O HORRÍVEL Segredo do Marido da Preta Gil enquanto ela estava morrendo
Antes mesmo dela completar uma semana de vida. Cresceu em Salvador. Cresceu vendo o pai voltar do exílio em Londres, perseguido pela ditadura militar. Cresceu nos camarins, nos bastidores, nos fundos dos palcos, onde Gilberto Gil cantava e Caetano Veloso falava com ela como se ela fosse adulta. Cresceu sendo afilhada de Gal Costa, que mais tarde a chamaria de filha.
Dentro daquela família, a música era religião e o palco era altar. Mas cresceu também com uma ferida que ela só nomeou décadas depois, em entrevistas e em terapia. Preta nunca sentiu que era suficiente. E é aqui que entra um detalhe que ninguém conectou até agora. Os irmãos dela, Maria e Pedro, tinham cabelo crespo.
Preta tinha cabelo liso. Caetano Veloso a apelidou de Filipina, porque ela parecia uma estrangeira dentro da própria família. Foi assim que ela cresceu se enxergando, como a filha que não cabia em lugar nenhum. Não cabia entre os irmãos, porque era diferente deles. Não cabia entre as amigas magras da escola, porque era gorda.
E quando se olhava no espelho da casa em Salvador, encontrava um corpo que o mundo lhe dizia que estava errado. Por isso, ela passou a vida procurando alguém que olhasse para ela e a escolhesse. casou três vezes. A primeira em 1994, com o ator Otávio Müller, com quem teve o único filho, Francisco. A segunda, em 2009, com o mergulhador Carlos Henrique Lima.
E a terceira, aquela jurou ser a definitiva em 2015, com um homem 11 anos mais novo que ela conheceu em um baile funk no Rio de Janeiro, dois anos antes. Cada casamento foi uma tentativa de curar a mesma ferida, a ferida de não se sentir merecedora. O nome desse terceiro marido era Rodrigo Godói. Era personal trainer.
tinha 28 anos quando se conheceram contra os 39 dela. O corpo dele era do tipo que se constrói em academia e o sorriso era do tipo que faz mulheres rirem antes mesmo dele dizer alguma coisa. preta o viu pela primeira vez em 2013 e contou para as amigas ainda naquela mesma noite que tinha encontrado o homem da vida dela. Caiu de cabeça.
Mas o homem que ela escolheu para curar a ferida original ia abrir uma ferida nova e muito mais profunda. que 10 anos depois daquela noite no baile funk, no momento mais frágil da vida dela, no dia em que ela recebeu a notícia que mudaria tudo, Rodrigo Godói faria uma escolha, uma escolha tão repugnante que quando Preta descobriu meses depois, ela parou de dormir, começou a tomar remédios para conseguir respirar.

E em uma noite, sentada na cama do quarto de casal, que agora era só dela, escreveu duas palavras em um caderno. As duas palavras eram: “Fiquei destroçada”. Essas duas palavras viraram uma das frases do livro que ela lançaria dois anos depois. Guarde este detalhe na sua cabeça, porque tudo o que vem a seguir gira em torno de uma única pergunta: “O que esse homem fez para destroçar uma mulher que já estava lutando para não morrer? Para entender o homem que ia destruir Preta Gil, é preciso entender primeiro a mulher que ela tinha se tornado quando ele entrou na vida dela.
Porque Rodrigo Godói não pegou uma menina ingênua, pegou uma mulher de 39 anos que já tinha caído, se levantado e se reconstruído várias vezes. Em 2003, com 29 anos, depois de uma vida inteira sendo só a filha de Gilberto Gil, preta lançou o primeiro disco, chamou-se Preaportê. Na capa, ela apareceu nua. Não foi uma escolha de marketing, foi uma declaração de guerra contra todo mundo que tinha passado a vida, lhe dizendo que o corpo dela era errado.
O disco virou febre, as músicas tocaram nas rádios e, pela primeira vez, Preta começou a ser preta, não a filha de alguém. Veio o segundo álbum em 2005. Veio o Bloco da Preta em 2009, que começou no Rio e cresceu até reunir 750.000 pessoas em uma única noite no carnaval de 2018. Veio o reconhecimento, veio o trabalho na televisão, em novelas como Caminho das Índias e no remake de Ti Ti, mas vieram também os homens errados.
E aqui está uma coisa que ninguém quer dizer em voz alta sobre Preta Gil. Ela tinha péssimo gosto para escolher parceiros. Marcos Mon passou pela vida dela antes da fama dele explodir. Paulo Vilena também. Caio Blet ficou no rastro. Cada um desses relacionamentos virou manchete na época. Cada término foi uma humilhação pública.
E ela voltava sempre para o mesmo padrão. Homens bonitos, mas novos. com menos peso público do que ela. Preta, dizia em entrevistas que precisava ser desejada, precisava se sentir bonita. E quando algum desses homens olhava para ela como se ela fosse a coisa mais importante do mundo, mesmo que por dois meses, mesmo que por seis, ela acreditava.
