“EU ATIREI PORQUE ME DESAFIOU!”: A execução das primas de Cianorte, a traição entre comparsas e o fim de ‘Dog Dog’ no Paraná
“EU ATIREI PORQUE ME DESAFIOU!”: A execução das primas de Cianorte, a traição entre comparsas e o fim de ‘Dog Dog’ no Paraná

A revelação completa sobre a dinâmica de um dos crimes mais brutais e comentados do interior paranaense expôs as entranhas da covardia, do ego desmedido e da traição mútua no submundo do crime. O desaparecimento das jovens primas Letícia Garcia Mendes e Estela Dalva Melegar Almeida, ambas de 18 anos de idade, que permaneceu envolto em mistério durante quatro meses ininterruptos na região de Cianorte, não foi apenas fruto de uma emboscada fria. Tratou-se de uma sucessão de atos impulsivos e sanguinários protagonizados por Cleiton Antônio da Silva Cruz, conhecido pela alcunha de “Dog Dog”, cuja sede de poder e incapacidade de lidar com rejeições desencadearam um duplo assassinato seguido de uma violenta disputa interna com seu parceiro mais próximo.
Durante semanas, a investigação policial trabalhou com sigilo absoluto para reconstruir os passos daquela trágica madrugada de 21 de abril. A narrativa construída a partir de provas periciais, extração de dados telemáticos e o depoimento crucial de testemunhas-chave revelou que o assassino efetuou um disparo letal na cabeça de Letícia após ser desafiado dentro do próprio veículo e, logo em seguida, executou friamente a prima Estela para eliminar a única testemunha ocular da barbárie. O crime de queima de arquivo, executado sem hesitação, visava assegurar que nenhum vestígio do ato chegasse ao conhecimento das forças de segurança pública do Paraná.
No entanto, o colapso da fuga de Cleiton foi acelerado por sua própria paranoia e deslealdade. Sentindo o cerco policial se fechar e desesperado para afastar de si a responsabilidade do duplo homicídio, Dog Dog agrediu fisicamente seu comparsa de confiança, o indivíduo conhecido como “Magrão”, tentando coagi-lo a assumir a autoria dos assassinatos e estruturando um plano para forjar provas contra o cúmplice. A traição entre os criminosos gerou a ruptura definitiva da aliança: temendo ser eliminado como queima de arquivo, Magrão colaborou com as autoridades, guiou os agentes táticos até o paradeiro secreto do foragido em Mandaguari e indicou as coordenadas exatas da cova rasa onde as primas foram enterradas.
A elucidação dos fatos gerou imenso alívio na sociedade civil paranaense, que acompanhava com apreensão o desenrolar das buscas e temia que o mistério ficasse sem respostas definitivas. O desenlace das apurações comprovou que a crueldade do executor e as tentativas de transferir a culpa para comparsas foram insuficientes para barrar a investigação técnica e o trabalho pericial da Polícia Civil.
A Noite Fatal em Paranavaí: O Confronto no Interior da Caminhonete
Para desvendar a sequência de eventos que culminou na morte das jovens, os investigadores da Polícia Civil debruçaram-se sobre o itinerário percorrido na noite de 20 de abril. Cleiton, apresentando-se sob a falsa identidade de “Davi” e ostentando poder aquisitivo elevado com caminhonetes importadas e gastos vultosos, convidou as primas para uma casa noturna em Paranavaí. A convivência prévia com Letícia conferia ao suspeito uma falsa aura de confiabilidade, permitindo que as duas jovens embarcassem na viagem com a promessa de retorno seguro nas primeiras horas da manhã seguinte.
Dentro do estabelecimento comercial, contudo, a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas associada ao consumo de substâncias entorpecentes alterou o comportamento do foragido. Sentindo-se no direito de exigir favores íntimos em razão dos gastos efetuados na comanda, Cleiton começou a assediar as duas primas de forma ríspida e insistente. A reação firme e desdenhosa de Letícia, que recusou as investidas na presença de outros frequentadores, feriu profundamente o orgulho e o ego do criminoso, deflagrando uma discussão tensa no salão que forçou as jovens a deixarem a casa noturna por uma porta lateral de emergência.
Cleiton interceptou as duas jovens no exterior do imóvel com sua caminhonete escura, convencendo-as a embarcar sob o pretexto de levá-las de volta para casa sem novos atritos. Assim que o veículo ganhou a rodovia em direção a Cianorte, os insultos recomeçaram com maior intensidade. Descontrolado, o homem sacou sua arma de fogo e passou a apontá-la contra o rosto das passageiras no banco dianteiro, buscando impor medo e submissão pela força do cano do revólver.
