EXPLODIU um AVIÃO para FICAR VIÚVO – ATENTADO VOO 108

chamaram por sobreviventes e procuraram qualquer sinal de vida, mas as 23 pessoas que estavam a bordo tinham morrido. Entre as vítimas estavam famílias com crianças, trabalhadores, executivos e os quatro tripulantes. O comandante Pierre Loran tinha 30 anos, havia sobrevivido a missões de bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial e deixava da esposa grávida e um filho pequeno.

Gertrud McCay, chefe das comissárias, tentava reconstruir a vida em Montreal depois da morte do marido. Também morreram os integrantes da família Chabó, um casal que voltava de férias com o bebê e três importantes dirigentes da empresa norte-americana Kencott Copper. Naquela manhã, pessoas que não se conheciam embarcaram no mesmo avião por motivos comuns.

Algumas viajavam a trabalho, outras voltavam para casa. Nenhuma tinha qualquer participação no conflito pessoal que, aos poucos, surgiria no centro da investigação. A investigação começou imediatamente. A polícia de Quebec chegou para proteger o local e representantes da Real Polícia Montada do Canadá, do Departamento de Transportes e da Própria Companhia aérea começaram a examinar os destroços.

A princípio, a queda ainda podia ter sido provocada por uma falha mecânica, um problema elétrico ou combustível incendiado.  O estado da aeronave, porém, contrariava essas hipóteses. As baterias estavam intactas, o combustível não havia queimado e os motores continuavam funcionando quando o avião atingiu o solo.

Embora o impacto tivesse lançado os passageiros para a frente, fragmentos foram encontrados na parte traseira da cabine. Isso indicava que uma força violenta tinha agido no sentido contrário antes da colisão. Os primeiros homens que chegaram à encosta também relataram um cheiro semelhante ao da dinamite. O explosivo era conhecido naquela região, onde costumava ser utilizado em obras e na remoção de grandes tocos de árvores.

Não fazia parte da estrutura de um avião e não estava autorizado como carga no voo 108. Ainda assim, as autoridades precisavam descobrir se o odor realmente vinha de um artefato ou se havia outra explicação. A presença dos três executivos da Kennecot Copper levou a uma suspeita inicial de sabotagem comercial.

Talvez um deles fosse o alvo ou alguém pretendesse atingir os interesses da companhia. Naquele momento, uma conspiração contra empresários importantes parecia mais provável do que a verdadeira motivação. A primeira pista concreta veio do compartimento dianteiro de bagagens, onde os danos eram mais intensos. Ali deveriam estar malas, máquinas de escrever e três encomendas enviadas pelo serviço aéreo expresso.

Duas tinham conteúdo identificado. A terceira pesava cerca de 11 kg e havia sido despachada sem que seu conteúdo fosse informado. No documento de envio, o remetente aparecia como Delfis Bchar de San Simeon. O destinatário era Alfred Pluff de Baik Comouu. A polícia descobriu que Alfred não existia.

Delfs era um vigia noturno real, mas não sabia nada sobre a encomenda e não tinha qualquer relação com o voo. Os funcionários do aeroporto se lembraram de que uma mulher de cabelos escuros, vestida de preto e com aproximadamente 40 anos, tinha chegado de táxi pouco antes da decolagem. Ela carregava uma caixa pesada com a palavra frágil escrita em vermelho e insistiu para que o pacote seguisse naquela aeronave.

A investigação já não procurava apenas a causa da queda, procurava a mulher que tinha levado à encomenda e a pessoa que deveria recebê-la. A lista de passageiros também passou a ser examinada. Foi assim que um nome aparentemente comum começou a chamar atenção. Rita Morel Gai, esposa de um joalheiro da cidade de Quebeque. Rita não tinha planejado aquela viagem.

Seu marido, Joseph Albert Gay, disse que tinha deixado duas malas com joias em Baik Comomu e pediu que ela fosse buscá-las. Dentro da bolsa da vítima, os investigadores encontraram os comprovantes correspondentes, o que mostrava que ela acreditava estar cumprindo uma tarefa legítima. Pouco depois da queda, Albert foi ao Chateau Fonenac, onde a passagem tinha sido comprada, e perguntou se o avião de Rita era aquele que havia caído.

