Em 2021, Esposa de Policial Some em Goiás — 4 Anos Depois, Crianças Acham Pista Inexplicável
3 de Março de 2006, 18: Trin Jataí, Goiás. A cidade de Jataí tinha aquele ritmo pausado de interior, onde todo o mundo conhece toda a gente. Nas ruas de Paralelepípedo do centro, as lojas fechavam cedo aos sábados e as famílias preparavam para domingo. Era nesse ambiente que Fernanda Lemos Duarte, de 34 anos, vivia há 10 anos desde que se casou com o sargento da Polícia Militar, Adriano Duarte.
Naquela tarde de março, o calor era ainda intenso, mesmo com o sol começando a inclinar-se. Fernanda estava na cozinha de sua casa, na rua das acácias, preparando o jantar enquanto conversava com a filha Júlia, de apenas 8 anos. A menina brincava com bonecas no chão da sala e o som da televisão misturava-se com o barulho dos carros que passavam na rua.
“Mãe, quando o papá vai chegar?”, perguntou a Júlia, sem tirar os olhos das bonecas. “Daqui a pouco, No Filha, só foi resolver umas coisas na esquadra. Fernanda secou as mãos no pano de cozinha e olhou pela janela. A vizinha, a dona Célia, estava regando as plantas do quintal, como fazia todas as tardes. Era uma rotina que se repetia há anos, mas algo naquele dia parecia diferente para Fernanda.
Ela estava irrequieta, mexendo constantemente no cabelo castanho e verificando o relógio na parede. Às 19:1 Keim, ela chamou a Júlia. Filha, vou rapidamente no mercado central comprar carne para o churrasco de amanhã. Fica aqui a ver o desenho, tá bom? O seu pai não demora a chegar. A Júlia acenou com a cabeça, absorta na programação infantil.
Fernanda pegou na bolsa castanha de couro sintético que sempre transportou, verificou se tinha dinheiro e chaves e saiu de casa. As suas sandálias faziam um ruído suave no chão de cimento da calçada. A Dona Célia viu-a passar e acenou. Fernanda respondeu com um sorriso, mas a vizinha diria mais tarde que havia algo de estranho naquele sorriso.
Parecia forçado. Ela contaria a quem quisesse ouvir. O mercado central ficava apenas a seis quarteirões de casa. A Fernanda conhecia bem o caminho. Descia a rua das acácias, dobrava à direita na Avenida Goiás e seguia em frente até à praça. Era um percurso que ela fazia pelo menos três vezes por semana, sempre a pé.
Nunca tinha acontecido nada de anormal, mas nesse sábado, Fernanda Lemos Duarte simplesmente não chegou ao destino e nunca mais voltou a casa. Quando Adriano chegou a casa às 20:30, Min, encontrou Júlia adormecida no sofá e nenhum sinal da esposa. A princípio, não se preocupou. Pensou que ela tinha encontrado alguma amiga e estivesse conversando.
Era comum isso acontecer em pequenas cidades. Às 226. No entanto, a preocupação começou a crescer. Adriano ligou para algumas conhecidas de Fernanda, mas ninguém a tinha visto. Foi então que decidiu procurar pessoalmente. Caminhou até ao mercado central, já fechado e questionou o senhor Manuel, o proprietário, que morava nos fundos do estabelecimento.
Ela não veio cá hoje, não, é sargento. Tenho a certeza. Sábado o movimento é fraco. Eu lembraria. Adriano voltou para casa com o coração apertado. A Júlia tinha acordado e perguntava pela mãe. Não sabia o que responder. Na manhã de domingo, depois de uma noite em claro, Adriano acionou os seus colegas da PM e deu início às primeiras buscas.
A notícia espalhou-se rapidamente pela cidade. Em Jataí, o desaparecimento da A mulher de um polícia não era algo que passasse despercebido. As primeiras 24 horas são cruciais em casos de desaparecimento, mas no caso de Fernanda, estas horas preciosas foram marcadas mais pela confusão do que pela pistas concretas.
