PRETO AMARAL – O PRIMEIRO MONSTRO DO BRASIL?
No início do século XX, o Brasil ainda carregava cicatrizes abertas da escravidão. A abolição havia sido assinada pouco mais de 30 anos antes, mas, na prática, o país seguia operando sob estruturas racistas profundamente enraizadas. A recém-instalada República buscava a todo custo se modernizar, inspirada nos padrões europeus de progresso, ordem e higiene social.
Nesse processo, corpos negros passaram a ser alvos de políticas de controle, criminalização e exclusão sistemática. Os códigos penais daquela época tratavam a vadiagem como crime. E foi assim que José Augusto Amaral passou a fazer parte deste sistema: negro, analfabeto, andarilho, ex-escravizado e de alma liberta, mas sem qualquer direito concreto garantido.
Esse era o cenário que Amaral enfrentava. Ele não era apenas vigiado; era perseguido, marginalizado e, com o tempo, rotulado como perigoso por simplesmente existir à margem da sociedade branca, patriarcal e elitista. Enquanto a cidade de São Paulo crescia aceleradamente, atraindo imigrantes europeus e expulsando os pobres para as franjas urbanas, crimes violentos contra crianças começaram a aparecer nas páginas dos jornais, e em todos eles o mesmo perfil passou a ser repetido.
Homem negro, alto, vagabundo, sodomita. José Augusto do Amaral, também chamado de Preto Amaral, foi identificado como o monstro necessário para sustentar o pânico moral que tomava conta da cidade. Mas a história, como sempre, é muito mais complexa do que uma simples manchete de jornal. Confira agora este caso em que Preto Amaral é considerado, inclusive, o primeiro serial killer da história brasileira.
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Ative o sininho de notificação e fique por dentro de tudo o que rola por aqui. Agora, dados todos os recados da paróquia, vamos direto para o caso. José Augusto do Amaral nasceu no dia 15 de agosto de 1871, na cidade de Conquista, interior de Minas Gerais. Ele era filho de ex-escravizados africanos que foram comprados pelo Visconde de Ouro Preto, uma das figuras mais importantes da política imperial brasileira.
Sua infância foi marcada por um Brasil em transformação, mas que ainda mantinha estruturas sociais profundamente racistas. Embora a escravidão tenha sido oficialmente abolida em 1888, as pessoas negras libertas foram jogadas à própria sorte, sem acesso a terras, moradia, educação ou oportunidades reais de sobrevivência no mercado de trabalho.
Crescer nesse cenário, sendo um homem negro e pobre, significava ser desde cedo empurrado para a margem da sociedade. Assim, no início da adolescência, ele foi aconselhado por amigos a fazer uma simpatia para aumentar o tamanho do órgão genital. Isso mesmo, minha gente. O que era muito comum na época, não é verdade? Fazerem simpatias e rituais populares para diversas finalidades corporais.
E essa simpatia funcionava da seguinte forma: era feita uma marcação no tronco de uma bananeira jovem. Fazia-se um corte na casca da planta, determinando a distância entre a medida atual e o comprimento desejado. Conforme a bananeira crescia vigorosamente, a distância entre os cortes se expandiria proporcionalmente, acompanhando o crescimento esperado do órgão.
E foram exatamente esses dois traços na bananeira que Preto Amaral talhou. Ou seja, entre um risco e outro estaria o resultado almejado. Mas o rapaz acabou exagerando na distância entre os dois pontos. Passado algum tempo, já mais velho, ele percebeu que seu membro não parava de crescer de forma assustadora. Ao notar a desproporção, entrou em desespero, pegou um machado e derrubou a árvore para cessar o feitiço.

Mas, pelo jeito, o encanto não foi quebrado, pois o tamanho do órgão de Amaral, segundo relatos médicos posteriores, era completamente fora do padrão biológico comum. Sem acesso à escola formal e analfabeto, ele cresceu sem qualquer perspectiva de estabilidade. Aos 14 anos, tatuou no braço esquerdo as iniciais do nome de sua mãe, que se chamava Francisca Cláudia.