Ao receber a confirmação, chorou com tanta intensidade que chamaram um padre para acalmá-lo. No dia seguinte, tentou chegar ao local do desastre, acompanhado por familiares da esposa, mas a polícia não permitiu que o grupo se aproximasse dos destroços. No necrotéreo, Albert afirmou que não suportava reconhecer o corpo e um cunhado precisou fazer a identificação.

Depois, organizou um funeral caro e cercado de demonstrações públicas de sofrimento. Comprou um caixão de 800, uma coroa em nome da filha e uma grande cruz de rosas com a inscrição de seu amado Albert. O luto intenso podia parecer a reação de um marido destruído. Para os amigos que conheciam os problemas do casamento, entretanto, aquela exibição causou estranheza.

Roger Lemelan, repórter, escritor e vizinho do casal, ouviu pelo rádio que Rita estava entre os mortos e quase imediatamente pensou que Albert poderia ter alguma ligação com a explosão. Outro detalhe tornou a posição do viúvo ainda mais delicada. Havia uma pólice de seguro de viagem no valor de 10.

000, 000, uma quantia elevada para a época, e Albert era o beneficiário. Além disso, ele procurou um advogado para saber se poderia processar a companhia aérea. O dinheiro já seria suficiente para despertar perguntas, mas a polícia encontrou um motivo ainda mais pessoal. Albert mantinha havia quase do anos um relacionamento com Marie Ange Robitai, uma garçonete adolescente.

Poucos meses antes da queda tinha sido preso depois de ameaçá-la com uma arma. A esposa morta, a amante, o seguro e o pacote enviado sob nomes falsos começaram a transformar o viúvo inconsolável no principal suspeito. Para entender como a investigação chegou até ele, era necessário reconstruir o casamento que tentava apresentar como feliz e a sequência de decisões que tomou para continuar ao lado de Mariange.

Joseph Albert Gai nasceu em 1917 em Char e perdeu o pai em um acidente ferroviário quando tinha [música] 5 anos. Cresceu ambicioso, vaidoso e acostumado a conseguir o que desejava. Ainda jovem, começou a vender relógios e joias. Em 1941, enquanto trabalhava em um arsenal, conheceu Rita Morel, de 21 anos.

Albert se mostrava elegante, atencioso e cheio de planos. Os dois se casaram em agosto daquele ano com a aprovação da família dela. O emprego no arsenal evitou que ele fosse enviado ao exterior durante a guerra. Em 1944, deixou o trabalho para vender joias em tempo integral na região da Cotnor. O casal se mudou para Septil e a filha Liz nasceu em 1945.

Albert tentou abrir uma joalheria, mas o empreendimento não teve o sucesso que ele imaginava. A família voltou para a cidade de Quebec, onde ele abriu outro estabelecimento e passou a morar com Rita e Liz em um apartamento pequeno atrás da loja. Embora mantivesse a aparência de comerciante charmoso e promissor, acumulava frustrações, dívidas e planos comerciais que não se realizavam.

O casamento também se desgastou. Rita dedicava grande parte do tempo à filha e Albert não aceitava deixar de ser o centro das atenções. As discussões se tornaram frequentes. Ele era ciumento, mudava de humor com facilidade e tratava as esposa de forma irresponsável. Rita, [música] porém, não sabia que o problema já ultrapassava as brigas domésticas.

Em 1947, durante uma passagem pela cidade de Quebec, Albert conheceu Marie Ange Robita, uma garçonete de 17 anos. >> Albert tinha aproximadamente 30. Para a família da jovem, apresentou-se como Roger Anger, um homem solteiro e promissor. Mariange, porém, sabia que ele era casado e tinha uma filha.

Os dois iniciaram um relacionamento clandestino. Como Alberjava frequentemente entre Quebec e Septil, os encontros se encaixavam em sua rotina profissional. Depois de cerca de um ano, ele levou a esposa e a filha de volta à cidade de Quebeque, o que também facilitou sua proximidade com a amante. Em novembro de 1948, Rita descobriu a traição, foi até a casa dos pais de Mariange e exigiu que a jovem parasse de ver seu marido.

