tornou-se a figura com maior volume de correspondências recebidas na emissora, superando até mesmo galãs de telenovelas. O Brasil havia encontrado uma voz confiável e acolhedora no meio do dia.

A Renúncia aos Holofotes: A Mudança para Cambridge por Amor à Família

Quando o ciclo na televisão parecia consolidado e intocável, Evaristo decidiu interromper a trajetória que muitos consideravam o ápice de sua carreira. Em julho de 2017, após treze anos no comando do Jornal Hoje e diversas substituições no Jornal Nacional aos sábados, ele optou por não renovar o contrato com a emissora. Em uma gravação breve compartilhada nas redes sociais, agradeceu ao público e aos colegas de trabalho, explicando que necessitava de repouso e de tempo para se dedicar integralmente à família, lembrando os inúmeros feriados, finais de semana e noites de Natal que havia passado em plantões de redação.

Apenas quatro dias após o término do vínculo com a emissora, a família já estava instalada em Cambridge, na Inglaterra. Por trás da mudança continental, havia um projeto pessoal desenhado com carinho: sua esposa, a pedagoga Amália Stringini, havia sido aprovada em processos seletivos concorridos para cursar uma pós-graduação e especialização acadêmica na renomada Universidade de Cambridge. O jornalista compreendeu que chegara a hora de apoiar o desenvolvimento intelectual da companheira, permitindo que ela assumisse o protagonismo profissional enquanto ele cuidava da adaptação das filhas pequenas, Antonella e Francesca.

A rotina na cidade inglesa, conhecida mundialmente pelo silêncio de suas bibliotecas centenárias e pela circulação maciça de bicicletas, contrastava radicalmente com o frenesi dos estúdios paulistanos. O homem que não conseguia caminhar por uma padaria no Brasil sem ser cercado por admiradores aprendeu a circular no anonimato das ruas europeias. As redes sociais tornaram-se o seu canal direto com os brasileiros: com timing cômico e publicações descontraídas sobre o cotidiano no exterior, ele construiu uma audiência digital superior a sete milhões de seguidores no Instagram, atraindo contratos publicitários milionários com grandes marcas nacionais.

Por fora, a transição parecia perfeita: um profissional realizado que trocara o desgaste da rotina diária ao vivo pela serenidade britânica, sem perder a relevância ou o afeto do público. Contudo, enquanto as aparências exibiam estabilidade e prosperidade, o corpo físico acumulava um débito biológico silencioso que estava prestes a cobrar um preço doloroso.

O Choque do Diagnóstico: A Doença de Crohn e o Ataque Autoimune

No decorrer de 2021, sintomas gastrointestinais persistentes levaram o apresentador a buscar atendimento médico especializado na Inglaterra. Após exames laboratoriais, colonoscopias e ressonâncias magnéticas, os médicos confirmaram o diagnóstico: Doença de Crohn. Trata-se de uma enfermidade inflamatória crônica e incurável que afeta o trato gastrointestinal, caracterizada por uma desordem no sistema imunológico, que passa a reconhecer as células do próprio intestino como agentes invasores, desencadeando inflamações severas, úlceras e sangramentos internos.

A patologia manifesta-se em ciclos alternados de crise aguda e períodos de remissão temporária. No estágio inicial, os medicamentos imunossupressores e terapias convencionais conseguiram controlar a inflamação, permitindo que o jornalista mantivesse sua rotina de gravações comerciais e publicações na internet. Quem acompanhava suas postagens divertidas não percebia qualquer sinal de fraqueza física, já que o comunicador preservava o bom humor característico para não alarmar seus seguidores.

Entretanto, a evolução da Doença de Crohn pode ser traiçoeira e imprevisível. Em janeiro de 2024, a condição clínica agravou-se de forma crítica devido a complicações infecciosas secundárias, exigindo a internação emergencial de Evaristo Costa em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no sistema de saúde britânico. A internação em setor crítico com monitoramento cardiovascular contínuo e antibióticos intravenosos expôs a gravidade da inflamação sistêmica que comprometia seus órgãos internos.

Mesmo conseguindo estabilizar o quadro agudo de infecção para receber alta hospitalar semanas depois, a saída da UTI marcou o início da fase mais dramática e desgastante de sua reabilitação física e psicológica.