Acostumada com a postura arrogante do agressor e convicta de que ele jamais teria a audácia de cometer um atentado contra quem conhecia há tempos, Letícia o enfrentou verbalmente, afirmando que duvidava de sua coragem para puxar o gatilho. A resposta do criminoso foi imediata e fatal: Cleiton efetuou um disparo certeiro contra o crânio da jovem, que faleceu instantaneamente no assento do passageiro. Em pânico absoluto, Estela tentou abrir a porta do veículo em movimento para escapar, mas foi alvejada em seguida por múltiplos disparos efetuados pelo assassino para garantir o silêncio da testemunha.
A frieza demonstrada no cometimento do duplo homicídio evidenciou a índole predatória do autor, que não hesitou em ceifar duas vidas humanas indefesas para resguardar sua liberdade e afirmar sua pretensa autoridade perante o grupo de jovens.
O Pacto Forçado de Silêncio e a Cova Rasa em Paraíso do Norte
Com os corpos das duas primas inertes dentro da cabine ensanguentada, o assassino percebeu a gravidade irreversível da situação em que havia se colocado. Foragido da Justiça e já procurado por outros delitos graves, Dog Dog deslocou-se imediatamente para a região de Umuarama para buscar o apoio logístico de seu parceiro de crimes, Magrão, alegando que precisava de ajuda urgente para resolver um problema que ameaçava a liberdade de ambos.
Sob forte estado de tensão e valendo-se de sua ascendência hierárquica na criminalidade, Cleiton coagiu o comparsa a acompanhá-lo até uma propriedade rural isolada no município de Paraíso do Norte. Equipados com ferramentas cavadoras, pás e enxadas, os dois homens abriram uma vala rasa em uma área de mata fechada e úmida, situada a cerca de vinte metros da margem de uma estrada de terra vicinal cercada por lavouras de milho recém-colhidas.
Os corpos das jovens foram depositados na cova e cobertos com terra fofa e galhos secos para disfarçar a depressão no solo. Na sequência, Cleiton dirigiu-se até um lavador de veículos na cidade de Rondon para eliminar vestígios de sangue e fluidos corporais da caminhonete, providenciando a troca compulsória das placas originais por matrizes adulteradas fornecidas por receptadores da região.
A aliança entre os comparsas, contudo, nasceu sob o signo da desconfiança mútua. Magrão passou a ser vigiado de perto por Cleiton, que temia que o parceiro fraquejasse perante a comoção pública gerada pelo desaparecimento das jovens de Cianorte e procurasse a polícia para negociar uma delação premiada.
“Eu atirei na cabeça porque ela me desafiou e matei a outra pra não deixar testemunha! A confissão estarrecedora que selou a traição e a caçada final no Paraná!”
O Erro Fatal: A Agressão ao Cúmplice e a Armação de Culpa
Conforme os meses avançavam e a Polícia Civil intensificava as diligências com bloqueios de contas bancárias, quebras de sigilo telemático e a prisão de colaboradores em São Paulo, o cerco em torno de Cleiton tornou-se sufocante. Sem dinheiro para manter sua rede de refúgios e forçado a cometer assaltos a fazendas para obter recursos em espécie, o criminoso passou a demonstrar sinais evidentes de desequilíbrio psicológico e paranoia persecutória.
Em um encontro clandestino para divisão de valores roubados de uma propriedade agrícola em São João do Ivaí, Cleiton cometeu o erro estratégico que decretou sua ruína: acusou Magrão de estar vazando informações para os investigadores, agrediu o parceiro com violência física e passou a ameaçar assassinar seus familiares caso o caso viesse a público. Mais do que isso: o foragido planejou forjar a apreensão de pertences das vítimas no endereço de Magrão para transferir ao comparsa a autoria intelectual e material do duplo homicídio.
A tentativa de incriminação e as agressões físicas romperam definitivamente a lealdade criminosa. Ao perceber que seria o próximo alvo de uma queima de arquivo executada por Dog Dog ou que seria entregue como bode expiatório para a polícia, Magrão decidiu antecipar-se. Em contato com os investigadores da Polícia Civil, o cúmplice revelou o esquema de armação forjada por Cleiton, admitiu sua participação exclusiva na ocultação dos cadáveres e aceitou guiar as equipes policiais diretamente ao esconderijo do foragido e ao ponto exato do sepultamento clandestino.
A colaboração do comparsa desarmou a manobra de fuga de Cleiton, transformando o refúgio seguro em uma ratoeira monitorada em tempo real pelas forças de segurança pública do Paraná.
A quebra de confiança entre os comparsas provou ser a peça que faltava para desatar o nó investigativo que durava meses, permitindo que a Polícia Civil organizasse a ofensiva tática final sem dar margem para novos deslocamentos do suspeito.