Aos 17 anos, com a promulgação da Lei Áurea, ele passou a ser juridicamente um homem livre. Buscando um meio de subsistência, alistou-se ainda jovem na Força Pública do Estado de São Paulo, precursora da Polícia Militar, mas logo abandonou o posto sem autorização formal. Essa atitude no meio militar era tipificada como crime de deserção, isto é, o abandono voluntário do serviço sem licença prévia.
Esse comportamento errático se repetiu várias vezes ao longo de sua trajetória. Amaral passou por diversos corpos militares: a Brigada Policial do Rio Grande do Sul, o Regimento de Infantaria de Porto Alegre, um grupo de artilharia pesada em Bagé, o 13º Regimento de Cavalaria no Rio de Janeiro e até a Marinha do Brasil.
Em todas essas corporações, ele acabava expulso por indisciplina ou desertava espontaneamente. Era visto pelos oficiais como um soldado instável e descompromissado. Segundo seus próprios relatos, viveu em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Ceará, Amazonas, Pará, além de passar por Bolívia, Argentina e Uruguai, até retornar a São Paulo.
Vagava de um estado para outro à procura de ocupação temporária e pouso. Realizava pequenos serviços como ferreiro, cozinheiro e era conhecido por tocar instrumentos musicais de ouvido com impressionante facilidade rítmica. Ele possuía um talento nato para a música, mesmo sem instrução teórica formal.
Habilidoso também em jogos de azar, gostava de apostar e costumava ser vitorioso nas mesas de cartas. Mas, como diz o ditado, sorte no jogo e azar no amor. De acordo com o próprio Amaral, sua compleição anatômica impedia que passasse despercebido, transformando sua condição física em um verdadeiro fardo social durante a vida adulta.
Relatou que, na juventude, ao tentar cortejar uma mulher, foi sumariamente rejeitado sob a alegação de que nenhuma parceira toleraria sua anatomia. Ele próprio declarou que, quando procurava mulheres da vida, nenhuma aceitava um segundo encontro. Sua conformação física incomum afastava qualquer possibilidade de relacionamento estável, fazendo com que permanecesse solitário por toda a vida.
Amaral sofreu prisões sucessivas por vadiagem na capital paulista em 1920 e 1921, além de outra detenção em Bauru no mesmo período. Em 1922, foi encarcerado em Santos pelo mesmo motivo e, meses depois, detido em São Paulo sob acusação de furto simples. A contravenção de vadiagem consistia em não possuir emprego formal, renda comprovada ou domicílio fixo, servindo como instrumento explícito de criminalização da pobreza.
O artigo 399 do Código Penal da época punia quem deixasse de exercer profissão ou ofício para ganhar a subsistência sem possuir bens ou moradia fixa. Na prática cotidiana, homens negros e desvalidos como José Augusto eram alvos fáceis da vigilância policial. Ele levava uma vida itinerante, pernoitando em albergues públicos, pensões baratas ou bancos de praça.
Ao atingir os 50 anos de idade, Amaral apresentava um quadro de profunda debilidade física, magreza excessiva e saúde precária. Enquanto isso, a São Paulo dos anos 1920 crescia em ritmo vertiginoso, marcada pela industrialização, imigração europeia em massa e profundas tensões de classe, fatores que potencializavam o medo urbano amplificado pela imprensa sensacionalista.
Em 13 de fevereiro de 1926, o pequeno engraxate Rocco, de apenas 9 anos de idade, trabalhava nas imediações da Praça da Concórdia, perto do Teatro Colombo, no Brás. Cansado ao entardecer, preparava-se para recolher seus pertences sob a garoa fina que afastava a clientela. Um homem negro e alto aproximou-se do menino, oferecendo-lhe 45 mil réis para ajudá-lo a carregar um cesto de roupas.
A criança, atraída pela quantia generosa para a época, aceitou prontamente a proposta. Caminharam pela Avenida Celso Garcia em direção à ponte do Rio Tamanduateí, próximo à Estação da Cantareira. Ao entrarem pela escura Rua João Teodoro, que não possuía iluminação pública, o menino sentiu um aperto no peito diante do isolamento do local.