A segunda-feira, 6 de março, amanheceu cinzento em Jataí. A cidade acordou com a notícia que já circulava de boca em boca desde a véspera. Fernanda Duarte tinha desaparecido. Na esquadra da cidade, o O delegado Dr. Hamilton Silva coordenava as primeiras investigações oficiais, enquanto dezenas de moradores se ofereciam como voluntários para as buscas.
Adriano Duarte não tinha dormido direito há três dias. Os seus olhos estavam vermelhos e inchados, e as mãos tremiam ligeiramente quando segurava o café que a secretária da esquadra lhe oferecia. Como polícia, conhecia os procedimentos, mas como marido desesperado, sentia-se completamente perdido. “Sargento, preciso que o Sr. conte-me tudo novamente.
Desde o começo”, disse o comissário Hamilton, sentando-se à frente de Adriano na sala pequena e abafada da esquadra. Eu já disse isso 10 vezes, doutor. Saí de casa às 18 horas para resolver uma pendência na esquadra. Quando regressei, às 20, ela não estava. A Júlia disse que a mãe tinha saído para comprar carne.
E vocês discutiram recentemente? Algum desentendimento? Adriano hesitou por um momento que não passou despercebido ao delegado. Olhe, doutor, o casamento é casamento, não é? A gente discutia às vezes sim, principalmente por causa das contas, mas nada que justificasse ela sair de casa assim. Enquanto isso, na rua das acácias, a dona Célia recebia a visita de vizinhas curiosas e jornalistas do jornal local.
Ela havia se tornado a principal testemunha, já que foi a última pessoa conhecida a ver Fernanda. Eu vi-a sair de casa umas 19, 15min. Estava com a mala mandando normal, mas havia qualquer coisa diferente nela contou a dona Célia para o pequeno grupo reunido na sua sala. Ela acenou para mim, mas o sorriso não chegou aos olhos.
Sabem como é? A informação mais intrigante, no entanto, veio de Joselito, um reformado que costumava sentar na praça junto ao mercado para jogar dominó com os amigos. Ele jurava ter visto a Fernanda a falar com um homem desconhecido junto a um carro vermelho por volta das 19:30m. Era um corça vermelho, tenho a certeza. O homem parecia jovem, usava boné.
Eles conversaram durante uns 5 minutos e depois ela entrou no carro, relatou Joselito para os polícias. Mas havia um problema. O Sr Manuel do mercado e outros Os comerciantes da região não se lembravam de ter visto a Fernanda àquela hora. Se ela ia ao mercado, por parou para conversar com um estranho e que era aquele homem? As buscas se intensificaram durante a semana.
Grupos de voluntários vasculharam terrenos baldios, ribeiros e estradas vicinais nos arredores de Jataí. Adriano participava em todas, mesmo quando os colegas da PM sugeriam que ficasse em casa a cuidar da filha. Júlia, por sua vez, estava a ser cuidada pela avó paterna, a dona Antónia, uma senhora de 65 anos, que tentava manter a normalidade na vida da neta.
Mas a menina fazia perguntas que partiam o coração. A avó, a a mamã foi embora como o Pedrinho da escola? A mãe dele foi-se embora e nunca voltou. Não, minha filha. A sua mãe só se perdeu logo logo ela volta. Conforme os dias passavam, novas versões sobre o desaparecimento começaram a surgir. Valdirene, uma antiga colega de trabalho da Fernanda, contou a algumas amigas que ela tinha mencionado problemas no casamento meses antes de desaparecer.
A A Fernanda disse que o Adriano estava mudado, mais nervoso e que tinham muitas dívidas. Ela chegou a comentar sobre conseguir um emprego em Goiânia para ajudar nas contas, revelou Valdirene. A informação chegou aos ouvidos dos investigadores que passaram a examinar a situação financeira do casal.
De facto, deviam três prestações do financiamento da casa e tinham o nome sujo na Serasa. Mas seria suficiente para fazer uma mãe abandonar a filha de 8 anos? Duas semanas após o desaparecimento, as buscas começaram a diminuir. A rotina da cidade voltou ao normal, mas o caso continuava em aberto. Adriano tinha tirado licença do trabalho e passava os dias a percorrer cidades vizinhas, mostrando fotos de Fernanda e perguntando se alguém a tinha visto.
