“ELE ACHOU QUE PODIA ME CONTROLAR!”: A trágica escolha de Paola Corrêa, as regras sufocantes do crime e a execução brutal em pleno Dia das Mães
“ELE ACHOU QUE PODIA ME CONTROLAR!”: A trágica escolha de Paola Corrêa, as regras sufocantes do crime e a execução brutal em pleno Dia das Mães

A ilusão de proteção e o fascínio exercido pela rotina de lideranças do crime organizado cobram, invariavelmente, um preço alto, violento e irreversível. No Rio Grande do Sul, a história da jovem Paola Avaly Corrêa transformou-se em um dos capítulos mais sombrios e dolorosos sobre a violência de gênero no universo do narcotráfico. Aos 18 anos, ela descobriu da forma mais cruel que entrar no mundo das facções é uma decisão perigosa, mas tentar sair dele e reivindicar a própria liberdade pode ser uma sentença de morte.
Buscando romper com uma rotina sufocante de controle, abusos físicos e regras impostas por um companheiro que gerenciava o tráfico de dentro da cadeia, Paola tomou a decisão de colocar um ponto final no relacionamento.
No entanto, dentro da lógica machista e violenta das organizações criminosas, a escolha de uma mulher em dizer “não” é interpretada como uma afronta pública e uma ameaça à autoridade do líder.
O desfecho dessa tentativa de emancipação ocorreu de maneira brutal em pleno Dia das Mães. Sequestrada e levada para uma área de mata isolada, a jovem viveu horas de tortura psicológica antes de ter sua vida ceifada por disparos à queima-roupa gravados em vídeo pelos próprios executores.
A Armadilha do Relacionamento e as Regras do Crime
A vida de Paola Corrêa mudou radicalmente após conhecer o homem conhecido no submundo pelo apelido de “Satanás”. Mesmo cumprindo pena no Presídio Central de Porto Alegre, o indivíduo mantinha o comando de uma célula criminosa no bairro Bom Jesus, exercendo forte influência sobre a comunidade local e sobre as pessoas do seu convívio íntimo.
Encantada pela rotina do parceiro, a jovem abandonou os estudos no ensino médio e o emprego formal em um supermercado no bairro Menino Deus para viver sob a sombra da facção.
Porém, o cotidiano do casal rapidamente se transformou em uma prisão sem grades.
A jovem era submetida a um regime rigoroso de controle, no qual sua rotina diária, suas amizades e até suas interações virtuais eram inspecionadas com desconfiança e agressividade.
Linha do Tempo da Tragédia de Paola Corrêa:
• A Relação Sufocante: Envolvimento com o traficante e submissão às regras do bando.
• O Rompimento: Decisão de terminar o namoro e expor a libertação nas redes sociais.
• O Sequestro no Dia das Mães: Captura no Jardim Carvalho e transporte até a área isolada.
• Duas Horas de Terror: Coação psicológica enquanto os criminosos escavavam a cova rasa.
• A Execução Registrada: Tiros à queima-roupa gravados em vídeo para prova no presídio.
As agressões físicas tornaram-se frequentes durante as visitas íntimas na cadeia, deixando marcas visíveis que acenderam o alerta entre familiares da jovem.
A Afronta Pública e a Ordem de Execução
Cansada do ciclo diário de violência e humilhações, Paola aproveitou o fim de uma visita no estabelecimento prisional para declarar o término definitivo do namoro. Disposta a demonstrar que não aceitaria mais o controle do ex-companheiro, a jovem utilizou suas redes sociais para reafirmar sua independência e ironizar a postura possessiva do traficante perante seus comparsas.
Para o chefe do bando, ver sua ex-namorada expor o fim do relacionamento publicamente representou um golpe insustentável para a sua reputação frente à facção.
A reação foi imediata e implacável: de dentro da cela, o criminoso emitiu a ordem para que seus gerentes na rua organizassem o sequestro e o assassinato de Paola.