Sem qualquer aviso prévio, o agressor atacou o menino pelas costas, apertando seu pescoço em uma tentativa violenta de estrangulamento. A criança debateu-se desesperadamente com as forças que lhe restavam, mas acabou perdendo a consciência pela falta de ar. Acreditando que o garoto estivesse morto, o criminoso arrastou o corpo para baixo da ponte, rasgou suas vestes e preparava-se para consumar o ato sexual.
Por providência do destino, um automóvel aproximou-se subitamente do local e estacionou com os faróis acesos. Temendo o flagrante, o agressor abandonou a vítima desacordada e fugiu pelo matagal. Momentos depois, o garoto despertou atordoado e ferido. Com extremo esforço, rastejou coberto de lama até o leito da rua, onde foi socorrido por duas transeuntes que acionaram uma patrulha policial.
Enquanto buscavam socorro médico imediato, o motorista de praça Basílio Patti, que iniciava seu turno de trabalho, foi interceptado pelo grupo ao cruzar a ponte da Rua João Teodoro. O policial que atendia a ocorrência instruiu o motorista a levar o menino Rocco diretamente para a residência de seus pais no bairro operário.
Ao verem o filho ensanguentado e tomarem conhecimento da agressão, os familiares entraram em choque. Contudo, nenhuma queixa formal foi registrada na delegacia naquela noite, em razão do forte estigma social que cercava violações dessa natureza moral naqueles tempos conservadores, silêncio que muitas famílias adotavam por vergonha ou medo da exposição pública.
Enquanto isso, o agressor vagou pela cidade convencido de que havia assassinado o pequeno engraxate. Na noite seguinte, retornou sorrateiramente ao vão da ponte para consumar atos de necrofilia junto ao suposto cadáver, surpreendendo-se ao encontrar o leito deserto. Meses se passaram sem novas pistas do agressor misterioso.
Em 5 de dezembro de 1926, o jovem Antônio Sanches, de 27 anos, repousava desolado em um banco na Avenida Tiradentes. Natural de Barra Bonita, viera para a capital paulista em busca de trabalho fabril, mas encontrava-se desempregado, doente e sem recursos para manter o quarto alugado na Lapa ou para comprar alimentos básicos.
Um homem desconhecido, alto e de compleição magra, sentou-se ao seu lado no banco da praça e puxou conversa amigável. Sanches pediu-lhe um cigarro e desabafou sobre a miséria e a fome extrema que enfrentava naquele domingo cinzento. Mostrando-se solícito, o estranho convidou Antônio para almoçar por sua conta no Bar Cunha, situado na Rua Teodoro Sampaio.
O rapaz faminto aceitou o convite imediatamente. Após a refeição regada a vinho, o indivíduo propôs-lhe uma tarefa remunerada para carregar volumes até a região do Campo de Marte, prometendo excelente pagamento. Confiando na aparente generosidade do benfeitor, Sanches aceitou o serviço sem desconfiar das reais intenções do homem.
Ao chegarem a uma área erma e pantanosa nos fundos de um denso bambuzal do Campo de Marte, o homem atacou Sanches de inopino. O jovem tentou reagir desesperadamente à agressão física, mas, enfraquecido pela subnutrição crônica, foi facilmente subjugado pela força física de seu algoz, que o estrangulou até a morte.
Após certificar-se de que o coração da vítima havia parado de bater, o assassino despiu as vestes do cadáver e consumou atos de necrofilia ali mesmo, entre a vegetação rasteira. Para o criminoso, não havia distinção entre saciar seus impulsos com a vítima viva ou morta. Em seguida, ocultou o corpo entre os arbustos e evadiu-se da cena.
O sumiço repentino de Antônio Sanches causou grande apreensão entre seus conhecidos, e os boatos de desaparecimentos começaram a circular com força nos bairros paulistanos. Para agravar o clima de tensão generalizada, em 23 de dezembro, o adolescente Antônio de Ramalho Filho, de 16 anos de idade, também desapareceu misteriosamente após sair de casa.
