“Eu vou chegar e vou arrancar a sua cabeça na frente da sua mãe e do seu pai”: A história da mulher que usou o sinal silencioso para escapar de um pesadelo e o desdobramento revoltante do caso no Paraná.
Na pacata cidade de Pitanga, com pouco mais de 34 mil habitantes, localizada na região centro-sul do Paraná, um gesto silencioso gravado por câmeras de segurança transformou-se no único divisor entre a vida e a morte de uma mulher. Caminhando pela rua ao lado de seu ex-companheiro, Diego Henrique Marques, de 29 anos, a vítima escondia o braço nas costas e exibia repetidamente a palma da mão aberta, dobrando o polegar e fechando os outros quatro dedos sobre ele. O movimento, reconhecido internacionalmente como o sinal universal de pedido de socorro contra a violência doméstica, foi a saída desesperada encontrada por quem viveu quatro horas ininterruptas de agressões e cárcere privado.

O pedido de socorro e o resgate na via pública
A cena aparentava ser uma caminhada comum, mas a vítima estava sob constante ameaça. Após ser agredida e trancada em casa por causa de ciúmes obsessivos, ela foi forçada a ir até a residência de seu atual namorado. Sem espaço para correr ou gritar, o sinal feito para cada veículo que se aproximava tornou-se sua única esperança. “Aquele momento para mim era a única forma de alguém poder me ajudar a me salvar. Se não fosse aquele gesto, ele ia me matar”, desabafou a mulher ao lembrar da angústia de não saber se alguém entenderia o código.
A salvação veio quando três ocupantes de um carro reconheceram o apelo e pararam na rua. Demonstrando coragem e solidariedade, os homens conseguiram intervir de forma pacífica, convencendo o agressor a entrar no veículo para que todos fossem juntos à delegacia. No local, Diego admitiu ter espancado a ex-companheira, alegando ter perdido o controle após tomar o celular das mãos dela. O casal havia terminado o relacionamento de quatro anos há cerca de três meses, mas o homem recusava-se a aceitar o fim da união.
A decisão judicial que colocou a vítima em risco
Apesar do flagrante, das marcas corporais e da confissão explícita de violência e cárcere privado, o desfecho inicial na Justiça causou profunda indignação. Durante a audiência de custódia, o juiz de plantão decidiu conceder a liberdade provisória a Diego Henrique Marques. O homem foi solto sem a necessidade de pagar fiança e, de maneira alarmante, sem a imposição de medidas cautelares severas que proibissem o contato ou a aproximação da ex-companheira.
A sensação de impunidade fez com que o agressor agisse imediatamente contra a mulher. Poucas horas após deixar a prisão, Diego enviou um áudio aterrorizante para a vítima com ameaças diretas de morte. Em seguida, ele dirigiu-se até a residência da família dela e promoveu um rastro absoluto de destruição. O imóvel teve móveis e eletrodomésticos despedaçados, roupas rasgadas e até mesmo o automóvel da família foi completamente depredado. A tragédia só não foi consumada porque a mulher havia buscado abrigo na casa de parentes.
VÍDEO:
A nova ordem de prisão e o medo de recomeçar
Diante do cenário de devastação e das novas ameaças documentadas por áudio, a Polícia Civil acionou novamente o Poder Judiciário. A gravidade dos fatos e o histórico de violência do suspeito – que já possuía registros anteriores por ameaças no contexto de violência doméstica e medidas protetivas expedidas – fizeram com que a Justiça finalmente decretasse sua prisão preventiva para a garantia da ordem pública e proteção da integridade física da vítima.
Apesar de Diego estar novamente atrás das grades, o trauma e o medo permanecem vivos na rotina da sobrevivente. Sem ter para onde voltar e com a casa em ruínas, ela tenta reconstruir a vida enquanto lida com o impacto emocional do atentado. “Eu espero que a justiça seja feita. Não tem como ter um lugar seguro para mim se ele estiver solto. Se ele sair, não tenho segurança nenhuma”, desabafou a vítima. O caso reforça a urgência de a sociedade reconhecer os sinais de socorro e da necessidade de uma resposta judicial firme na proteção de mulheres ameaçadas.