Em uma dessas viagens, foi até Rio Verde, cidade a 50 km de Jataí, seguindo a pista de que uma mulher parecida com Fernanda tinha sido vista na estação rodoviária, mas era um engano. A mulher era uma comerciante local que apenas tinha cabelos similares. Seis meses depois, Adriano retomou o trabalho.
A Júlia voltou a frequentar a escola normalmente, mas havia mudado. Estava mais calada, menos brincalhona. Os professores notavam que ela desenhava sempre a mesma coisa, uma casa com três pessoas, pai, mãe e filha, mas apagava sempre a figura da mãe. A cidade, aos poucos, deixou de falar sobre Fernanda Lemos Duarte.
O caso tornou-se mais uma daquelas histórias que as pessoas comentam em sussuros, especulando teorias. Alguns acreditavam que ela tinha fugido com outro homem, outros que o próprio marido sabia mais do que contava. Havia ainda quem achasse que tinha sido vítima de algum crime, mas o corpo nunca fora encontrado. Dona A Célia continuava a contar para quem quisesse ouvir sobre o último sorriso de Fernanda.
E Joselito mantinha a sua versão sobre o homem da corça vermelha, mesmo nunca tendo conseguido anotar a matrícula do veículo. Os anos passaram. Adriano nunca voltou a casar. A Júlia cresceu carregando a ausência da mãe como um peso silencioso e o nome de Fernanda se tornou um tabu na rua das acácias. Até que 4 anos depois, em 2010, um grupo de crianças fez uma descoberta que trouxe de volta todas as questões que a cidade tinha escolhido esquecer.

15 de agosto de 2010, terreno baldio junto à antiga estrada da quinta de Santa Rita. O terreno abandonado ficava a cerca de 2 km do centro de Jataí, numa área que as As crianças da cidade haviam transformado num parque infantil improvisado durante as férias de inverno. Era um local esquecido, coberto de mato alto e algumas árvores de pequeno porte, onde antigamente funcionara um posto de gasolina que fechou na década de 1990.
Pedro Henrique, de 11 anos, Mateus de 9 e Amanda de 10, eram primos que viviam na mesma rua e passavam as tardes explorando os arredores da cidade. Naquela sexta-feira tinham decidido construir uma cabana secreta, usando galhos secos e lona velha que encontraram jogada no terreno. “Vamos cavar aqui para fazer o chão mais firme”, sugeriu Pedro Henrique, apontando para uma área menos irregular embaixo de uma árvore de pequi.
As crianças começaram a escavar usando pedaços de madeira como paz improvisadas. A terra estava mais fofa do que esperavam, provavelmente devido às chuvas do mês anterior. Depois de alguns minutos, Mateus sentiu sua pá bater em algo sólido. “Tem alguma coisa aqui embaixo!”, gritou ele animado. Os três se ajoelharam e começaram a cavar com as mãos.
Aos poucos, uma caixa metálica de cor azul escuro começou a aparecer. Era uma caixa de ferramentas comum dessas que mecânicos usam, mas estava coberta de ferrugem e terra. Será que tem tesouro? Perguntou Amanda, com os olhos brilhando. Só tem um jeito de saber, respondeu Pedro Henrique. A caixa não estava trancada, mas a ferrugem havia grudado a tampa.
Com algum esforço, conseguiram abri-la. O que encontraram dentro não era exatamente um tesouro, mas era igualmente intrigante. Havia fotografias antigas, algumas já amareladas pela umidade. A maioria mostrava uma mulher morena de cabelos médios, sempre sorrindo, em companhia de pessoas que as crianças não reconheciam.
Em algumas fotos, ela aparecia em lugares que não pareciam ser de jataí. Havia praias, prédios altos e carros diferentes dos que eles estavam acostumados a ver na cidade. Também havia bilhetes escritos à mão em papel de carta cor-de-osa. A letra era caprichada, feminina. Os bilhetes continors. Não falte. Adriano não pode saber.