A reação da família refletiu a rigidez moral de Quebec naquele período. Em vez de acolher a filha, os pais a expulsaram de casa naquela mesma noite. Sem ter para onde ir, Mariange telefonou para Albert. Ele recorreu à amiga Marguerite Peter, que concordou em acolher a jovem no imóvel onde vivia, na rua Richelier.

Mariange se mudou para lá ainda naquela madrugada. Cerca de uma semana depois, Marguerite deixou o apartamento, mas a adolescente permaneceu no local e Albert passou a pagar o aluguel. Marguerite já conhecia o joalheiro havia anos e também tinha ajudado a encobrir alguns de seus encontros com a amante.

Os pais de Mariange logo se arrependeram da expulsão e tentaram convencê-la a voltar. No início de 1949, a jovem também decidiu romper com Albert e retornar para a família, mas ele a seguiu até o trem e a obrigou a abandonar a viagem. Meses depois, ela finalmente voltou para a casa dos pais e conseguiu emprego em outro restaurante.

Foi quando Albert a abordou na rua com uma arma e ameaçou matar a jovem e depois tirar a própria vida caso ela não reatasse o relacionamento. Depois disso, Albert passou a culpar Rita pelas dificuldades de sua relação com Mariange. Ele havia mentido para a esposa, mentido sobre a própria identidade e mantido um relacionamento clandestino, mas preferiu transformar Rita no obstáculo que o impedia de viver como desejava.

Na Quebec profundamente católica do fim da década de 1940, praticamente não se pensava em divórcio como uma solução comum. O fim de um casamento era condenado socialmente e podia depender de um processo caro e inacessível. Para Albert, assumir a separação significaria enfrentar a família, a igreja, o escândalo provocado pela amante adolescente e as possíveis consequências financeiras.

Como o divórcio estava fora de questão para ele, decidiu dar fim à esposa. Em meio a tantos crimes cometidos contra cônjuges, teria sido mais um assassinato covarde e infame. Albert, no entanto, ainda conseguiu tornar sua decisão muito mais perversa ao considerar que dezenas de pessoas desconhecidas também poderiam morrer, desde que isso ajudasse a esconder seu verdadeiro alvo.

Antes de chegar ao atentado, tentou resolver o problema de forma mais discreta. ofereceu dólares ao amigo Lucien Caron para colocar veneno no vinho de cereja de Rita, sua bebida preferida. Lucian recusou. Albert poderia ter recuado, mas apenas passou a procurar alguém mais disposto [música] e um método que afastasse dele qualquer suspeita.

Foi então que, em 7 de maio de 1949, uma notícia publicada do outro lado do mundo lhe apresentou uma possibilidade. Um avião da Filipina Airlines tinha explodido perto de Manila nas Filipinas, matando 13 pessoas. A bomba havia sido colocada a bordo para eliminar o marido de uma mulher envolvida com outro homem.

Os responsáveis queriam matar apenas um passageiro, mas aceitaram a morte de todos os demais para que o crime parecesse uma tragédia aérea. Albert não recebeu aquela notícia com o horror esperado. Enxergou nela um modelo que poderia copiar.  Como viajava frequentemente a trabalho, conhecia a rota aérea sobre o rio São Lourenço e entendeu que uma bomba relógio poderia matar Rita, destruir o avião e levar as provas para o fundo da água.

Era um plano inescrupuloso, porque a morte dos outros passageiros não aparecia como um efeito indesejado. Fazia parte do disfarce. Um policial ouviu a discussão com Marriange e se aproximou. Albert fugiu, mas apareceu mais tarde no restaurante onde ela trabalhava e foi preso. A acusação foi reduzida para porte ilegal de arma e ele saiu na manhã seguinte.

Depois de pagar uma multa de 25. Marguerite Pitre conseguiu o advogado que o ajudou naquele episódio. Quando Albert se encontrava em dificuldades, recorria a ela e Marguerite atendia. Pouco tempo depois, essa disposição seria usada para algo muito mais grave. Para construir o mecanismo de tempo, Albert procurou Genermão de Marguerit, e um dos melhores relojiros de Quebec.

Os dois mantinham uma relação comercial havia anos. Gener consertava os relógios que Albert revendia e dominava exatamente o tipo de mecanismo necessário para acionar uma bomba sem que ninguém estivesse por perto. Mais tarde, alegou que Albert tinha pedido um dispositivo destinado a remover grandes tocos de árvores. Coube a Marguerite comprar o explosivo.

