Caso Berenice: corpo encontrado preso em árvore de penhasco de 30 metros em Angra dos Reis pode ser de cozinheira desaparecida
O mistério que paralisou o litoral norte de São Paulo e mobilizou forças policiais de dois estados chegou a um desfecho absolutamente estarrecedor e macabro. Depois de dezessete dias de pura angústia, buscas incessantes e uma teia complexa de mentiras desmoronadas, as autoridades localizaram o corpo de uma mulher em uma ribanceira profunda na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro.
O cenário da descoberta não poderia ser mais drástico: o Mirante da Serra das Águas, uma região sinuosa e de vegetação densa colada à Rodovia Rio-Santos, perto de Angra dos Reis. A principal suspeita, a empresária Eliane Alves dos Santos, já se encontra presa, mas a localização do cadáver joga luz sobre um nível de crueldade e planejamento que chocou até os investigadores mais experientes.

Tudo indica que o corpo pertence a Berenice Ramos de Aguiar Faria, a cozinheira de 60 anos que desapareceu misteriosamente após cobrar uma dívida trabalhista legítima de quatro mil reais de sua ex-patroa. O sumiço da trabalhadora, que era considerada um pilar de bondade por sua família, desencadeou uma das operações interestaduais mais complexas dos últimos tempos.
A revelação da localização do cadáver mobilizou equipes especializadas que precisaram desafiar a geografia hostil da serra para trazer uma resposta definitiva para os filhos da vítima, que já não aguentavam mais viver no limbo do desconhecimento.
A Operação do BAEP: Drones, binóculos e exaustão na mata fechada
A localização do corpo só foi possível graças à atuação estratégica e tática do Terceiro Batalhão de Ações Especiais de Polícia (3º BAEP), uma unidade de elite vinda de São José dos Campos, responsável por cobrir o Vale do Paraíba e o Litoral Norte de São Paulo. Sob o comando do Tenente Ramos, o Grupo de Pronta Resposta — fundado recentemente em 2024 para atuar especificamente em buscas complexas em áreas de mata, captura de indivíduos homiziados e resgates críticos — foi acionado após os sistemas de inteligência da Polícia Civil convergirem para a rota da Serra das Águas.
A operação de busca foi cirúrgica e extenuante. Menos de quinze homens, divididos em equipes táticas da Polícia Civil e do BAEP, espalharam-se pelo terrain íngreme do Mirante da Serra das Águas. Após receberem informações cruciais de que o veículo de Eliane havia trafegado por aquele trecho rodoviário na madrugada do crime, os policiais iniciaram uma varredura visual minuciosa utilizando binóculos de alta precisão a partir do topo do desfiladeiro.
Paralelamente, outra equipe desceu pela base da montanha, tentando cercar o quadrante delimitado pelos investigadores. O trabalho foi executado sob condições climáticas desfavoráveis, já que a região vinha sofrendo com dias seguidos de chuvas intensas, tornando o solo de terra extremamente liso, lamacento e perigoso.
O momento decisivo ocorreu quando um drone de alta tecnologia da Polícia Militar foi lançado sobre o precipício. O equipamento sobrevoou as copas das árvores e realizou uma aproximação lenta e detalhada da ribanceira. A cerca de trinta metros abaixo do nível da rodovia, a câmera do drone captou uma imagem devastadora: um corpo humano caído entre os arbustos densos.
O cadáver não despencou até o fundo do desfiladeiro porque ficou tragicamente preso nos galhos de uma árvore de grande porte no meio do penhasco. Se o corpo tivesse passado direto por aquela vegetação, sua localização teria sido praticamente impossível, dado o gigantismo e a profundidade daquele vale.
Detalhes macabros do drone: O vislumbre do pé e a saia verde entre os galhos
As imagens captadas pelo drone e transmitidas em primeira mão pelo jornalismo da Record TV revelaram detalhes que, embora borrados devido à extrema gravidade e violência visual, trazem fortes indícios de identificação. Entre os arbustos e ramos retorcidos, a câmera conseguiu registrar a coloração das vestimentas da pessoa caiu. Trata-se de uma silhueta feminina vestindo o que aparenta ser uma saia ou calça de cor verde, uma característica que coincide diretamente com os relatos da família sobre as roupas que Berenice usava no dia em que foi vista pela última vez.
A vegetação densa e os galhos caóticos impediram que o rosto ou o tronco da vítima fossem vistos com total clareza de cima. No entanto, os policiais do BAEP confirmaram que uma parte do pé da vítima estava perfeitamente visível e exposta, rompendo a cobertura das folhas. Essa pista visual foi o suficiente para que a equipe médica e os peritos criminais emitissem a constatação imediata de que se tratava de um cadáver humano recente, iniciando os protocolos legais para a retirada do corpo.
A exaustão estampada nos rostos dos policiais civis e militares ao subirem de volta para o acostamento da rodovia traduzia o esforço físico hercúleo exigido pelo terreno. Carregando cordas pesadas, equipamentos táticos de comunicação e ferramentas de corte, os homens caminharam por horas em uma ribanceira quase vertical.