Pelo menos não ainda. E havia uma chave pequena e dourada, sem nenhuma identificação, que não parecia ser de porta ou carro. Parecia mais com chave de cadeado ou cofre pequeno. As crianças ficaram em silêncio por alguns minutos, tentando entender o que haviam encontrado. “Gente, essa mulher das fotos não é a Fernanda? A mulher que sumiu há uns anos?”, perguntou Amanda, que tinha uma boa memória para rostos.
Pedro Henrique olhou mais atentamente para as fotografias. Ele se lembrava vagamente da história, pois seus pais haviam comentado sobre o caso na época. Acho que é sim. Minha mãe sempre fala dela quando passa na frente da casa do sargento Adriano. Mas por que as coisas dela estão enterradas aqui? Questionou Mateus, o mais novo dos três.
Era uma pergunta que nenhum deles sabia responder. Depois de muito debater, decidiram levar a caixa para casa. Pedro Henrique sugeriu que mostrassem primeiro para sua mãe Rosângela, que trabalhava na prefeitura e conhecia muita gente na cidade. Quando chegaram à casa de Rosângela, ela estava preparando o lanche da tarde.
Ao ver os três com as roupas sujas e a caixa enferrujada, já imaginava alguma travessura. “O que vocês aprontaram agora?”, perguntou sem tirar os olhos da panela no fogão. “Mãe, a gente achou isso enterrado no terreno baldio. Olha as fotos”, disse Pedro Henrique colocando a caixa sobre a mesa da cozinha.
Rosângela se virou e quando viu as fotografias, seu rosto mudou completamente. Ela pegou uma das fotos com as mãos trêmulas e aproximou dos olhos, como se não acreditasse no que estava vendo. “Meu Deus do céu, é a Fernanda Duarte. Tenho certeza absoluta”, sussurrou ela. “Quem, mãe?”, perguntou Pedro Henrique. “A mulher do sargento Adriano que desapareceu há 4 anos.
Vocês não lembram? A cidade inteira procurou por ela.” Rosângela pegou um dos bilhetes e leu em silêncio. Seu rosto ficou cada vez mais sério. “Crianças, vocês não podem falar sobre isso com ninguém ainda. Está bem? Isso aqui é muito sério. Vou ligar para o delegado Dr. Hamilton.” Mas mãe, o que significa?”, insistiu Amanda. “Não sei no filha, mas pode ser a resposta para um mistério que esta cidade carrega há 4 anos.
Naquela mesma noite, a caixa enferrujada estava sobre a mesa do delegado Dr. Hamilton Silva. Ele havia chamado Adriano Duarte para comparecer à delegacia, sem explicar o motivo por telefone. Quando Adriano viu as fotografias, suas pernas fraquejaram. Ele se apoiou na cadeira e ficou em silêncio por vários minutos, apenas olhando para as imagens da esposa que não via há 4 anos.
“Onde vocês encontraram isso?”, perguntou ele com a voz embargada. Umas crianças acharam enterrado num terreno baldio. “Sargento, o senhor reconhece essas pessoas das fotos e esses bilhetes?” O delegado pausou, observando a reação de Adriano. Eu eu nunca vi essas pessoas e esses bilhetes não entendo. A Fernanda nunca me falou sobre encontrar ninguém, nunca mencionou esses lugares das fotos.
Adriano pegou a chave dourada e a examinou cuidadosamente. Essa chave também não sei o que é. Não é de casa, nem do carro dela. O delegado Hamilton anotava tudo no seu caderno. Passados 4 anos, o caso Fernanda Duarte voltara à vida, mas agora com mais mistérios do que respostas. Sargento, vou precisar de reabrir o caso oficialmente.
Essas evidências levantam muitas questões novas. O senhor está preparado para isso? Adriano sentiu-a com a cabeça, mas por dentro sabia que a sua vida e a da sua filha Júlia, agora com 12 anos, seriam reviradas mais uma vez. A caixa enferrujada tinha guardado segredos há 4 anos, mas agora estes segredos exigiam respostas. Agosto de 2010, três semanas após a descoberta, o reabertura do caso Fernanda Duarte movimentou Jataí de uma forma que a cidade não via há anos.