Na véspera de Natal de 1926, o menino José Felipe de Carvalho, de 12 anos, residente no Alto do Pari, brincava com seu estilingue pelas imediações do bairro durante a tarde. Mais tarde, obteve autorização da mãe para assistir à tradicional Missa do Galo na Paróquia de Santo Antônio, caminhando sozinho pelas imediações do Canindé debaixo de forte tempestade.
Enquanto caminhava, o garoto avistou um homem vendendo balões de borracha coloridos. Encantado com os brinquedos, o menino aproximou-se e ganhou um balão de presente do vendedor, que iniciou conversa amistosa ao notar o estilingue em seu bolso. Minutos depois, o balão rompeu-se com o vento forte da chuva torrencial.
Desapontado, o menino retornou até o vendedor pedindo outro exemplar. O homem atendeu ao pedido e convidou o garoto para caçar passarinhos em uma mata fechada nas proximidades do Campo de Marte, onde prometeu encontrar muitas aves raras. Confiante nas palavras gentis do vendedor, José Felipe acompanhou-o alegremente até o matagal ermo.
No local isolado, o homem atacou a criança pelas costas, asfixiando-a até o óbito para em seguida violentar o pequeno cadáver entre a relva encharcada. Com o cair da noite, o não comparecimento do garoto em casa desesperou sua genitora, que percorreu templos e hospitais à sua procura antes de comparecer à Delegacia do Brás para lavrar a queixa de desaparecimento.
O pavor espalhou-se rapidamente por toda a zona norte e leste da capital. As testemunhas oculares passaram a relatar a presença constante de um homem negro e de estatura elevada rondando as praças onde crianças desvalidas trabalhavam. No Campo de Marte, moradores das redondezas encontraram vestígios de corpos ocultos na mata fechada.
Temendo represálias policiais arbitrárias contra a população negra daquele perímetro operário, muitos moradores hesitaram em relatar as descobertas imediatamente. O pânico comunitário levou as famílias a proibirem terminantemente a circulação de crianças desacompanhadas pelas ruas de paralelepípedo, enquanto a imprensa cobrava respostas enérgicas dos chefes de polícia.
As ocorrências macabras sucederam-se sem trégua: no próprio dia de Natal, desapareceu o jovem encanador Luís Bicudo, de 15 anos. Em 27 de dezembro, sumiram os adolescentes Sarkis Eclarei, de 14 anos, e Vicente Scageli, de 17. No último dia daquele ano fatídico, registrou-se o sumiço do jovem telegrafista Luís Irá, de 15 anos de idade.
Todas as vítimas apresentavam características socioeconômicas semelhantes: jovens de famílias humildes em situação de vulnerabilidade urbana. A polícia compreendeu que enfrentava um predador em série metódico, que empregava o mesmo padrão de abordagem sedutora, deslocamento para áreas ermas, asfixia mecânica por constrição cervical e violação póstuma.
No dia 1º de janeiro de 1927, o jovem tecelão Antônio Lemes, de 15 anos, descansava em seu dia de folga quando avisou a mãe que realizaria um pequeno frete no bairro da Penha. Antes de partir, dirigiu-se a uma taberna nas proximidades do Mercado Central para encontrar amigos que jogavam cartas no balcão dos fundos.
Um homem alto e de traços marcantes entrou no recinto e passou a observar o jovem operário enquanto realizava apostas nas mesas de jogo. Após vencer a rodada, o homem aproximou-se de Antônio e ofereceu-lhe um farto almoço no restaurante vizinho, proposta prontamente aceita pelo rapaz sem qualquer desconfiança prévia.
Durante a refeição com vinho, o indivíduo ofereceu 2.500 réis para que o jovem o acompanhasse até a Penha a fim de carregar bagagens pesadas. Tomaram o bonde elétrico juntos no Largo do Tesouro e seguiram até o ponto final da linha, de onde passaram a caminhar pela Estrada de São Miguel, nas imediações do quilômetro 39.
Ao ingressarem em um desvio deserto da estrada de terra batida, o agressor enlaçou a garganta do jovem com o braço esquerdo, asfixiando-o brutalmente com a mão direita. Diante do desmaio imediato da vítima, o agressor retirou um cinto de brim branco com 85 centímetros de comprimento e estrangulou o jovem no solo antes de consumar o abuso sexual cadavérico.