Foi exatamente esse tipo de olhar que Rodrigo Godói lhe deu na primeira noite em que se viram. Foi em 2013. em um baile funk em uma comunidade do Rio de Janeiro. Preta, foi com amigas, estava se divertindo e em algum momento da noite, um homem se aproximou, 28 anos, educador físico, olhos focados nela, como se não houvesse mais ninguém no salão.
Conversaram a noite inteira, trocaram telefones e dois dias depois, Rodrigo Godói mandou a primeira mensagem. Daquele celular começaram a sair, ao longo dos próximos dois anos, milhares de mensagens jurando amor eterno. Essas mensagens existem. Preta guardou todas. E uma década depois, quando se caso do casamento já tinha terminado, ela voltaria a abrir aquele histórico de conversas com a a mão tremendo, porque dentro daquelas mensagens ele estavam pistas que ela tinha ignorado durante anos, pistas do homem que ele realmente era. Mas ou a

essas mensagens a gente volta mais para e mais só à frente. Por enquanto, guarde só uma coisa. Tudo o que Rodrigo Godói disse para Preta Gil nos primeiros anos está documentado. Em 2014 oficializaram o namoro publicamente. Preta apareceu em todos os programas falando dele, levou para a casa do pai, apresentou para a família.
Gilberto Gil, sempre cauteloso com as escolhas amorosas dos filhos, recebeu o rapaz com cordialidade, mas pessoas próximas da família contam que houve um silêncio depois daquele primeiro jantar. O tipo de silêncio que pai cauteloso faz quando não gostou do que viu, mas decidiu que não era hora de falar. Gilberto era um homem que respeitava as escolhas dos filhos.
Calou-se, sorriu e disse para preta: “O que pai de filha sempre diz nessas horas? Se você está feliz, eu também estou”. Preta estava feliz, pelo menos era o que ela achava, porque Rodrigo Godói era um homem que sabia exatamente o que dizer. conhecia as inseguranças dela melhor do que ela mesma, identificava cada medo que ela tinha e se posicionava como a solução para ele.
Onde os outros homens tinham fugido, ele jurava que ia ficar. Onde os outros tinham mentido, ele jurava que era diferente. E Preta, que tinha passado a vida procurando exatamente esse discurso, acreditou em cada palavra. era o homem perfeito, pelo menos no papel, pelo menos para uma mulher que tinha passado a vida procurando alguém para curar uma ferida que nenhum homem pode curar.
Imagine por um momento que essa mulher fosse alguém da sua própria família, sua mãe, sua irmã, a sua melhor amiga. Imagine ela chegando na sua casa toda iluminada falando do novo namorado. E você sabe lá no fundo que tem alguma coisa errada, mas não sabe o que e não tem coragem de falar. Foi exatamente isso que aconteceu com os amigos próximos de Preta nos primeiros anos com Rodrigo.
Ninguém conseguia colocar o dedo no problema, mas todo mundo sentia que tinha um. Algumas amigas comentavam em rodas restritas que o rapaz era simpático demais, calculado demais, que respondia rápido demais quando alguém testava ele com uma pergunta complicada, mas Preta estava cega. E quem está cego de amor não escuta.
Em 2015, 2 anos depois daquela primeira noite no baile funk, Pretagil anunciou o casamento. A festa seria em maio, no Rio de Janeiro, em uma das casas de eventos mais caras da cidade. E o orçamento divulgado depois nos jornais era de R$ 2 milhões deais. 2 milhões para uma única noite. O que ninguém sabia e o que só viria a público quase 10 anos depois é que aquela festa milionária era a inauguração de um pesadelo que duraria 8 anos e que terminaria com uma das traições mais repugnantes do entretenimento brasileiro. O casamento
aconteceu no dia 12 de maio de 2015. preta entrou de braços dados com o pai. Gilberto Gil estava de terno escuro, com os olhos brilhando, fingindo uma alegria que os amigos íntimos sabiam que ele não sentia por inteiro. Caminhou com a filha até o altar, entregou a mão dela para Rodrigo Godói e murmurou alguma coisa no ouvido do genro que ninguém ouviu.
Anos depois, em uma entrevista, Gilberto seria perguntado sobre o genro. Ele desviou. falou de outra coisa. E quem conhece Gilberto Gil sabe que silêncio dele naquele assunto específico dizia muito mais do que qualquer palavra. A festa foi descrita pelos jornais como O casamento do Ano, mais de 400 convidados.
A imprensa cobriu cada detalhe. As fotos do beijo dos noivos rodaram o Brasil inteiro e nas fotos de família preta aparecia radiante com aquele sorriso de mulher que finalmente achava que tinha conseguido o que sempre quis. Rodrigo, ao lado dela, sorria para as câmeras de uma maneira que 8 anos depois alguém olharia para aquelas fotos e diria: “Tinha algo errado naquele sorriso e ninguém viu.
” Mas o problema não estava no dia do casamento. O problema começou exatamente 11 dias depois. Foi durante a lua de mel em Abu Dhabi que preta teve a primeira sensação ruim. A cena exata ela contaria anos depois. para uma amiga próxima. Estavam em um restaurante de hotel. Ela se levantou. Quando voltou, Rodrigo estava com o celular escondido embaixo da mesa.