“Ela achou que podia me controlar e rir da minha cara? Nenhuma mulher faz isso com a facção e fica impune! Busquem a garota e façam dela um exemplo para todo mundo ver o que acontece com quem desrespeita o comando!”
A partir daquele momento, uma teia de comparsas foi mobilizada em Porto Alegre para rastrear cada passo da jovem e atraí-la para uma emboscada mortal.
O Sequestro no Dia das Mães e a Espera Diante da Cova Rasa
Na manhã de domingo, 13 de maio de 2018 — data em que se celebrava o Dia das Mães —, Paola foi abordada na localidade de Cefer, no bairro Jardim Carvalho. Transportada contra a vontade em um automóvel, a jovem foi levada até um ponto de apoio na Vila Tamanca, no bairro Agronomia, onde passou horas mantida sob custódia armada.
Em seguida, os criminosos a conduziram para uma área de vegetação densa e terreno acidentado na zona leste da capital gaúcha.
No local, amarrada pelas mãos e pelos pés, Paola foi forçada a sentar-se na terra úmida e assistir por cerca de duas horas à escavação contínua do buraco que serviria de sepultura para o seu próprio corpo.
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Durante esse intervalo de terror ininterrupto, a jovem vivenciou uma sessão de tortura psicológica extrema, sabendo que cada pá de terra retirada do chão aproximava sua vida do fim definitivo.
O Registro em Vídeo e os Disparos à Queima-Roupa
Com a cova rasa concluída, os executores ordenaram que Paola se deitasse de costas dentro do buraco sob a promessa de que aquilo serviria apenas para assustá-la. Contudo, o plano traçado pelo mandante exigia a confirmação do homicídio por meio de provas visuais irrefutáveis.
Uma das integrantes do grupo posicionou-se na borda da vala segurando o telefone celular da própria vítima para gravar cada detalhe do ato final.
Enquanto a câmera registrava a jovem indefesa no fundo da cova, outro criminoso aproximou-se e efetuou dois disparos de arma de fogo à queima-roupa contra o rosto de Paola.
A jovem sofreu lesões cranianas gravíssimas e morreu de forma instantânea. Logo após o crime, o corpo foi coberto com vegetação e terra, enquanto o vídeo da execução era enviado para os telefones das lideranças presas como prestação de contas do serviço prestado.
Investigação Pericial e Julgamento dos Envolvidos
O desaparecimento de Paola Corrêa mobilizou a Delegacia de Homicídios de Porto Alegre, que iniciou buscas na região leste após o vazamento do vídeo nas redes sociais. Quatro dias após a execução, em 17 de maio, as equipes policiais localizaram os restos mortais da jovem na cova rasa na Vila Tamanca.
O trabalho pericial do Instituto-Geral de Perícias (IGP) e o cruzamento de dados telefônicos permitiram identificar toda a cadeia de executores e mandantes do crime.
Levados ao Tribunal do Júri, todos os envolvidos no homicídio qualificado e na ocultação de cadáver foram condenados a penas severas.
O mandante que deu a ordem do presídio recebeu 36 anos de reclusão em regime fechado, enquanto os homens que efetuaram os tiros, cavaram a cova e filmaram o ato somaram penas que ultrapassam 90 anos de prisão.
A trágica trajetória de Paola Corrêa permanece como um forte alerta sobre os perigos mortais da submissão a organizações criminosas e sobre a urgência do combate contínuo à violência contra a mulher no país.
Diante da extrema crueldade do caso de Paola Corrêa, forçada a assistir à escavação de sua cova e executada por tentar encerrar um relacionamento abusivo com um chefe de facção, como você analisa o papel da violência de gênero dentro do crime organizado?
You acredita que a divulgação dos vídeos de execuções gravados por criminosos exige respostas penais cada vez mais severas da Justiça para coibir a propaganda do terror pelas facções?
Convidamos todos os leitores a participarem ativamente dessa reflexão sobre segurança pública, direitos das mulheres e combate às facções, deixando suas opiniões e análises na seção de comentários abaixo.