O HORROR NO 1º ANDAR: Mãe narcisista asfixia os filhos, esconde os corpos por 14 dias e tenta transformar massacre em show de mentiras

Um apartamento fechado no primeiro andar de um edifício em Guarapuava, no Paraná. O aroma adocicado e enjoativo de incensos queimando dia e noite, misturado ao vapor constante de frascos inteiros de desodorante borrifados no ar gelado do inverno sulista. Para quem passava pelo corredor, parecia apenas uma rotina doméstica qualquer. Mas, por trás daquela porta trancada, o cenário desafiava a própria sanidade humana: dois irmãos, Alice, de apenas 10 anos, e Joaquim, de 2 anos, jaziam sem vida sobre a cama. Ao lado deles, dividindo o mesmo teto, navegando pelas redes sociais, saindo para passear agasalhada com elegância e dormindo tranquilamente ao lado dos cadáveres em putrefação, estava a própria mãe: Eliara Paz Nardes.
O crime, que estarreceu o Brasil e gravou seu nome na história forense como um dos atos mais perversos da crônica policial contemporânea, revelou a face nua e crua do narcisismo em sua vertente mais destrutiva. Longe de qualquer surto psicótico incontrolável, a mulher de 31 anos agiu com sangue-frio cirúrgico, premeditação macabra e uma vaidade inabalável, desenhando o assassinato das próprias crias como se fosse o desfecho conveniente para se livrar do fardo da maternidade e voltar a viver sem amarras.

A máscara da mãe perfeita

Para o círculo social que a cercava na cidade litorânea de Navegantes, em Santa Catarina, Eliara era o retrato do sucesso e da dedicação materna. Gaúcha de nascimento, ela circulava pelo setor bancário como correspondente de empréstimos consignados. Sempre impecável, maquiagem em dia, roupas alinhadas, unhas perfeitas e postura altiva.
Quem a via cuidando da filha Alice, então com 10 anos, e do pequeno Joaquim, de 2, enxergava uma verdadeira “supermãe”. Alice era descrita por professores e vizinhos como uma menina luminosa, extremamente educada, amorosa, comunicativa e empática — traços de uma infância que até então parecia preservada de violências visíveis. Joaquim, por sua vez, era um menino sorridente e indefeso.
Por trás dessa vitrine de normalidade, no entanto, fervilhava uma mulher consumida pelo egocentrismo, pela insatisfação crônica e pela obsessão de ser o centro das atenções. O pai de Alice já havia falecido anos antes. Já o pequeno Joaquim era fruto de uma relação extraconjugal. O homem, cuja identidade foi preservada, mantinha seu casamento e nunca assumiu Eliara romanticamente, embora tivesse registrado a criança e mantivesse o pagamento das pensões em dia para evitar complicações judiciais.
Contudo, para uma personalidade vaidosa e narcisista, a pensão na conta bancária não bastava. Eliara queria protagonismo. Conforme relatos, ela alimentava ressentimento ao acompanhar a rotina do ex-amante nas redes sociais — um homem que viajava, frequentava baladas, curtia noitadas e mantinha sua vida social intacta, enquanto ela se sentia sobrecarregada, exausta e presa às fraldas e à rotina dos filhos. A maternidade, antes usada como espelho para sua vaidade social, havia se transformado naquilo que ela considerava uma âncora intolerável.

A fuga calculada para a cidade estranha

 

Em abril de 2022, quatro meses antes da tragédia, Eliara tomou uma atitude que chamou a atenção de quem a conhecia: pediu demissão do banco, cortou a rede de apoio que mantinha em Santa Catarina — onde tinha babá e conexões — e arrumou as malas rumo a Guarapuava, no interior do Paraná.
Não havia parentes na nova cidade. Não havia amigos de longa data, proposta de trabalho irresistível ou qualquer vínculo afetivo. Eliara alugou um apartamento mobiliado, matriculou Alice em um colégio local e isolou a família do restante do mundo. Ali, a única pessoa com quem trocava palavras rotineiras era o porteiro do prédio, que rapidamente se afeiçoou à doçura das duas crianças.
Para a polícia civil e os investigadores do caso, a mudança nunca foi um mero acaso do destino. Guarapuava fora escolhida a dedo: um território neutro, onde ninguém conhecia seu passado, onde não havia familiares por perto para notar ausências repentinas e onde uma trama hedionda poderia ser executada longe de qualquer vigilância. A casa virou uma panela de pressão prestes a explodir.

O sábado fatídico: o sacrifício do inocente

 

O relógio do horror começou a correr no dia 13 de agosto de 2022, um sábado frio. A data não carregava um peso qualquer: era a véspera exata do Dia dos Pais. Na literatura psiquiátrica forense, datas comemorativas de forte apelo familiar funcionam frequentemente como catalisadores para crimes cometidos por mentes vingativas e perturbadas.
Naquela noite, Eliara preparou uma bebida para o pequeno Joaquim — supostamente um achocolatado —, na qual misturou uma dose pesada de medicamentos sedativos. O menino, grogue e indefeso, não teve forças para resistir quando a mãe se aproximou da cama. Sem qualquer hesitação, ela pressionou um travesseiro contra o rosto da criança de dois anos. Em poucos minutos, a respiração do garoto cessou. Joaquim estava morto.
Horas depois, câmeras de segurança do edifício registraram uma cena aterradora pela sua aparente normalidade: Eliara desceu pelo elevador acompanhada da filha mais velha, Alice, que vestia um macacão fofinho com orelhas de coelho. As duas desceram até a portaria, pegaram uma entrega de comida e subiram tranquilas. No quarto ao lado, o corpo do caçula já esfriava.