O Tenente Ramos explicou que o acesso ao local exato onde o cadáver se encontra é tão complexo que nenhuma pessoa comum conseguiria chegar ali a pé a partir do topo da rodovia sem sofrer um acidente fatal. Qualquer tropeço ou deslize naquele paredão de pedra e lama significaria uma queda livre mortal.
“Ela não fez isso sozinha”: A certeza da polícia sobre a existência de comparsas
Com a localização do corpo no Mirante da Serra das Águas, a investigação policial entrou em uma nova fase, muito mais agressiva. A principal tese defendida tanto pelos investigadores de São Paulo quanto pelas forças de apoio de Angra dos Reis é a de que a empresária Eliane Alves dos Santos não agiu sozinha. A dinâmica do descarte do cadáver aponta, com margem zero de dúvida, para a participação ativa de terceiros no crime de homicídio e ocultação de cadáver.
Berenice era uma mulher de 60 anos, e carregar seu corpo inerte pelo acostamento de uma rodovia movimentada, arrastá-lo até a borda do mirante e arremessá-lo de forma deliberada no desfiladeiro exige uma força física e uma logística que Eliane, sozinha, dificilmente possuiria. O investigador Fábio, que participou ativamente da reconstituição visual no topo do penhasco, foi categórico ao afirmar para a reportagem que seria bastante complexo, pesado e praticamente impossível para a empresária executar toda aquela ação de ocultação sem a ajuda de comparsas robustos.
A polícia trabalha com a forte suspeita de uma rede de cumplicidade familiar e afetiva. Um dos nomes que já figuram nos relatórios confidenciais da Polícia Civil é o de Jean, sobrinho de Eliane. Uma denúncia anônima crucial recebida pelos canais jornalísticos apontou que Jean teria sido visto conduzindo a caminhonete preta da empresária logo após a agressão brutal que deixou Berenice desacordada em frente ao restaurante em Ubatuba.
A denúncia vai além e cita a presença de um misterioso carro vermelho, que foi flagrado por câmeras de segurança seguindo de perto a caminhonete da suspeita em uma estrada de terra isolada e sem movimento no bairro de Ubatumirim. De acordo com essa linha de investigação, conhecidos de Eliane que estavam a bordo desse automóvel vermelho teriam interceptado a caminhonete e feito a transferência do corpo de Berenice no meio do caminho, assumindo a missão de desovar o cadáver na divisa com o Rio de Janeiro, enquanto o sobrinho retornou com o utilitário para a casa da tia para tentar mascarar o sumiço.
A teia de mentiras e contradições trabalhistas que motivou a barbárie
Para compreender o tamanho da perversidade que culminou no corpo arremessado no penhasco de Angra dos Reis, é necessário destrinchar o histórico de conflitos trabalhistas que orbitavam o restaurante de Eliane Alves dos Santos. Berenice worked como cozinheira no estabelecimento por cerca de quatro meses. Cansada do trato rude e dos abusos psicológicos cometidos pela patroa — descrita de forma unânime por clientes e moradores como uma mulher explosiva, violenta e arrogante —, a idosa decidiu pedir demissão e exigir o pagamento correto de seus direitos trabalhistas e rescisórios.
O valor calculado da rescisão justa girava em torno de quatro mil reais. Eliane, no entanto, ostentando uma fama antiga na região de ser péssima pagadora e de aplicar calotes sistemáticos em prestadores de serviços e funcionários, recusou-se veementemente a pagar o valor correto. A empresária ofereceu a quantia humilhante de apenas 900 reais pelos dias trabalhados. Três dias após o desaparecimento, o filho mais velho de Berenice confrontou Eliane, gravando a conversa em áudio. Na gravação, a suspeita mentiu descaradamente, afirmando que havia fechado um acerto voluntário e entregue 2.600 reais em dinheiro vivo nas mãos da cozinheira, alegando ainda que a havia deixado em um trevo rodoviário sentido centro de Ubatuba.
A farsa desmoronou quando a Polícia Civil quebrou o sigilo das câmeras de trânsito e descobriu que, na verdade, a caminhonete preta de Eliane seguiu em alta velocidade em direção à rodovia que liga ao estado do Rio de Janeiro imediatamente após o sumiço da vítima, retornando para Ubatuba apenas por volta das dez horas da noite.
Para piorar a situação da suspeita, os investigadores descobriram que, no dia seguinte ao crime, Eliane viajou para Taubaté, no interior de São Paulo, onde escondeu o veículo em uma oficina de funilaria por dois dias. O mecânico responsável pelo conserto prestou um depoimento avassalador à polícia: ele afirmou que a caminhonete apresentava um buraco de bala perfeitamente compatível com um disparo de arma de fogo na porta. Ao ser questionada pelo profissional, Eliane tentou justificar o dano alegando que havia ocorrido um “tiro acidental” dentro do automóvel.