Ela foi à loja de ferragem Samson Etfilion e adquiriu dinamite, estopim e espoletas. Em uma das reconstruções foram aproximadamente 4,5 kg de dinamite e 19 espoletas. A compra custou pouco mais de 6. O acesso ao material era muito mais simples do que seria hoje e a justificativa de arrancar tocos não parecia absurda.

Marguerite, que devia 600 a Albert, ficou responsável por conseguir o explosivo e levar a encomenda ao aeroporto. Enquanto os irmãos providenciavam os componentes, Albert estudava a rota. Ele levou Rita para Septem em uma viagem que apresentou como tentativa de reconciliação. Durante o percurso, observou repetidamente o relógio.

Queria saber quanto tempo o avião levava para alcançar o trecho sobre o rio. Para Rita, aquela viagem indicava que o casamento talvez ainda pudesse ser salvo. Para Albert, era um ensaio. Ele estava usando a presença da própria esposa para calcular o melhor momento de matá-la. Depois convenceu Rita a viajar novamente, desta vez sozinha até Baikomou.

Disse que duas malas cheias de joias tinham ficado na cidade e precisavam ser recuperadas. Na manhã de 9 de setembro, Rita embarcou. Marguerite pegou um táxi levando uma caixa pesada marcada com a palavra frágil em vermelho. Chegou pouco antes da decolagem e despachou o pacote pelo serviço aéreo expresso.

No formulário, o remetente foi registrado como Delfis Bouchar de San Simeon. O destinatário seria Alfredoff de Bai Comu. Alfred não existia. Delfis, por outro lado, era uma pessoa real, um vigia noturno que não tinha qualquer ligação com o crime. Aparentemente, seu nome tinha sido escolhido ao acaso. Albert calculava que o voo partiria por volta das 10:15.

O temporizador foi ajustado para as 10:45. 30 minutos seriam suficientes para que o DC3 alcançasse o trecho sobre o rio. A explosão destruiria o avião. Rita morreria com os demais passageiros e as provas afundariam. Havia crueldade também na escolha do método. Albert conhecia o atentado das Filipinas e sabia que uma bomba não mataria apenas a pessoa que desejava eliminar.

Ele não estava aceitando um risco abstrato. Estava incluindo deliberadamente passageiros e tripulantes na conta para dar a morte da esposa à aparência de uma tragédia coletiva. O voo decolou com 5 minutos de atraso. Quando o relógio marcou 10:45, a aeronave ainda não havia alcançado o ponto previsto sobre a água. Foi uma diferença mínima para qualquer passageiro, [música] mas suficiente para arruinar a parte mais importante do plano.

A bomba explodiu no compartimento número um. O avião perdeu o controle e atingiu o capturmente. Rita morreu. O objetivo imediato foi consumado, mas a etapa destinada a ocultar [música] o crime fracassou. Os destroços permaneceram em terra ao alcance dos investigadores. O nome da mulher que tinha levado à caixa ainda não era conhecido, mas os registros dos táxis  permitiram localizar Paul Henrietier, o motorista que a transportou.

Ele se lembrava do pacote pesado da palavra frágil escrita em vermelho e de um detalhe na conversa.>> A passageira chamou o Chateau Fronenac apenas de o Chatô, maneira comum entre moradores da cidade de Quebec. Portanto, não parecia alguém que tinha chegado de outra região apenas para despachar uma encomenda.

Os investigadores procuraram Mariange e perguntaram se alguém ligado a Albert correspondia à aquela descrição. Ela identificou Margerit Pitra. A polícia passou a observar a casa de Marguerit e levou o taxista para reconhecê-la. Quando ela apareceu usando óculos escuros, Peletier disse que se parecia com a passageira, embora ainda não tivesse certeza absoluta.

Os investigadores decidiram esperar por provas adicionais. O taxista, porém, contou a história aos repórteres. Quando os jornais publicaram que a mulher do pacote podia ser identificada, Albert percebeu que a investigação se aproximava. Ele foi à casa de Marguerite e apresentou um último plano. Queria que ela tirasse a própria vida e deixasse uma carta assumindo a bomba.