A Crise dos Corticoides e o Emagrecimento Extremo: “Me Sinto Definhando”

Em setembro de 2024, durante uma entrevista corajosa e detalhada concedida ao podcast “Pod Cringe”, Evaristo Costa quebrou o silêncio e relatou a brutalidade dos efeitos da doença em seu organismo. Durante o tratamento das crises inflamatórias, ele foi submetido a dosagens elevadas de corticoides, medicamentos com forte ação anti-inflamatória, mas que causam retenção severa de líquidos e inchaço corporal generalizado. Sob o efeito dessas substâncias, seu peso corporal atingiu a marca de 99 quilos.

Ao constatarem que os corticoides não estavam surtindo o efeito imunológico esperado e causavam sobrecarga metabólica perigosa, a equipe médica optou pela suspensão imediata do fármaco. A reação do organismo foi devastadora: em um intervalo de apenas três semanas, Evaristo perdeu impressionantes 22 quilos de massa corporal — uma média de mais de um quilo por dia. O intestino severamente inflamado e sem a absorção adequada de nutrientes expulsava tudo o que era ingerido, impedindo que o corpo retivesse calorias, vitaminas e sais minerais.

O relato do jornalista revelou a dimensão da dor diária:

  • “Eu me sinto definhando todos os dias. Essa é a palavra exata que eu uso para descrever o que sinto para os meus médicos: eu sinto meu corpo definhar”, declarou Evaristo.

  • “Nos períodos mais severos de crise, eu chegava a ir ao banheiro trinta, quarenta vezes por dia. É uma situação humilhante, que gera vergonha e constrangimento de falar abertamente”, desabafou o apresentador.

O homem que construíra uma imagem pública alicerçada no bem-estar e na leveza confessava a dor de se ver prisioneiro do próprio corpo. Ele explicou que comentários de internautas elogiando sua magreza com frases como “que barriga chapada” ou “ficou ótimo tão magro” doíam profundamente, pois aquele peso reduzido não era fruto de exercícios físicos ou dietas planejadas, mas sim de uma guerra biológica interna travada em um país estrangeiro, onde precisava explicar sua dor em inglês para médicos que nunca haviam visto sua trajetória na televisão.

A Trégua Frágil da Remissão e o Valor do Tempo Presente

Com o avanço do tratamento baseado em novos agentes biológicos e acompanhamento nutricional rigoroso, o organismo de Evaristo Costa alcançou o estágio médico classificado como remissão da Doença de Crohn. Na medicina, remissão não é sinônimo de cura definitiva; significa uma trégua temporária em que o sistema imunológico interrompe temporariamente o ataque às paredes intestinais, permitindo a recuperação da mucosa e a estabilização do peso.

Quem convive com enfermidades crônicas e autoimunes aprende a lidar com a incerteza do amanhã, compreendendo que a estabilidade de hoje pode ser alterada sem aviso prévio. Essa vivência profunda transformou a perspectiva do jornalista sobre a vida, o sucesso e a prioridade das relações humanas. Longe das exigências diárias do telejornalismo ao vivo e da busca por audiência, ele concentra seu tempo e energia na criação das filhas Antonella e Francesca, que crescem na tranquilidade de Cambridge, e no suporte aos projetos educacionais da esposa Amália.

A trajetória de Evaristo Costa demonstra que o verdadeiro valor de uma vida não reside nos aplausos de auditórios lotados ou nos títulos profissionais que o tempo apaga, mas na dignidade com que se enfrentam as tempestades mais íntimas e silenciosas. O menino que empurrava carteiras na escola para sonhar com a comunicação encontrou, na maturidade da dor e na serenidade do lar, a certeza de que a maior conquista humana é aprender a valorizar o presente com a honestidade de quem compreende a própria fragilidade.

Como você avalia a coragem de Evaristo Costa ao expor publicamente sua batalha contra a Doença de Crohn para conscientizar a sociedade?

Você acredita que a decisão de priorizar a saúde e a vida familiar acima da carreira na televisão aberta foi a escolha mais sábia tomada pelo comunicador?

Deixe sua mensagem de apoio e solidariedade a Evaristo Costa, compartilhe suas reflexões e participe deste debate nos comentários abaixo.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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