O Cerco em Mandaguari: O Salto no Telhado e a Tomada do Refém
De posse das coordenadas repassadas por Magrão e com o suporte de imagens de drones térmicos de alta definição, operadores do Grupo TIGRE e equipes da Polícia Civil deflagraram a operação de captura nas primeiras horas da manhã em Mandaguari. O alvo encontrava-se abrigado em uma residência de esquina protegida por muros altos e cerca elétrica no Jardim Morumbi.
Ao notar a movimentação das viaturas táticas e ouvir os comandos de rendição emitidos pelos policiais na calçada, Cleiton optou pelo confronto. Recusando-se a cumprir pena em regime fechado, o indivíduo arrombou as portas dos fundos, galgou o muro e empreendeu fuga desordenada sobre os telhados de cerâmica das residências contíguas, estilhaçando telhas e gerando pânico na vizinhança.
Em sua rota de escape, o criminoso quebrou a estrutura superior da casa vizinha e desabou sobre o interior da residência de um morador que tomava café na cozinha. Desprovido de armas de fogo no momento da queda, Cleiton apossou-se de um garfo metálico pontiagudo de churrasco sobre a bancada, rendeu o cidadão e o arrastou violentamente para o interior de um banheiro social, utilizando a vítima como escudo humano.
Mantendo o instrumento pontiagudo pressionado contra a jugular do refém, o homem gritava no corredor que mataria o morador caso os policiais dessem um único passo adiante. Os agentes táticos invadiram o imóvel com progressão técnica, isolaram o cômodo e verbalizaram reiteradas vezes para que o agressor largasse a arma branca e se entregasse voluntariamente.
A Neutralização no Banheiro e a Exumação dos Corpos
Diante do movimento iminente de perfuração contra o pescoço do refém e da impossibilidade de contenção por métodos não letais no espaço reduzido do cômodo, os operadores de elite dispararam um único tiro de precisão. O projétil neutralizou Cleiton instantaneamente sobre o piso do banheiro, cessando a ameaça sem causar ferimentos físicos ao cidadão resgatado.
No interior do imóvel ocupado pelo criminoso, os peritos apreenderam um verdadeiro arsenal de guerra, incluindo armas municiadas, centenas de cartuchos e emulsões explosivas pesadas do tipo utilizado em ataques bancários do novo cangaço, exigindo a intervenção imediata do Esquadrão Antibombas para a destruição segura dos artefatos.
Simultaneamente à neutralização do mentor em Mandaguari, viaturas policiais conduziram Magrão até a zona rural de Paraíso do Norte. No local exato indicado pelo cúmplice, equipes do Instituto Médico Legal (IML) e da Polícia Científica realizaram escavações e exumaram os restos mortais de Letícia Garcia Mendes e Estela Dalva Melegar Almeida, encerrando um dos períodos mais dolorosos e angustiantes da crônica policial do Paraná.
Os laudos periciais tanatológicos e balísticos comprovarão a trajetória dos disparos efetuados dentro do veículo, enquanto Magrão permanecerá preso preventivamente para responder perante o Tribunal do Júri pelos crimes de associação criminosa armada, roubo qualificado e ocultação de cadáver.
A localização precisa dos corpos após quatro meses de angústia atestou o acerto das medidas de inteligência e o rigor da perícia científica na coleta de elementos materiais indiscutíveis.
A Lição Contra o Crime e a Dignidade da Justiça
A resolução integral do caso das primas de Cianorte reafirma o compromisso inegociável da Polícia Civil do Paraná com a proteção da vida e o combate intransigente à impunidade. A queda de um criminoso violento que tentou enganar a Justiça, assassinar inocentes e incriminar parceiros demonstra que as engrenagens da lei superam a astúcia e a brutalidade do crime organizado.
A devolução dos corpos às famílias oferece aos pais e parentes o direito sagrado ao sepultamento digno e à vivência do luto após meses de desespero. A memória de Letícia e Estela permanecerá como um símbolo de resistência e um alerta contundente para a sociedade sobre a necessidade permanente de vigilância, rigor penal e justiça para com as vítimas de violência covarde.
A atuação integrada das forças policiais e dos órgãos de perícia garantiu que a verdade prevalecesse sobre a rede de mentiras erguida pelos criminosos, consolidando a resposta firme do Estado democrático de direito contra a delinquência armada.
Como você avalia o desfecho das investigações que desmascararam a traição entre os criminosos e levaram ao encontro dos corpos das primas?
Você acredita que a delação de comparsas deve ser rigorosamente apurada para garantir que nenhum envolvido escape do julgamento popular?
Deixe sua mensagem de respeito e solidariedade aos familiares de Letícia e Estela, compartilhe suas reflexões e participe deste debate nos comentários abaixo.