Guardou rápido demais. Disse que era trabalho. Mudou de assunto. Preta engoliu. Mas anotou: “Existem mulheres que anotam essas pequenas coisas e não conseguem mais desanotá-las. preta era uma dessas mulheres e nos meses seguintes ela começou a notar mais. Rodrigo virava a tela do celular para baixo quando ela se aproximava.
Saía da sala para atender ligações. Demorava no banheiro com o telefone e quando ela perguntava, ele respondia sempre a mesma coisa: “Amor é trabalho, é academia, é coisa de homem.” Preta queria acreditar. Então acreditou. Porque a alternativa era enfrentar o fato de que o terceiro casamento dela, aquele que ela tinha jurado que seria diferente, talvez não fosse tão diferente assim.
Os primeiros anos foram de aparência impecável para o mundo de fora. Apareciam juntos nas festas certas, postavam as fotos certas, mostravam o casamento que todo seguidor do Instagram queria ter. Rodrigo se tornou um nome conhecido, ganhou seguidores, virou influenciador, tudo às custas do sobrenome dela, mas isso ninguém dizia em voz alta.
E enquanto isso, Preta produzia, trabalhava como louca, apresentava programas de televisão, lançava blocos de carnaval, comandava a Music 2 Mind, a agência de marketing de influência que ela tinha fundado e que em 2019 ganharia o prêmio Caboré. Preta era uma máquina de trabalho, sustentava a casa, sustentava o estilo de vida, sustentava o marido.
E quanto mais ela sustentava, mais Rodrigo se acomodava. Aqui é onde tudo muda, porque em algum momento, sem que ninguém percebesse, a relação inverteu. Ela virou provedora. Ele virou passageiro. Em 2020 veio a pandemia. ficaram trancados juntos por meses. E foi nesse período que pessoas próximas começaram a comentar em voz baixa que algo estava estranho.
Preta tinha emagrecido, estava mais quieta, tinha aquele olhar de quem está vivendo dentro de uma casa onde ninguém mais a enxerga. Quando a pandemia passou, Preta voltou aos palcos, voltou à televisão, voltou a trabalhar. E Rodrigo continuou em casa, na academia, no celular, em viagens que ele dizia que eram a trabalho, mas que ninguém sabia ao certo de que trabalho se tratava.
No final de 2022, Preta foi convidada para acompanhar o pai em uma turnê internacional. Gilberto Gil ia completar 80 anos. e queria fazer uma série de shows pela Europa com a família. Era um do dos sonhos antigos do pai. Preta aceitou. Era o tipo de viagem que muda alguém. Estavam em Lisboa quando ela sentiu pela primeira vez uma cólica.
Não era forte, não era assustadora, era só uma daquelas dores chatas que mulheres sentem e atribuem a TPM, a estresse, a comida que caiu mal. preta tomou um remédio, cantou no show daquela noite, sorriu pro pai, postou foto nas redes sociais, mas a cólica voltou e voltou de novo. E quando voltou a terceira vez, com uma intensidade que a fez sentar no chão do quarto do hotel com a mão na barriga, preta entendeu que tinha alguma coisa errada.
Avisou o marido por telefone. Rodrigo estava no Brasil. Ele disse: “Amor, deve ser só intestino preso. Descansa, depois você faz exame quando voltar.” Preta voltou. Em janeiro de 2023, em 23, fez o exame e em uma sala fria de consultório no Rio de Janeiro, com o marido sentado ao lado dela em uma cadeira de couro preta, o médico colocou resultado em cima da mesa, respirou fundo e disse a palavra que mudaria tudo. Câncer.
Preta começou a chorar. O médico explicou que era adenocarcinoma colorretal, estágio inicial, mas agressivo, precisava começar o tratamento imediatamente com cirurgia e protocolo completo de quimioterapia. Seria uma luta longa. Preta olhou para Rodrigo esperando, esperando que ele pegasse a mão dela, que dissesse alguma coisa, que mostrasse naquele exato momento o motivo pelo qual ela tinha jurado 8 anos antes que ele era o homem da vida dela.
Rodrigo estava olhando para o celular. Guarde essa imagem na sua cabeça, porque essa cena, esse exato segundo dentro daquele consultório, foi o momento em que tudo começou a desmoronar. E o homem que jurou amor eterno escolheu olhar para uma tela em vez de olhar para a mulher que acabava de receber uma sentença de morte.
O que ninguém, nem a própria preta, sabia naquele momento, é que do outro lado daquela tela tinha uma pessoa esperando uma resposta, uma pessoa que tinha entrado na casa deles havia três meses, uma pessoa de confiança, uma pessoa que conhecia tudo da vida de preta por dentro. E essa pessoa naquele momento estava mandando uma mensagem para Rodrigo sobre quem é essa pessoa e o que ela escrevia para o marido de Preta Gil, enquanto Preta recebia o diagnóstico de câncer, eu vou contar agora e é pior do que você imagina.
Para entender a profundidade do que vinha pela frente, é preciso voltar 3s meses antes daquele diagnóstico, outubro de 2022. Preta ainda estava bem. O câncer ainda era invisível dentro do corpo dela. E foi nesse mês, em uma manhã comum no Rio de Janeiro, que uma mulher entrou pela porta da casa de Pretagil pela primeira vez.