Na versão sugerida por Albert, Marguerite afirmaria que pensava que ele estaria naquele voo e que tinha preparado o atentado para matá-lo. Era uma tentativa de eliminar uma testemunha e fabricar uma culpada que não poderia ser interrogada. Marguerite ingeriu comprimidos, mas sobreviveu. Os relatos divergem sobre a gravidade da tentativa, embora concordem que ela foi levada ao hospital e não escreveu a carta exigida.

Uma amiga soube da proposta e a história chegou às autoridades. Interrogada, Marguerite admitiu que havia levado o pacote ao aeroporto a pedido de Albert. Disse que ele tinha garantido que a caixa continha uma estátua frágil da Virgem Maria. A explicação criava mais problemas do que resolvia. Uma estátua não precisava ser enviada sob nomes falsos.

Marguerite conhecia a origem dos explosivos e era irmã do homem que havia fabricado o temporizador. Ainda assim, determinar exatamente o que cada participante sabia seria uma das questões centrais dos julgamentos. Joseph Albert Gu foi preso em 23 de setembro de 1949, duas semanas depois da queda. Na prisão masculina da cidade de Quebec, contou a um companheiro de cela que Gener West, o melhor relojiro da cidade, tinha construído o mecanismo.

O homem que o escutava era um policial infiltrado. Gener foi preso. admitiu ter construído o dispositivo e explicou seu funcionamento, mas insistiu que acreditava na história dos tocos de árvores. Para a acusação, a complexidade do mecanismo, sua ligação com Marguerite e as promessas envolvendo o dinheiro demonstravam que ele compreendia o verdadeiro objetivo.

A investigação finalmente ligava todas as etapas. Albert tinha o motivo amoroso e financeiro. Já havia tentado contratar alguém para envenenar Rita. tinha encontrado inspiração em um atentado semelhante e cronometrado à rota. Gener construiu o temporizador. Marguerite comprou a dinamite e despachou o pacote com nomes falsos.

Rita foi enviada para buscar joias e o seguro oferecia uma recompensa. Por fim, o atraso do voo manteve em terra as provas que o rio deveria esconder. Os vestígios retirados dos destroços também passaram por testes laboratoriais. Tecidos semelhantes aos encontrados nas malas foram submetidos a explosões com dinamite, gasolina, pólvora e outros materiais.

Somente a dinamite produziu depósitos compatíveis com aqueles recuperados do avião. A investigação já não dependia apenas de depoimentos. A própria aeronave confirmava que um explosivo tinha sido colocado no compartimento de bagagens. O julgamento de Albert começou em 24 de fevereiro de 1950. e durou aproximadamente duas semanas e meia.

82 testemunhas depuseram, entre elas Marguerit, Generu e Mariange. A jovem, por quem Albert dizia estar disposto a abandonar tudo, testemunhou contra ele e afirmou que já não o amava. A acusação não dependia de uma única confissão. Apresentou uma cadeia de fatos. As ameaças anteriores, a proposta de envenenamento, a amante, a police, a compra da dinamite, o mecanismo de relógio, o pacote com nomes falsos, o depoimento do taxista e a tentativa de fazer Marguerite morrer assumindo o crime.

Depois de ouvir todas as provas, o júri precisou de apenas 17 minutos para considerar Albert culpado. Ao anunciar a pena de morte por enforcamento, o juiz classificou o crime como infame e afirmou que aquilo não tinha nome. Após a condenação, Albert ainda tentou mudar sua posição. Primeiro, declarou que Margerit e Gener teriam substituído uma encomenda comum pelo pacote explosivo.

Depois, acusou os dois de conhecerem toda a conspiração e se mostrou disposto a testemunhar contra eles. As declarações prolongaram o caso, mas não alteraram seu destino. Albert decidiu não recorrer da sentença. Disse que se não pudesse viver com Mariange, preferia morrer. Foi executado em 12 de janeiro de 1951, aos 33 anos.

Suas últimas palavras teriam [música] sido: “Pelo menos morro famoso”. A frase retomava a ambição que ele demonstrava desde jovem. Albert queria dinheiro, reconhecimento e uma vida construída segundo suas vontades. Terminou conhecido não como o comerciante bem-sucedido que imaginava ser, mas como o responsável por um dos crimes mais graves da história da aviação canadense.

