Brasileiras mantidas MESES numa FOSSA em Portugal: MOTIVO é REVOLTANTE
Então, em novembro de 2015, ela desembarcou em Portugal e foi morar junto com a irmã e o cunhado na casa em que a Michele e o Dinai viviam já havia algum tempo. Só que a Lidiana não ia ficar sozinha ali por muito tempo, porque ela tinha uma namorada no Brasil, a Thayane Milla Mendes Dias, de 21 anos.
A Thayane era de Nova Venécia, no Espírito Santo. E elas não queriam ficar muito tempo longe uma da outra.
O problema é que a Thayane não tinha dinheiro para comprar a passagem para Portugal. Então, o que elas combinaram? A Lidiana iria primeiro abrir caminho para ela, enquanto a Thayane ficava no Brasil trabalhando para juntar o dinheiro da passagem e, então, encontrar a namorada em Portugal.
E foi exatamente isso o que aconteceu. A Thayane ficou no Brasil, trabalhou, ganhou cada centavo, guardou e, quando finalmente conseguiu juntar o dinheiro para o bilhete, foi lá, comprou a passagem e avisou para a namorada: “Ó, estou chegando aí.” Isso tudo aconteceu bem no início de 2016, em janeiro, quando a Thayane saiu de sua cidade rumo a Belo Horizonte para embarcar para Portugal.
Mas, ao chegar ao aeroporto da cidade, aconteceu um contratempo logo de cara. A sensação que dá é de que o destino parecia não querer que ela fosse para Portugal. Mais tarde, isso realmente se torna algo questionável, e logo vocês vão ver. Olhem só: depois de lutar para conseguir juntar o dinheiro da passagem, já em Belo Horizonte, sozinha, a Thayane simplesmente perde o voo para Portugal.
Ela fica ali sem dinheiro, sem alternativa nenhuma, até porque o dinheiro dela estava contado para chegar ao país. Mas foi nesse exato momento que um desconhecido se aproximou dela. Guardem essa informação. Ele viu a situação da garota e se propôs a pagar a taxa de R$ 450 para que ela pudesse remarcar e embarcar no avião.
A Thayane ficou muito agradecida com aquilo. Disse que, assim que chegasse a Portugal, pagaria a ele de volta. Mas, antes de embarcar, a Thayane, desesperada com o que aconteceu, ligou para a Solange, mãe da Michele e da Lidiana, pedindo que avisasse às meninas o que tinha ocorrido. A Solange então ligou para as filhas, e quem atendeu à ligação foi a Lidiana, que disse que a Michele estava dormindo e não podia atender naquele momento.
Como a situação era de fato urgente, a Solange pediu para que a filha acordasse a irmã, porque, assim que a Thayane chegasse ao país, seria necessário pagar ao homem que a havia ajudado. Por isso a Solange insistiu para que a Lidiana acordasse a irmã. Foi aí que o Dinai atendeu à ligação e disse que não havia problema, que eles iriam buscar a Thayane no aeroporto e pagariam ao desconhecido.

A Thayane então embarcou e, em 29 de janeiro de 2016, chegou a Lisboa. Só que, chegando lá, aconteceu um novo contratempo, agora querendo impedir que a Thayane entrasse no país. Na entrada de Portugal, você tem que passar pelo SEF, que é o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal, o órgão que pode questionar a sua entrada:
o que você vai fazer no país, se tem onde ficar e tudo mais que a gente sabe que acontece quando vamos entrar em um país estrangeiro. Foi aí que a Thayane viu que estava retida ali, que não a deixariam entrar no país. Ela entrou em contato mais uma vez, e o Dinai entrou na história. Como ele era residente no país já havia um bom tempo — cerca de 12 anos —, tinha residência fixa e emprego fixo, o SEF permitiu que ele se responsabilizasse pela Thayane no país e autorizou a entrada dela, porque, segundo ele, ele seria responsável por
ela, daria um lugar para ela ficar e tudo mais. Isso funcionou perfeitamente. A Thayane entrou, todos ficaram muito felizes e, depois disso, foram direto para a casa onde a Michele e o Dinai viviam. As três brasileiras estavam finalmente reunidas: a Michele com a irmã ao lado, a Lidiana com a namorada e a Thayane finalmente realizando o seu plano, que era viver em outro país.