O nome dessa mulher era Ingrid Lima. Era stylist, recém contratada para cuidar do guarda-roupa de preta nos compromissos públicos. Bonita, jovem, com aquele tipo de simpatia que conquista patrões em poucos minutos. Preta gostou dela na primeira semana. Em pouco tempo, Ingrid já estava entrando na casa quase todos os dias. Almoçava com preta, ria com Preta, conhecia Rodrigo, conhecia o filho de preta, Francisco, conhecia a rotina íntima da família.
Em trs meses, Ingrid Lima virou parte da paisagem da casa. O que Preta não sabia é que Ingrid não estava ali só para cuidar das roupas. E aqui está o detalhe mais arrepiante de tudo o que está por vir. Segundo o colunista Léo Dias, que apurou a história depois que tudo veio à tona, Rodrigo Godói e Ingrid Lima começaram a se aproximar em outubro de 2022, 3 meses antes do diagnóstico de câncer, 3 meses antes daquele consultório com a cadeira de couro preta, 3 meses antes da palavra adenocarcinoma sair da boca de um médico no Rio de Janeiro. Quando Preta recebeu o
diagnóstico em janeiro de 2023, o marido dela já estava traindo e a outra mulher já era íntima da casa. Mas isso só viria a público meses depois. Por enquanto, no janeiro daquele ano, Preta começou o tratamento. Internações no hospital, sessões de quimioterapia, os efeitos colaterais começaram a aparecer rápido.
O cabelo começou a cair, o peso começou a oscilar. A energia, aquela energia gigante de Preta Gil, que tomava conta de qualquer sala em que ela entrasse, começou a se apagar. E Rodrigo Godói começou a desaparecer. Não foi um abandono dramático, foi um abandono silencioso. Preta marcava a sessão de quimioterapia.
Ele dizia que tinha treino de cliente. Preta voltava do hospital de hospital nauseada. Ele estava no celular na sala preta. Pedia que ele fosse a uma consulta. Ele dizia que tinha fobia de hospital. Fobia de hospital. Foi esse o motivo que ele inventou. e preta, com a paciência infinita de mulher, apaixonada por homem que não merece.
Acreditou, disse para os amigos que entendia. disse que cada um lida com a doença do outro de um jeito. Disse que Rodrigo era sensível e que ela ia respeitar o limite dele. Os amigos íntimos não acreditaram em uma palavra, mas calaram-se. Porque mulher em tratamento de câncer não precisa de mais um peso.
Mulher em tratamento de câncer precisa de paz. E se a paz dela era acreditar que o marido tinha fobia de hospital, ninguém ia tirar essa paz dela. Mas a verdade era outra. E quando Preta descobriu meses depois, sentou no chão da sala dela e começou a gritar. O que estava acontecendo dentro da casa enquanto Preta fazia quimioterapia era o seguinte.
Rodrigo não estava apenas evitando o hospital, estava saindo. Estava sumindo por horas, às vezes por uma noite inteira. Dizia que era trabalho, dizia que era academia, dizia que era cerveja com amigos. E a cerveja com os amigos virou uma rotina diária. A própria preta contaria isso depois, em entrevista ao programa de frente com blogueirinha, disse com as palavras dela.
Muitas vezes eu falava para ele: “Realmente, esse clima aqui em casa tá tenso. Vai sim pro pagode com seus amigos tomar uma cerveja.” Só que essa cerveja foi virando todo dia, todo dia. Enquanto isso, Ingrid Lima continuava entrando na casa, continuava trabalhando para preta, continuava abraçando preta com aquele abraço de quem se importa.
Em uma das tardes daquele primeiro semestre de 2023, Preta sentiu pela primeira vez aquilo que mulher sente quando não sabe explicar, mas sabe que está acontecendo. Em entrevista posterior, ela diria com as próprias palavras: “É uma coisa do feeling da gente, a gente que é mulher sente”.
Comecei a ter uma rusga com ela que não estava me descendo. Foi uma intuição minha, a rusga. A intuição, o nome técnico para o que Preta estava sentindo era radar, aquele radar antigo, ancestral, que mulheres têm para detetar quando outra mulher está rondando o homem delas. Mas preta estava fraca pela quimioterapia, deprimida pelo diagnóstico, confiando demais no marido.
Empurrou o radar para baixo, disse para si mesma que era paranoia. O radar não era paranoia. O radar estava certo em algum momento de 2023, depois de mais uma discussão em que Rodrigo gritou com ela por ela ter cobrado presença no tratamento, Preta teve uma crise. Os médicos do hospital aconselharam, com palavras duras, que ela não recebesse mais visitas do marido durante as internações, que o marido estava fazendo mal para a recuperação dela.
chorou, mas obedeceu. E a separação aconteceu pouco depois, ainda antes da descoberta da traição. As próprias palavras de Preta em entrevista foram: “Eu me separei dele primeiro antes de descobrir a traição, porque ele me abandonou com câncer. Ele saía, eu ficava em casa largada. E foi nesse exato momento, depois da separação já estar feita, que a verdade veio à tona da pior maneira possível.
preta, começou a juntar os pedaços, conversou com amigas, conversou com pessoas da equipe, cruzou agendas, cruzou horários, cruzou viagens que Rodrigo tinha feito e desculpas que ele tinha dado. Em algum momento daquele segundo semestre, uma amiga próxima sentou na frente dela e disse a frase que ninguém tinha tido coragem de dizer antes.