A descoberta da caixa tinha vazado para a imprensa regional e os jornalistas de Goiânia vinham fazer constantemente reportagens sobre os novos mistérios do desaparecimento. O Dr. Hamilton Silva decidiu conduzir a investigação de forma mais sistemática. Desta vez, a primeira medida foi enviar as fotografias para análise técnica em Goiânia para tentar identificar os locais e as pessoas que apareciam com Fernanda.
O resultado chegou uma semana depois e trouxe informações surpreendentes. Três das fotografias haviam sido tiradas em Brasília, duas na esada dos ministérios e uma no lago Paranoá. As outras eram de locais não identificados, mas que certamente não ficavam em jataí ou região. Mais intrigante ainda. A análise de uma das fotos revelou que ela tinha sido tirada no carnaval de 2006, apenas alguns dias antes do desaparecimento do Fernanda.
Na imagem, aparecia abraçada a um jovem de aproximadamente 30 anos em frente ao Congresso Nacional. O delegado chamou Adriano novamente para uma conversa. Sargento, a sua esposa viajou para Brasília em Fevereiro de 2006, poucos dias antes de desaparecer, Adriano ficou visivelmente desconcertado. Não quer dizer, ela disse que ia visitar uma prima em Anápolis, no carnaval, ficou fora três dias, mas Brasília nunca mencionou.
E este homem das fotos, o senhor conhece-o? Nunca vi na vida. O Dr. Hamilton mostrou os bilhetes encontrados na caixa. Um deles chamava a particular atenção. Não aguento mais fingir. Adriano está desconfiado de alguma coisa. Se ele descobrir sobre nós, vai ser o fim de tudo. Preciso de decidir logo se vou ter coragem para recomeçar.
Sargento, a sua esposa deu sinais de que suspeitava que o senhor soubesse de algo. A pergunta apanhou Adriano desprevenido. Ele ficou em silêncio durante quase um minuto, olhando para as próprias mãos. Olhe, doutor. Nos últimos meses antes de ela desaparecer, a Fernanda estava estranha, mesmo nervosa.
Às vezes eu chegava a casa e ela desligava o telefone demasiado rápido. Disse que eram amigas, mas ele fez uma pausa, respirou fundo. Eu cheguei a pensar que podia ter outro homem, sim, mas nunca disse nada porque não tinha a certeza. Foi então que o Dr. Hamilton teve uma ideia. Ele pediu para que Joselito, a testemunha que tinha visto Fernanda a falar com um homem de boné junto ao carro vermelho, comparecesse na esquadra para olhar as fotografias.
Joselito, agora com 72 anos, chegou à esquadra acompanhado de sua filha. Quando viu as fotos de Fernanda com o homem desconhecido, os seus olhos se arregalaram. “É ele! É o homem que estava com ela nesse dia”, exclamou, apontando para uma das fotografias. “Tem a certeza, o seu Joselito?”, perguntou o delegado. “Absoluta.
Pode ser que eu seja velho, mas a minha vista continua boa. É esse homem aí. Só que no dia estava de boné e óculos escuros. A investigação ganhou novo rumo. O Dr. Hamilton enviou as fotografias para a Polícia Civil do Distrito Federal, solicitando ajuda para identificar o homem misterioso. A resposta chegou duas semanas depois, de uma forma que ninguém esperava.
Cabo Marcelo Ribeiro, da PM de Brasília, ligou diretamente para a esquadra de Jataí. Dr. Hamilton, aqui é o cabo Marcelo de Brasília. Recebi as fotos que vocês mandaram. Eu conheço o homem que aparece com esta mulher. Pode dar-nos o nome dele? Diego Henrique Santos, de 31 anos. Foi preso aqui em 2008 por burla e falsificação de documentos.
Aplicava golpes a mulheres casadas. Prometia uma vida nova, pedia dinheiro emprestado e depois desaparecia. O coração do Dr. Hamilton acelerou. E vocês sabem onde ele está agora? está na penitenciária de Aparecida de Goiânia, condenado a 6 de anos. Mas, doutor, há mais uma coisa. Quando foi preso, encontrámos uma agenda com nomes e telefones de várias mulheres.
