“Tu fazia o três papo reto, mano”: A surpreendente mudança de lado do ex-piloto de drone do TCP e a queda de uma lenda do crime carioca.

O cenário da segurança pública e do crime organizado no Rio de Janeiro é marcado por reviravoltas dignas de roteiros cinematográficos. Nos últimos dias, duas histórias abalaram as estruturas das principais facções criminosas do estado, gerando tensão, trocas de ameaças em redes sociais e um forte trabalho investigativo por parte da polícia. De um lado, a surpreendente traição de um estrategista de guerra conhecido como “Colete”, que abandonou sua facção de origem para se aliar ao maior grupo rival. Do outro, a prisão preventiva de “Nei Facão”, um dos membros fundadores do Terceiro Comando Puro (TCP), que mantinha uma imagem pública de ressocialização enquanto, segundo a polícia, continuava a comandar execuções e negócios ilícitos de dentro das comunidades. A seguir, detalhamos os bastidores e os impactos dessas movimentações no xadrez do crime carioca.

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A Traição de “Colete” e a Tensão nas Redes Sociais

A recente aparição de um criminoso conhecido pelo vulgo de “Colete” em uma transmissão ao vivo ao lado de soldados do Complexo da Serrinha acendeu um barril de pólvora no submundo do crime do Rio de Janeiro. Colete não era um soldado comum; ele era considerado um dos principais estrategistas de guerra e piloto de drones do Terceiro Comando Puro (TCP). Ele atuava na “Tropa do Corinthians”, um grupo que domina áreas expressivas na Baixada Fluminense, especialmente em Duque de Caxias, com ramificações que chegam a Belford Roxo. A sua função exigia conhecimento tático, mapeamento de territórios e uso de tecnologia avançada para monitorar inimigos e planejar ataques.

A traição ocorreu quando Colete decidiu pular o muro, abandonando o TCP para se integrar ao Comando Vermelho (CV), mais especificamente à chamada “Tropa do Urso”, baseada no Complexo da Penha. A mudança de lado de uma peça tão estratégica representou uma perda incomensurável de inteligência para o TCP e um ganho valioso para o CV. O estopim da provocação pública aconteceu durante uma live, onde Colete interagiu diretamente com seus antigos aliados e atuais rivais do TCP. O clima variou entre o escárnio e a ameaça velada.

Durante a transmissão, os antigos companheiros de Colete da Serrinha expressaram surpresa e indignação, relembrando o tempo em que ele fazia o símbolo da facção anterior. “Tu fazia o três papo reto, mano”, declarou um dos membros do TCP na live, referindo-se ao sinal com os dedos que simboliza o Terceiro Comando. O diálogo prosseguiu repleto de ironias, com traficantes desafiando Colete a invadir a área dominada pelo TCP. “Bota a cara, Colete. Tô na oito mesmo. É só tu jogar o bigode”, provocaram.

Colete, por sua vez, tentou demonstrar segurança em sua nova facção, insinuando que teria o apoio da comunidade local para transitar pelos morros. “Os morador tá comigo, os cria tá comigo. Eu vou passar e vocês não vão ver”, afirmou. A resposta dos rivais foi imediata e desdenhosa: “Olha como ele é mentiroso. Onde que o morador tá contigo? Tu ficou aqui nem três meses”. A interação encerrou-se com os membros do TCP alertando que a exposição na live poderia gerar desconfiança dentro do próprio Comando Vermelho. Essa troca de ameaças e provocações públicas é interpretada por analistas de segurança como um possível prenúncio de uma nova e violenta guerra por disputa de territórios na Baixada Fluminense.

VÍDEO:

A Queda de “Nei Facão”: A Dupla Vida de um Fundador do TCP

Enquanto as atenções se voltavam para a traição de Colete, as forças de segurança do estado realizaram uma operação cirúrgica que culminou na prisão de um dos nomes mais históricos e influentes do crime no Rio de Janeiro: Nei da Conceição Cruz, amplamente conhecido como “Facão”. Considerado um dos principais fundadores do Terceiro Comando Puro (TCP), Facão ostenta um histórico criminal extenso e complexo. Ele foi preso recentemente enquanto trafegava pelo pedágio da Ponte Rio-Niterói, conduzindo um veículo Corolla. A abordagem, coordenada por agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), visava cumprir um mandado de prisão preventiva expedido pela 4ª Vara Criminal.

O que torna a história de Facão intrigante é a discrepância entre a imagem que ele projetava para a sociedade e a realidade revelada pelas investigações da Polícia Civil. Facão passou quase duas décadas no sistema prisional e foi solto em meados de 2023. Após reconquistar a liberdade, ele rapidamente passou a integrar projetos de reintegração social, como o AfroReggae, trabalhando ativamente na área de produção audiovisual. Ele era frequentemente citado como um exemplo vivo de ressocialização, atuando ao lado de ex-líderes de facções rivais para conferir realismo e veracidade técnica a filmes e séries que retratavam o cotidiano das favelas e do crime organizado no Rio de Janeiro. A sua história parecia um testemunho inspirador de redenção.

No entanto, um minucioso trabalho investigativo desenhou um cenário completamente diferente e muito mais sombrio. Segundo a Polícia Civil, a ressocialização de Facão era apenas uma cortina de fumaça. As apurações indicam que, mesmo durante os 20 anos em que esteve encarcerado, ele jamais perdeu o controle ou a influência sobre as decisões estratégicas do TCP. Ele continuava a ditar ordens, distribuir armamentos, comandar a logística de bocas de fumo e organizar esquemas de roubo de cargas e extorsão através de “frentes” – gerentes que administravam os negócios nas ruas em seu nome.

O estopim para o novo mandado de prisão de Facão foi a execução brutal do Sargento da Polícia Militar Gabriel Guimarães Saisaú, de 41 anos. O sargento, que era lotado no Batalhão de Choque, foi morto em julho do ano passado. Seu corpo, crivado por diversas marcas de tiros, foi encontrado no Complexo da Maré. A perícia técnica, conduzida pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, atestou que a execução não ocorreu no local onde o corpo foi abandonado, mas sim na Vila do João, um reduto fortemente dominado pelo TCP dentro da Maré.

As investigações não se baseiam apenas em conjecturas policiais, mas são fundamentadas por depoimentos de próprios integrantes da organização criminosa, que confirmaram a atuação ininterrupta de Facão no topo da hierarquia. A ele também é atribuída a histórica expulsão da facção rival Amigos dos Amigos (ADA) de grande parte do Complexo da Maré. Mesmo livre e circulando pelos corredores de produtoras de vídeo, as ordens do ex-chefe continuavam ecoando pelas ruelas de comunidades da Maré, Muquiço e do Complexo de Senador Camará, ditando o ritmo do crime e o destino de vidas, como a do sargento Gabriel.

O Rio de Janeiro, com sua complexa teia de facções, milícias e alianças provisórias, continua a gerar narrativas de violência, estratégia e dissimulação. A traição tecnológica e tática do piloto de drone “Colete” e a vida dupla revelada pela prisão do fundador “Nei Facão” demonstram que as engrenagens do crime organizado são implacáveis. As consequências dessas duas peças movidas no tabuleiro do tráfico serão sentidas nas ruas, nas redes e nas inevitáveis disputas territoriais que se aproximam no horizonte do estado fluminense.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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