O pânico social e o perfil violento da “Pistoleira de Ubatumirim”
A recusa inicial dos moradores do bairro rural de Ubatumirim em conceder entrevistas ou falar abertamente com as equipes de reportagem expôs o clima de terror e intimidação imposto por Eliane e seus familiares na região. Dono de uma vasta quantidade de posses — que incluíam o restaurante, um mercado, uma loja de rações, pousadas e casas de aluguel —, o clã dos Santos utilizava o poder econômico e o medo para subjugar a vizinhança.
Eliane possuía registro oficial como Colecionadora, Atiradora Desportiva e Caçadora (CAC), o que lhe dava a posse legal de armas de fogo. Contudo, testemunhas relataram à polícia que a empresária extrapolava os limites da lei ao andar ostensivamente armada pelas ruas do bairro o tempo inteiro, utilizando os revólveres e pistolas para ameaçar e intimidar qualquer cidadão que ousasse cobrá-la ou contestar suas atitudes. Com fama de “pistoleira” e de comportamento extremamente explosivo, ela já havia destruído completamente um apartamento inteiro de seu ex-marido após o processo de separação e costumava colocar o dedo no rosto de homens de grande porte para demonstrar autoridade, vangloriando-se de ter “costas quentes” com as forças de segurança.
A Polícia Civil localizou outra ex-funcionária do mercado de Eliane que também precisou acionar a Justiça do Trabalho para receber seus direitos básicos após ser demitida quando estava no quarto mês de uma gestação de gêmeos. Ao descobrir o processo judicial, Eliane rastreou o endereço privado da ex-colaboradora através das redes sociais e enviou mensagens de texto em tom de pura ameaça e coação psicológica, afirmando que iria até a residência da mulher para uma “conversa séria” e disparando a frase macabra que hoje se transformou no retrato de sua própria ruína: “O mundo não gira, ele capota”.
O resgate complexo e as perícias definitivas com Luminol
O trabalho no Mirante da Serra das Águas está longe de ser finalizado. Devido à verticalidade extrema do penhasco de trinta metros e aos riscos reais de desabamento de terra causados pelas chuvas recentes, a retirada do corpo exigirá uma operação de engenharia de resgate de alta complexidade. O Corpo de Bombeiros de Angra dos Reis foi acionado oficialmente para coordenar os trabalhos técnicos. A estratégia mais provável envolve a descida de homens especializados em técnicas de rapel industrial a partir do topo da pista, utilizando macas de ribanceira e sistemas de polias reforçadas para içar o cadáver até o nível do acostamento. As autoridades locais também avaliam a necessidade de acionar o suporte aéreo de um helicóptero caso as condições do paredão de rocha se tornem perigosas demais para os bombeiros.
Assim que o corpo for resgatado e içado, a equipe de peritos criminais do Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro realizará os exames de necropsia e identificação datiloscópica ou de DNA para emitir o laudo definitivo. A perícia tentará determinar com exatidão a causa da morte de Berenice — se ela faleceu em decorrência da agressão física violenta sofrida em frente ao restaurante, onde relatos anônimos apontam que ela apanhou até perder totalmente a consciência, ou se foi executada com um disparo de arma de fogo dentro do veículo, o que justificaria a marca de bala encontrada pelo funileiro na porta da caminhonete de Eliane.
A expectativa também gira em torno dos laudos periciais dos dois automóveis apreendidos pela polícia: a caminhonete preta da empresária e o carro de seu namorado, o bombeiro aposentado que abriu a porta para os policiais no dia da prisão enquanto Eliane tentava jogar seu telefone celular pela janela do banheiro. Os peritos utilizarão o teste do luminol em todo o estofamento e assoalho dos veículos. Essa tecnologia química reagirá imediatamente com o ferro do sangue, revelando traços invisíveis de violência mesmo que a suspeita tenha tentado limpar os carros detalhadamente em Taubaté. O cerco judicial fechou-se de forma definitiva, e a resposta que a sociedade e a família de Berenice tanto buscavam começa, finalmente, a emergir do fundo daquele penhasco.
Diante da chocante localização de um corpo no fundo de um penhasco de trinta metros na divisa interestadual, consolidando os piores temores do “Caso Berenice”, como os senhores analisam a eficácia do controle de armas para CACs no Brasil?
Os senhores acreditam que a facilidade de acesso a armamentos de grosso calibre por indivíduos de perfil sabidamente violento e explosivo potencializa a ocorrência de crimes passionais e execuções sumárias nas periferias e áreas rurais, ou consideram que a impunidade crônica e a conivência de comunidades intimidadas pela “lei do silêncio” são os verdadeiros fatores que permitem a empresários influentes acreditarem que podem cometer homicídios sem sofrer las devidas consequências penais?
Convidamos todos os nossos leitores, juristas, especialistas em segurança pública, peritos criminais e cidadãos que acompanham o desdobramento deste caso bárbaro a participarem ativamente deste debate, registrando sua opinião detalhada na seção de comentários localizada logo abaixo.