A amiga disse: “Preta, ele estava com a Ingrid. preta sentou na cama, pediu que a amiga repetisse. A amiga repetiu e foi naquele segundo que Preta entendeu que tinha sido enganada durante sete meses inteiros. Foi ela mesma quem contou isso depois. O sujeito estava me traindo e nem desconfiava. Era cega. Tinha uma relação de muita confiança com ele.
Então não desconfiava. 7 meses enganada dentro da própria casa. A mulher que tinha entrado na casa de Pretagil como funcionária estava dormindo com o marido de Pretagil havia 8 meses. A traição não tinha começado depois do câncer, tinha começado antes, outubro de 2022, 3 meses antes do diagnóstico.
Ingrid Lima abraçava preta na frente dos amigos, enquanto Preta lutava contra o câncer e à noite encontrava o marido de preta em hotéis pagos por preta. Esse era o repugnante segredo que o marido de Preta Gil escondia enquanto ela lutava contra o câncer. O nome desse segredo era Ingrid Lima. E aquela mulher que apertava a mão de preta na os sessões de fotos, que ria com preta nos bastidores, que entrava na casa de preta como amiga, era a amante do marido de preta há meses, debaixo do nariz dela, dentro da própria casa. Mas se você acha que essa
é a parte mais nojenta da história, prepare-se, porque o que Rodrigo Godói fez nos meses seguintes é ainda pior. Inclui uma passagem de avião, um país estrangeiro e o momento em que Preta mais precisava dele. A descoberta da traição com Ingrid Lima foi apenas o começo, porque o que veio depois é o segundo segredo.
O segredo que faz a primeira traição parecer pequena. O segredo que envolve Rodrigo Godói escolhendo uma viagem em vez de escolher a esposa doente e uma desculpa que é, agora que sabemos a verdade a coisa mais perversa que um marido pode dar para a esposa em tratamento. A desculpa era a tal fobia de hospital, a frase que ele repetiu para preta, meses fio.
A frase que ela acreditou, a frase que ela defendeu na frente dos amigos. Mas em determinado momento de 2023, em uma das fases mais críticas do tratamento de preta, Rodrigo decidiu fazer uma viagem, e não foi uma viagem qualquer, foi uma viagem internacional para o Uruguai. Ele não foi sozinho, foi com Ingrid Lima, o homem que dizia ter fobia de hospital, que não conseguia ficar nem 5 minutos perto da esposa durante a quimioterapia.
embarcou em um voo internacional com a amante enquanto a esposa estava em casa fragilizada fazendo tratamento. A própria preta confirmou esse detalhe no livro Os Primeiros 50. Ela contou que Rodrigo preferiu viajar ao Uruguai a ficar ao lado dela e que ela só descobriu meses depois que ele tinha embarcado acompanhado da amante.
Imagine por um momento que essa mulher fosse a sua mãe e que o marido dela estivesse no Uruguai com a amante enquanto ela fazia quimioterapia em casa. Você consegue medir o tamanho da raiva que está sentindo agora? Multiplique por 1000. E você terá uma noção do que preta sentiu quando descobriu. Preta sentou.
Sentiu uma náusea que não era da quimioterapia. Sentiu o tipo de repulsa que vem quando você descobre que a pessoa em quem você confiava estava rindo de você o tempo inteiro. Foi nesse exato período que Preta tomou uma decisão que ela contaria meses depois em entrevista. disse com a voz dura: “Tirei o nome dele da minha identidade porque era terrível chegar num hotel ou hospital.
Foi uma história que começou de uma maneira muito linda, mas terminou de uma maneira muito trágica. Tirou o nome dele da identidade, foi a uma agência, pediu uma segunda via e literalmente apagou o sobrenome Godói do documento dela, como se ele nunca tivesse existido, mas existia. E existia em uma casa que Preta tinha financiado, em uma vida que Preta tinha sustentado, em uma carreira de influenciador que ele tinha construído usando o sobrenome dela.
Quando a separação se tornou pública, Rodrigo Godói começou a falar mal de preta nas redes sociais. Em agosto de 2024, ele postou que tinha sido ameaçado pela ex-esposa e usou o Instagram para detonar o livro de memórias que ela tinha lançado. Tentou se posicionar como vítima, tentou inverter o jogo, tentou dizer ao Brasil que era ele o injustiçado.
O Brasil não comprou, porque mulher com câncer não tem energia para inventar traição que não existiu. Mulher com câncer tem energia para sobreviver e mais nada. E quando essa mulher abre a boca para contar o que aconteceu, ela está contando porque precisa que alguém escute antes que seja tarde demais. Preta foi escutada. O livro Os Primeiros 50, lançado em 2024, ficou semanas no topo das vendas.