O fim de Albert não encerrou o caso. Generest foi julgado separadamente. A acusação sustentou que sua participação não tinha se limitado a um serviço inocente de relojoaria, pois ele havia criado o mecanismo capaz de acionar a dinamite. Generor foi condenado por assassinato e recebeu a pena de morte. Marguerite também respondeu por assassinato.

Seu papel era mais visível. Tinha comprado os explosivos e colocado a caixa no sistema de bagagens usando identidades falsas.  A defesa insistiu que ela acreditava transportar uma estátua, mas o júri não aceitou que desconhecesse o plano. Em 6 de março de 1951, foi considerada culpada e condenada ao enforcamento.

Generu e Marguerrit recorreram ao Tribunal de Apelação da Província e depois à Suprema Corte do Canadá. Os recursos foram rejeitados. Generur foi executado em 25 de julho de 1952 aos 54 anos. Marguerite foi enforcada em 9 de janeiro de 1953, aos 44 ou 45 anos, conforme a data de nascimento adotada. Tornou-se a 13ª e última mulher executada no Canadá.

Mariange não foi condenada pelo atentado. Ela fazia parte da motivação de Albert, mas não houve prova de participação no plano. Rita, por sua vez, era uma mulher de aproximadamente 30 anos, mãe de Lizy, que acreditou numa reconciliação e embarcou para ajudar o marido. O plano dependia dessa confiança.

Também é importante separar motivo de responsabilidade. A dificuldade do divórcio explica o contexto social, mas não explica moralmente o crime. As dívidas ajudam a compreender a pressão financeira, mas não obrigavam Albert a matar.  A relação com Mariange mostra o que ele desejava, mas não transforma a adolescente na autora do atentado.

A decisão de eliminar Rita e aceitar a morte de outras 22 pessoas pertenceu a quem transformou seus problemas em um projeto homicida. Se o voo tivesse partido no horário calculado, a bomba provavelmente teria explodido sobre o rio São Lourenço. Grande parte da aeronave poderia ter desaparecido sob a água.

Sem o pacote recuperável, sem a concentração dos danos e sem tantos vestígios em terra, a morte de Rita talvez fosse registrada apenas como parte de um desastre aéreo inexplicável. Albert poderia receber o seguro, manter a imagem de viúvo e tentar reconstruir a vida ao lado de Mariange. O plano teria funcionado se o avião não tivesse partido 5 minutos depois do horário.

O temporizador seguiu a programação, mas o atraso manteve a aeronave sobre a floresta e rompeu a fantasia de controle de Albert. Ele havia estudado a rota, calculado o minuto da explosão e distribuído tarefas para se manter distante da bomba, mas não conseguiu prever uma ocorrência tão comum quanto uma pequena demora na decolagem.

O atentado contra o voo 108 não foi a história de um homem que perdeu o controle por alguns segundos. Entre o desejo e a explosão existiram propostas recusadas, uma notícia usada como inspiração, compras, testes, mentiras, nomes falsos e várias oportunidades de desistir. Albert continuou porque cada nova etapa o aproximava da vida que julgava merecer, ainda que o preço fosse a morte de dezenas de inocentes.

No final, 23 pessoas morreram no Cap Tourment. Três envolvidos foram condenados e executados. Uma menina perdeu a mãe e o pai. Famílias inteiras foram destruídas. Tudo porque um homem incapaz de aceitar limites decidiu que sua esposa, os passageiros, a tripulação e até os próprios cúmplices podiam ser sacrificados para que ele começasse outra vida.

Albert acreditou que havia planejado um crime sem testemunhas. Esqueceu que em uma trama construída sobre tantas pessoas, objetos e movimentos, cada etapa produz alguém que viu, algo que ficou registrado ou um detalhe que não pode ser controlado. no voo 108, esse detalhe foi um atraso de poucos minutos, tempo suficiente para que o avião não chegasse ao rio e para que uma história criada para terminar no fundo da água tivesse o autor e um plano nefasto descoberto e que o afundou por completo.

Na opinião de vocês, Mariange realmente não sabia de nada ou em algum momento percebeu até onde Albert seria capaz de ir para continuar ao lado dela. Obrigado por nos acompanharem até aqui e até o próximo história.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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