No dia seguinte à chegada da Thayane a Portugal, em 1º de fevereiro de 2016, que era uma segunda-feira, tudo parecia estar dentro do costume. Naquela manhã,
a Michele saiu cedo para trabalhar, como sempre fazia. A Lidiana e a Thayane, que tinha acabado de chegar ao país, ficaram por ali. As duas chegaram a passar um tempo no Facebook conversando com as amigas.
Disseram que estavam muito felizes por finalmente estarem juntas em Portugal. Naquele dia, tudo aparentemente parecia muito normal. No dia 2 de fevereiro, a Michele ainda chegou a mandar uma mensagem para a mãe. Esse, pelo menos por algum tempo, foi o último contato que ela teve, porque depois disso, durante os dias seguintes, foi só silêncio.
O que aconteceu depois, para quem é usuário regular de rede social, era no mínimo estranho para todos que estavam observando a situação. Por quê? Porque o perfil das três no Facebook simplesmente sumiu, sem falar que no WhatsApp elas pararam de responder. Até que, no dia 11 de fevereiro, a Michele voltou a dar sinal de vida.
Ela mandou uma mensagem para a mãe dizendo que a Lidiana tinha desistido de estudar — lembrando que o objetivo da Lidiana era ir para Portugal para cursar Direito. Na mensagem, ela também dizia que as três tinham recebido uma proposta de trabalho de um homem para morar em Londres, e que era uma proposta de trabalho totalmente irrecusável.
Só que havia uma coisa estranha nessa história: ela pediu para a mãe não comentar nada com o namorado dela. A Solange, naquele momento, ficou sem entender, mas acabou obedecendo. No entanto, no dia 17 de fevereiro, ainda encucada com aquela situação, a Solange entrou em contato com o Dinai. Afinal, eles tinham uma proximidade muito grande, pois toda vez que ele ia ao Brasil de férias, a visitava.
Ele era um rapaz muito gente boa, então eles tinham realmente uma ligação muito forte. Nesse contato,
ela pediu a ele que tentasse ajudá-la de alguma forma, tentando tirar da cabeça das filhas essa ideia louca de ir para Londres, porque, no coração dela, sentia que aquilo não era uma boa ideia.
Ele respondeu que ia tentar fazer o possível e, no dia seguinte, ligou para ela com novidades. Disse que tinha falado com a Michele e que, mesmo com os seus apelos, ela havia decidido ir para Londres. Naquela noite, elas teriam partido para Londres, mas disseram que, assim que chegassem lá e estivesse tudo bem, entrariam em contato para deixar todos tranquilos.
Só que os dias foram se passando. A Solange esperou, mas a ligação não veio, e foi aí que se perdeu totalmente o contato com as três garotas. Com a falta de respostas das filhas, a Solange resolveu entrar em contato com uma outra pessoa que podia ajudá-la lá: uma amiga de infância da Michele, que tinha crescido junto com ela lá em Minas Gerais e que também tinha ido morar em Portugal.
Essa era a Flávia Macedo. A Solange falou com a Flávia, explicou o que estava acontecendo, disse que estava achando estranho o sumiço das garotas — inclusive nas redes sociais — e que aquilo não podia ser normal. Então, ela pediu para a Flávia ir até a casa onde a Michele morava, lá em Tires, para ver se realmente não havia mais nenhuma informação, se alguém não sabia de algo sobre elas.
A Flávia, que também ficou preocupada, fez o que a mãe da Michele pediu e foi até a casa. Chegando lá, quem atendeu à porta foi o Dinai. Ele disse que a Michele tinha ido embora, que o havia trocado por aquele homem desconhecido que tinha emprestado dinheiro para a Thayane lá no aeroporto de Belo Horizonte — lembram-se? E que, inclusive, ela tinha feito o absurdo de largar o próprio emprego, sem contar que teria desativado as suas redes sociais para que a patroa não a incomodasse, pois queria começar uma nova vida lá em Londres.
A Flávia, naquele momento, naturalmente achou aquilo muito estranho, porque conhecia muito bem a amiga desde sempre. Aquela atitude realmente não era típica da Michele, pois ela não era o tipo de pessoa que largava tudo e ia embora com um homem que nem conhecia direito. Definitivamente, aquilo não era do perfil da amiga dela.