Nas páginas daquele livro, Preta detalhou, cena por cena tudo o que tinha acontecido. Detalhou o abandono, detalhou a descoberta, detalhou a viagem ao Uruguai, detalhou as crises de ansiedade que ela passou a ter depois e detalhou, com a precisão de quem sabia que estava deixando um registro definitivo, a frase que virou o resumo daquele período da vida dela.
Fiquei destroçada. Não conseguia dormir. Passei a ter crises de ansiedade e a ser medicada para controlá-las, destroçada, sem dormir, medicada para conseguir respirar. Enquanto isso, Rodrigo Godói postava nas redes sociais: “Praia, academia, fluminense, vida normal”. como se a mulher com quem ele tinha passado 8 anos não estivesse naquele mesmo momento, sendo destruída por dentro pelo câncer e pela traição.
Mas o livro de Preta não revelou tudo, porque tem coisas que ela não contou em vida, coisas que só amigos próximos sabem. E uma delas é o que aconteceu entre Rodrigo e Preta nos últimos meses, quando ele tentou voltar a falar com ela. Depois da separação pública, da descoberta da traição e do livro que ela lançou, Preta tentou seguir em frente, tentou se concentrar no tratamento, tentou se afastar do barulho, mas Rodrigo Godói ainda não tinha terminado de aparecer na vida dela.
meses depois do término, ele a procurou, quis conversar, marcou um encontro, preta foi e a conversa, segundo ela mesma contou em entrevista posterior, foi tudo menos uma reconciliação. Foi um encontro tenso, frio, sem espaço para perdão. As palavras dela foram diretas. A gente teve uma conversa nada boa há uns quro meses, mas não vejo mais a gente junto.
Nada boa. Foi o adjetivo que ela escolheu. E quem conhece o vocabulário cuidadoso de Preta Gil sabe que quando ela usa nada boa, o que ela está dizendo de verdade é que foi terrível. Rodrigo não voltou e em fevereiro de 2024 ele apareceu publicamente em um novo relacionamento. Já não estava com Ingrid Lima, a Stylist, com quem tinha traído preta.
Estava com outra mulher, cuja identidade ele se recusou a revelar nas redes sociais. O homem que tinha jurado o amor eterno para Preta Gil, que tinha gastado R 2 milhões de reais com ela em um casamento que tinha sido sustentado por ela durante 8 anos, estava em uma sequência de relacionamentos novos enquanto a ex-esposa fazia quimioterapia.
Mas aqui está a parte que machuca mais, porque enquanto Rodrigo Godói seguia em frente, o câncer de preta começou a fazer o caminho oposto. Em janeiro de 2024, depois de um ano inteiro de tratamento intensivo, Preta recebeu uma notícia que a fez chorar de alívio na frente dos médicos. O corpo dela estava, segundo o boletim oficial, livre de células cancerígenas.
O câncer tinha entrado em remissão. Era o tipo de notícia que muda uma vida. Preta postou nas redes sociais, agradeceu aos médicos, à família, aos amigos que tinham segurado a mão dela durante o tratamento. Voltou a sorrir nas fotos e em maio daquele mesmo ano voltou a fazer um show. Foi pequeno, só para gente próxima, em um espaço fechado.
Mas foi um show. Era a preta Gil de volta. Era o sinal de que ela tinha vencido. O sinal era falso. Em agosto de 2024, 7 meses depois da remissão, Preta foi a uma consulta de rotina. Era um exame que ela fazia para acompanhar a recuperação. Era para ser só uma formalidade, não foi. O médico olhou para o resultado, olhou para a preta e disse, com a voz que médico usa quando precisa dar a pior notícia da carreira, que o câncer tinha voltado, não em um lugar, em quatro partes do corpo dela.
metástase, a palavra que toda paciente de câncer reza para não ouvir. Preta chorou em silêncio dentro do consultório, saiu de lá em estado de choque e começou ali mesmo a calcular quanto tempo ela ainda tinha. O que veio nos meses seguintes foi a fase mais brutal do tratamento. Nas vésperas do Natal de 2024, preta foi submetida a uma das maiores cirurgias da vida dela.
A operação durou quase 24 horas. Os médicos tiveram que retirar o reto inteiro. Preta passou a usar uma bolsa deostomia, um equipamento médico permanente que ficava ligado ao corpo dela para substituir uma função básica que ela tinha perdido. 24 horas de cirurgia aos 50 anos sem o marido ao lado. E enquanto Preta lutava nessa sala de cirurgia, Rodrigo Godói continuava postando fotos de academia, de praia, de viagens, como se a mulher que ele tinha jurado amar até a morte não estivesse naquele exato momento, sendo cortada por dentro para
tentar sobreviver mais alguns meses. Preta sobreviveu àquela cirurgia, mas não estava bem. O corpo dela tinha mudado. O cabelo já não voltava como antes. A bolsa deostomia era um lembrete constante de que o câncer tinha tirado dela algo que não voltaria. E a energia que tinha feito ela ser pretagil estava se apagando dia após dia.