Uma delas era Fernanda Duarte de Jataí. Três dias depois, o Dr. Hamilton encontrava-se na penitenciária de Aparecida de Goiânia, frente a frente com Diego Henrique Santos. Era um homem de estatura média, cabelo escuro e olhar evasivo. Quando viu as fotografias, não tentou negar. “É, eu conhecia a Fernanda”, admitiu com uma tranquilidade perturbadora.
“Como é que vocês se conheceram? Internet, chat do wall”. Ela usava o nome Nanda 25. Dizia que estava infeliz no casamento, que queria mudar de vida. E vocês encontraram-se pessoalmente algumas vezes. A primeira foi em Brasília, no carnaval de 2006. Disse ao marido que ia visitar uma prima. O Dr. Hamilton sentiu que estava chegando perto da verdade.
E no dia 3 de Março de 2006, dia em que ela desapareceu, Diego ficou em silêncio durante alguns minutos. Quando voltou a falar, a sua voz estava mais baixa. Ela ligou-me nesse dia, disse que tinha decidido, que ia embora comigo. Marcamos de nos encontrar na praça perto do mercado, às 19:30min.
E ela apareceu, apareceu, entrou no meu carro, disse que tinha deixado uma carta de despedida em casa, mas que ficou com medo e não deixou. Para onde foram? Para Goiânia primeiro. A ideia era ir a São Paulo, depois recomeçar aí. Eu tinha prometido que lhe arranjaria um emprego. E o que aconteceu? Diego desviou o olhar pela primeira vez na conversa.
No caminho, começou a falar da filha, que se tinha arrependido, que não conseguia abandonar a menina. Começou a chorar, a pedir para voltar. E vocês voltaram? Não, eu fiquei irritado. Tinha gasto dinheiro, tempo, planeado tudo e ela a querer desistir por causa de criança. O Dr. H. sentiu um frio na barriga.
O que é que o senhor fez, Diego? Parei o carro numa estrada de terra batida perto de Rio Verde. Ela desceu e disse que ia pedir boleia para voltar. Eu fui embora e deixei-a lá. A que horas isso aconteceu? Umas 20 e dois 22 e Trindmin. E depois depois nunca mais a vi. Pensei que tivesse voltado para casa. O Dr.
Hamilton sabia que Fernanda nunca tinha voltado para casa, mas agora tinha uma nova pista, a estrada de terra batida entre Jataí e Rio Verde, por volta das 2130 do dia 3 de Março de 2006. Diego, por que vocês enterraram estas coisas dela no terreno baldio pela primeira vez? O Diego pareceu genuinamente surpreendido. Que coisas, que terreno? Eu não enterrei nada.
A expressão no seu rosto parecia sincera. O Doutor Hamilton mostrou as fotos da caixa e dos objetos encontrados. Juro que não sei nada sobre isso. A sua mala ficou no carro, mas deitei fora depois, num lixão na saída de Goiânia. A investigação tinha respondeu parte do mistério, mas criou outro ainda maior. Se o Diego não havia enterrado os objectos de Fernanda, quem tinha feito isso? E mais importante, o que realmente tinha acontecido com Fernanda naquela estrada escura entre Rio Verde e Jataí.
A resposta a esta pergunta viria de forma inesperada, algumas semanas depois, quando a chave dourada encontrada na caixa finalmente revelaria o seu propósito. Mas esta é uma descoberta que mudaria para sempre a forma como Jataí via o caso Fernanda Duarte. Uma descoberta que provaria que por vezes a verdade é mais complexa do que qualquer teoria que possamos imaginar.
O caso de Fernanda Lemos Duarte mantém-se oficialmente em aberto até hoje. Diego Henrique Santos cumpre pena por outros crimes, mas nunca foi formalmente acusado pelo desaparecimento. A chave dourada encontrada pelas crianças nunca teve a sua função descoberta. E em Jataí, quando as pessoas passam pelo terreno baldio onde a caixa foi encontrada, ainda se perguntam: “Quantos mais segredos estão enterrados por ali, à espera que alguém os desenterrar por acaso? M.