Quatro dias de mentiras e o segundo homicídio

 

Entre os dias 13 e 16 de agosto, estabeleceu-se um labirinto sombrio dentro daquele apartamento. Eliara trancou o quarto onde jazia o cadáver de Joaquim e manteve Alice presa na residência. A alegação dada à menina era de que o irmãozinho estava doente e precisava dormir profundamente para se recuperar. Com a rotina de refeições por delivery e as janelas cerradas contra o frio, os dias e as noites perderam a fronteira.
Em seus primeiros depoimentos após ser detida, Eliara tentou emplacar uma narrativa absurda e manipuladora: alegou que teve uma conversa de teor maduro com a filha de 10 anos, desabafando que “não aguentava mais cuidar de ninguém” e que estava exausta da vida. Segundo a versão fantasiosa da assassina, a menina teria concordado em “partir juntas” e até feito revelações convenientes para justificar a tragédia. A polícia e a perícia descartaram a história como uma tentativa grotesca de dividir a culpa com uma criança.
A realidade pericial, no entanto, foi implacável. Alice também foi dopada com sedativos, assim como o irmão. Entre a noite do dia 16 e a madrugada de 17 de agosto, enquanto a menina estava vulnerável e indefesa, Eliara utilizou um cachecol para asfixiá-la até a morte. A filha que todos descreviam como viva, falante e protetora teve sua voz silenciada pelas mãos de quem deveria protegê-la.

O banquete macabro: convivendo com os mortos

O que se seguiu a partir de 17 de agosto ultrapassa os limites da imaginação. Com os corpos dos dois filhos colocados sobre a cama de casal — Joaquim envolto em um cobertor virado de lado, e Alice deitada de barriga para cima —, Eliara permaneceu morando no apartamento.
Por quase duas semanas, a mulher viveu entre os cadáveres em decomposição acelerada. O clima frio do inverno paranaense ajudou a retardar a propagação dos odores, mas Eliara mantinha um ritual diário: acendia incensos por todos os cômodos e borrifava frascos inteiros de desodorante spray para mascarar o fedor cadavérico que começava a invadir o imóvel.
Enquanto as crianças apodreciam no quarto, Eliara navegava na internet, comia lanches trazidos por entregadores e saía do prédio. Em registros de câmeras de segurança dos dias 20 e 21 de agosto, ela foi flagrada descendo e subindo pelo elevador, arrumada, usando casaco e cachecol no pescoço, exibindo uma postura calma e descontraída, como se nada fora do comum estivesse acontecendo. As suspeitas de que ela pudesse ter aproveitado o período para frequentar a noite da região nunca foram totalmente descartadas pelas circunstâncias de seu comportamento desinibido.

O cerco se fecha e a farsa do teatro

A cortina de silêncio, porém, começou a ruir pela preocupação de quem sentia a falta das crianças:
  • O motorista da van escolar telefonou estranhando a ausência de Alice nas aulas. Eliara mentiu, afirmando que a menina estava de cama com uma gripe forte.
  • Os professores da escola desconfiaram das faltas consecutivas e também fizeram contato, recebendo evasivas como resposta.
  • O porteiro do edifício começou a indagar sobre o paradeiro das crianças, que haviam sumido das áreas comuns.
Sentindo o cerco apertar e ciente de que o cheiro da morte logo atrairia a polícia até a sua porta, no dia 27 de agosto — 14 dias após o assassinato de Joaquim —, Eliara telefonou para um advogado em Santa Catarina. De forma fria e desconcertante, ela confessou que as crianças estavam mortas no imóvel e que ela teria feito um corte superficial no próprio pescoço em uma suposta tentativa de tirar a própria vida.
O profissional acionou imediatamente a Polícia Militar e a Polícia Civil do Paraná. Ao arrombarem o apartamento, os policiais se depararam com uma cena dantesca: os corpos das crianças em adiantado estado de decomposição sobre o colchão e Eliara com curativos improvisados, tentando encenar um estado de transe ou surto que não convenceu os agentes da lei.

Do falso delírio à condenação histórica

Após a prisão em flagrante, Eliara passou a encenar um roteiro clássico de negação: alegava esquecimento, fingia confusão mental e chegou a perguntar à sua defesa técnica se os filhos estavam bem agasalhados na casa das tias, sustentando que eles estariam vivos.
A tentativa de se esquivar da responsabilidade penal desmoronou diante dos laudos da Polícia Científica e da perícia psiquiátrica. O exame de sanidade mental atestou de forma categórica que Eliara apresentava Transtorno de Personalidade Antissocial e fortes traços narcisistas, mas não possuía qualquer patologia que a tornasse inimputável. Ela não estava em surto; tinha total discernimento sobre o caráter ilícito de seus atos e plena capacidade de autodeterminação. Tratava-se de maldade calculada e ausência absoluta de empatia.
O desfecho judicial veio no Tribunal do Júri de Guarapuava. Em uma sessão marcada por forte comoção popular e revolta, Eliara Paz Nardes foi condenada a 64 anos e 9 meses de prisão em regime inicialmente fechado por duplo homicídio qualificado (por motivo fútil, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas), ocultação de cadáver e fraude processual.
A história de Eliara encerra-se atrás das grades de uma penitenciária de segurança máxima, onde a mulher vaidosa, que sonhava em se livrar dos filhos para curtir a vida sem entraves, terá décadas para encarar o vazio de suas escolhas. Resta a lembrança de Alice e Joaquim — duas vidas inocentes interrompidas no altar da vaidade, da frieza e da perversidade humana.
Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

Recommended for You

View Archive arrow_forward