E mesmo assim ela continuou, cantou, apareceu em entrevistas, postou para os fãs, abraçou a única neta, Sol de Maria, sempre que pôde. Lançou em 2024 a autobiografia que ela tinha escrito, sabendo que talvez não vivesse para promover. O livro era a despedida dela, era o registro definitivo, era a verdade dela contada por ela mesma antes que outros viessem contar a aversão deles.
Em maio de 2025, depois de meses tentando todos os tratamentos disponíveis no Brasil, a família tomou uma decisão difícil. Iam levar preta para os Estados Unidos. Existia em um hospital de Nova York um tratamento experimental que ainda não estava disponível no Brasil. Era a última esperança. O custo divulgado pela imprensa ultrapassou os R milhões deais.
30 milhões para tentar comprar mais alguns meses. Preta embarcou em maio. Foi com a madrasta Flora Gil e com pessoas próximas da família. Gilberto Gil, com 83 anos, fez a viagem pouco depois. O filho Francisco também. A família se mudou parcialmente para Nova York, com a esperança de que aquele tratamento experimental fizesse o milagre. O milagre não veio.
Os primeiros exames em Nova York deixaram os médicos americanos otimistas. Era o que a imprensa publicava no início de junho. A família mantinha a esperança. Preta postou um vídeo com o filho e a neta sorrindo de dentro do apartamento em Manhattan, onde estavam hospedados. Foi a última publicação dela nas redes sociais.
Em meiados de julho, depois de uma sessão de quimioterapia intensa, preta começou a passar mal. Os médicos tentaram estabilizar. O quadro piorou. A doença naquele momento já tinha se espalhado pelo corpo inteiro. Era irreversível. A família tentou trazer Preta de volta ao Brasil para que ela morresse perto de casa.
Estava tudo organizado para o voo, com maca e cuidados intensivos durante a viagem, mas preta passou mal dentro da ambulância que a levava para o aeroporto. Os médicos pararam o trajeto, tentaram reanimar, não conseguiram. No dia 20 de julho de 2025, Preta Maria Gadelha Gil Moreira morreu em uma ambulância em Nova York, longe da Bahia que ela amava.
longe do palco que tinha sido o lar dela. Tinha 50 anos. E no dia em que ela morreu, o homem que tinha jurado 10 anos antes, em uma cerimônia de R$ 2 milhões deais que ia ficar com ela na saúde e na doença, não estava lá. estava no Brasil postando nas redes sociais como se nada tivesse acontecido.
A notícia da morte caiu sobre o Brasil em uma tarde de domingo. A assessoria de preta publicou um comunicado curto, sem detalhes, dizendo apenas que ela tinha morrido durante o tratamento nos Estados Unidos. As redes sociais explodiram, as manchetes vieram em segundos. Famosos começaram a postar homenagens em sequência de Ivete Sangalo a Carolina Dickman, de Fernanda Souza ao próprio Caetano Veloso, sobrinho de coração de preta, que escreveu um texto público sobre a perda.
Gilberto Gil postou uma nota oficial. Flora Gil, madrasta de preta, escreveu uma despedida emocionante nas redes, terminando com duas palavras que ficaram marcadas. E agora? E agora era a pergunta que toda a família que perde alguém amado faz no segundo seguinte ao último suspiro. O corpo de preta foi repatriado para o Brasil.
O velório aconteceu no Rio de Janeiro, aberto ao público, com filas que se estenderam por quarteirões. Fãs choraram nas calçadas, famosos passaram pela urna. Gilberto Gil, com a postura de quem segura a dignidade nos piores dias da vida, recebeu cada pessoa que veio se despedir da filha. Rodrigo Godói não foi visto no velório, não publicou homenagem, não comentou a morte da mulher com quem tinha passado 8 anos da vida.
O silêncio dele foi notado pelo Brasil inteiro, mas o silêncio do ex-marido não foi o maior escândalo daquela semana. Maior escândalo veio uma semana depois e veio de um lugar que ninguém esperava. No dia 27 de julho de 2025, 7 dias depois da morte de Preta, em uma missa transmitida ao vivo pelo YouTube da paróquia de São José, na cidade de Areial, na Paraíba, um padre subiu ao altar para fazer a homilia daquele domingo.
O nome dele era Danilo César, pertencia à diocese de Campina Grande. estava na paróquia desde janeiro de 2021. Durante a pregação, o padre começou a falar sobre fé e sofrimento, sobre pedidos que os fiéis fazem a Deus e que nem sempre são atendidos. E foi nesse momento que ele citou pelo nome a artista que tinha morrido sete dias antes.
O padre disse com as palavras dele: “Eu peço saúde, mas não alcanço saúde”. É porque Deus sabe o que faz. Ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás. Cadê esses orixás que não ressuscitaram Pretagil? Já enterraram? Cadê esses orixás que não ressuscitaram Pretagil? Foram as palavras de um padre no altar s dias depois de uma mulher de 50 anos morrer de câncer.
O vídeo viralizou em horas. O Brasil reagiu, a família Gil reagiu. Gilberto Gil, com 83 anos, na semana mais difícil da vida dele, foi obrigado a se manifestar publicamente sobre um padre que tinha debochado da morte da filha dele. A família entrou com uma ação judicial pedindo indenização de R$ 370.000 R por intolerância religiosa.