O corpo de Antônio Lemes foi localizado na manhã seguinte por trabalhadores rurais, provocando comoção pública sem precedentes. A polícia reuniu depoimentos de testemunhas que confirmaram ter visto o operário almoçando na companhia de um homem alto, magro e negro de nariz adunco, traço físico característico atribuído popularmente a Preto Amaral.
O adolescente Manuel Antônio Neves, de 13 anos, compareceu espontaneamente à delegacia relatando ter sido abordado por esse mesmo homem na Rua Voluntários da Pátria com oferta em dinheiro para transportar embrulhos até a Várzea do Tietê, conseguindo escapar após suspeitar das intenções do estranho no trajeto.
Diante do cerco policial e do perfil traçado pelas autoridades da Delegacia de Investigações e Capturas, José Augusto do Amaral foi localizado e preso na Hospedaria dos Imigrantes, onde vivia como indigente. Ele permaneceu incomunicável por dias sucessivos no xadrez, sem assistência jurídica de advogado ou garantia de direitos fundamentais.
Nesse ambiente de coação e extrema fragilidade física, a polícia anunciou uma suposta confissão espontânea do suspeito. O texto do auto de declaração continha terminologias jurídicas e rebuscadas totalmente incompatíveis com o linguajar de um homem analfabeto, evidenciando que os investigadores haviam forjado as minúcias técnicas da peça cartorária.
A imprensa sensacionalista estampava em manchetes garrafais expressões desumanizadoras: “Monstro Negro Confessa Crimes Hediondos”, “Degenerado Moral da Raça Inferior é Capturado”, legitimando o linchamento moral antes de qualquer processo regular. O pai do engraxate Rocco compareceu ao distrito e promoveu o reconhecimento do detido em sala fechada.
Amaral foi conduzido escoltado até os descampados do Campo de Marte, onde indicou a localização de ossadas humanas parcialmente enterradas. As vestes esfarrapadas permitiram que a mãe de José Felipe de Carvalho identificasse os restos mortais do filho desaparecido na véspera de Natal, levando a polícia a considerar o caso encerrado.
Embora outros desaparecimentos daquele período nunca tenham sido formalmente esclarecidos, a opinião pública atribuiu todos os delitos não solucionados a Amaral. O médico psiquiatra Carlos Pacheco e Silva, influenciado pelas teorias eugenistas e pelo determinismo biológico de Cesare Lombroso, elaborou laudo pericial rotulando o réu como sádico perverso e degenerado nato.
A criminologia lombrosiana da época utilizava traços físicos e a hipersexualização de corpos negros para legitimar a perseguição penal do Estado Republicano. Pesquisadores modernos apontam a ausência completa de provas materiais periciais conclusivas, a precariedade das confissões sob tortura e a construção midiática de um monstro conveniente para apaziguar a elite paulistana.
O julgamento perante o Tribunal do Júri nunca chegou a se concretizar formalmente. Debilitado por febres contínuas, desnutrição e dores reumáticas agudas no calabouço da Cadeia Pública de São Paulo, José Augusto do Amaral faleceu em 2 de julho de 1927, aos 55 anos de idade, vítima de tuberculose pulmonar na enfermaria prisional.
Sem velório, registro fúnebre digno ou familiares para reclamarem seu corpo, ele foi sepultado como indigente no Cemitério do Araçá. Sua trajetória permanece até os dias de hoje marcada pelo estigma de ter sido rotulado como o primeiro assassino em série brasileiro, refletindo as profundas contradições e o racismo estrutural que moldaram a nascente República.
Espero que vocês tenham apreciado esta história histórica e reflexiva. Deixem nos comentários suas impressões e análises sobre este episódio tão marcante da crônica policial nacional. Encontramo-nos na próxima narrativa. Cuidem-se todos e lembrem-se: a verdadeira justiça exige um olhar atento e desprovido de preconceitos sobre a nossa história. Que o universo ilumine a todos.