O documento divulgado pelo portal Hugo Gloss acusava o padre de ter desqualificado as religiões de matriz africana, de ter expressado desejo de que o diabo levasse os praticantes e de ter debochado da fé que Preta e o pai dela professam. O padre Danilo César desativou as redes sociais, foi ouvido pela Polícia Civil, negou as acusações, disse que estava apenas pregando a fé católica para fiéis católicos e que não tinham a intenção de desrespeitar a memória de Pretagil.
Mas o vídeo estava lá gravado, transmitido ao vivo, s dias depois da morte de uma mulher. E aqui é onde tudo se conecta, porque a história de Pretagil não é uma história, são várias e todas elas, no fundo, são a mesma história. Pretagil nasceu em um cartório onde tentaram apagar o nome dela. Cresceu em uma família onde se sentia diferente até dos próprios irmãos.
Passou a vida procurando um homem que a escolhesse. Encontrou Rodrigo Godói e acreditou que era ele. Foi traída por ele com uma mulher que ela tinha contratado. Foi abandonada por ele no momento em que mais precisou. Foi humilhada publicamente quando ele tentou inverter a narrativa. Morreu sem reconciliação e sete dias depois da morte foi debochada do altar de uma igreja por um padre.
que tinha problema com a religião que a família dela profess. Cada coisa que preta foi na vida, alguém tentou apagar. O nome dela quase não saiu do cartório. O corpo dela foi atacado pela gordofobia que ela combateu a vida inteira. O casamento dela terminou com a pior traição que uma mulher doente pode receber.
A dignidade dela foi atacada nas redes sociais do ex-marido e a fé dela foi debochada no altar de uma igreja sete dias depois do enterro. Mas mesmo depois de tudo isso, Preta Gil deixou para trás um livro com a verdade dela, um filho que canta como o avô, uma neta de 9 anos com o nome Sol de Maria, uma fortuna de mais de 20 milhões de reais que vai sustentar essas duas crianças pelo resto da vida.
E uma frase que ela escreveu antes de morrer e que talvez seja o melhor resumo da vida que ela teve. A frase era: “Eu sinto medo, mas também tenho muita coragem”. É uma dualidade que pode parecer estranha e por mais que eu me amedronte, tenho um impulso que me faz ir para a frente. Coragem é a palavra que melhor define preta Gil.
Ela teve coragem para usar o nome que tentaram apagar para pousar nua na capa de um disco que falava do corpo gordo para dizer publicamente que era bissexual em um país conservador para liderar um bloco de carnaval com 750.000 pessoas e para abrir o livro da vida dela, mostrando a traição do marido, mesmo sabendo que isso a expunha como vítima, teve coragem para morrer aos 50 anos sem perdoar quem não merecia perdão.
Rodrigo Godói continua vivo, continua postando nas redes sociais com 631.000 seguidores no Instagram e até hoje, quase um ano depois da morte de Preta Gil, não pediu desculpas, não reconheceu o que fez, não escreveu uma linha sobre a mulher com quem passou os anos mais públicos da vida dele. Talvez nunca peça, porque o tipo de homem capaz de viajar ao Uruguai com a amante enquanto a esposa faz quimioterapia é o tipo de homem que aprendeu a olhar para o próprio reflexo sem se reconhecer no que vê.
E essa, no fim das contas, é a maior diferença entre Preta e Rodrigo. Ela olhou no espelho durante 50 anos, viu o que doía, escreveu sobre isso. Ele olhou no espelho durante uma década e ainda não viu. Tem uma coisa que a história de Pretagil ensina e que vale a pena guardar. Toda mulher que já amou um homem errado conhece a sensação de empurrar o radar para baixo.
Conhece a vontade de acreditar que está paranoica em vez de aceitar que está sendo enganada. conhece a dor de descobrir que a pessoa em quem confiou dentro da própria casa estava rindo dela. O que preta nos deixou foi o livro, foi a entrevista, foi a coragem de contar tudo com o nome do homem ao lado da frase: “Fiquei destroçada”.
Ela podia ter morrido em silêncio. Podia ter protegido a imagem de um casamento que já não existia. podia ter levado a verdade para o túmulo, não levou. E é por isso que estamos contando essa história hoje, porque alguém precisa lembrar em voz alta que existem mulheres que morrem sendo traídas e ainda assim deixam o registro escrito da própria dignidade e que existem outras mulheres neste exato momento dentro de casas onde o marido tem fobia de hospital e fobia de presença, vivendo a mesma história sem conseguir nomeá-la. Se você está
assistindo isso e conhece uma mulher assim, manda esse história para ela hoje à noite. Manda sem aviso prévio, sem comentário, sem explicação, porque às vezes a pessoa que mais precisa ouvir uma história não consegue contar a própria e precisa ver a história de outra mulher para finalmente acreditar no radar que vem gritando dentro dela há meses.
Se essa história te tocou, se inscreva no canal, porque a gente continua aqui contando o que ninguém se atreve a contar.