Muito desconfiada daquela situação, a Flávia foi direto para a delegacia. Chegando lá, ela informou tudo o que sabia, não só sobre o desaparecimento da Michele, mas também sobre o das outras garotas. A polícia imediatamente percebeu que aquilo poderia ser algo muito sério, inclusive tráfico humano. A família não ficou parada esperando.
Os familiares começaram a criar páginas no Facebook pedindo informações sobre o paradeiro das três, compartilhando fotos e pedindo ajuda de quem soubesse de algo. A mãe da Thayane, dona Tânia Mendes, deu uma declaração para a imprensa dizendo que temia pelo pior, porque tudo o que as pessoas estavam pensando naquele momento era que elas poderiam ter sido vendidas como escravas para prostituição.
Após a denúncia da Flávia, a polícia abriu investigação e, como é de praxe em qualquer investigação de desaparecimento, a Polícia Judiciária Portuguesa foi até o último endereço conhecido das garotas, lá em Tires, no Canil de Cascais. Chegando lá, fizeram uma busca na casa, recolheram o que podiam e ouviram quem estava próximo das garotas antes de elas sumirem.
Obviamente, ouviram o Dinai, namorado da Michele. Ele repetiu tudo o que supostamente sabia: que ela tinha recebido uma proposta de trabalho para ir para Londres e tudo mais. Com tudo isso, a suspeita de tráfico humano só se fortalecia. O desaparecimento das três brasileiras foi então reportado para a Interpol e, ao mesmo tempo, para a Polícia Federal.
Afinal, o que estava sendo investigado naquele momento era o desaparecimento de três cidadãs brasileiras que possivelmente tinham sido traficadas internacionalmente. E foi assim que a própria Polícia Federal brasileira também abriu seu próprio inquérito para investigar o caso. Pouco tempo depois, veio uma informação que deixou todos desnorteados.
A Interpol entrou no caso, começou a investigar e logo descobriu que não existia nenhum registro de entrada das três garotas no Reino Unido; ou seja, elas nunca chegaram a Londres. A pergunta que ficava naquele momento era: onde elas estavam? O problema é que, até aquele momento, ninguém sabia.
As investigações continuaram e, em 8 de abril, a polícia de Portugal voltou à casa onde elas moravam ali no canil. Foi aí que se descobriu que o Dinai tinha ido para o Brasil. A polícia vasculhou toda a casa, inclusive poços de água que havia ali, mas nada foi encontrado.
Nem um vestígio das garotas foi achado no local. Logo depois, a polícia portuguesa informou à Polícia Federal que o Dinai havia retornado ao Brasil e que precisavam de um novo depoimento dele. Agentes da Polícia Federal em Minas Gerais localizaram o Dinai e foram até ele para colher o depoimento. Nele, ele disse que estava desiludido porque a Michele tinha ido embora com outro.
Meses foram se passando sem nenhuma informação sobre as garotas, com as três polícias — a Federal brasileira, a Judiciária portuguesa e a Interpol — atrás delas. A verdade é que não existia nenhuma pista, nenhum rastro sobre elas. Mas, quando todo mundo começa a pensar em desistir, existe uma pessoa que nunca cogita essa hipótese: a mãe.
Dona Solange, mãe da Michele e da Lidiana, não desistiu. Enquanto a polícia investigava do jeito dela, ela continuava revirando tudo. Pedia ajuda nas redes sociais e mobilizava quem podia. Em agosto, ela foi pessoalmente até a Polícia Federal em Belo Horizonte: levou amostras de DNA das filhas, prints das conversas que tivera com as meninas e com o Dinai e tudo o que possuía.
Ela era a verdadeira mãe que se recusava a parar. Mesmo assim, nada; não existia nada até aquele momento que desse qualquer sinal sobre onde aquelas garotas estavam. E foi então que, depois de tantos meses sem que ninguém tivesse a menor ideia do que havia acontecido com aquelas mulheres — porque elas simplesmente tinham evaporado —, no dia 26 de agosto de 2016, finalmente algo aconteceu.
Depois de meses de escuridão, tudo mudou em um procedimento de rotina. O funcionário do Canil de Tires — o mesmo que havia substituído o Dinai depois que este saiu do trabalho e voltou para o Brasil — fazia uma inspeção de rotina no local. Foi quando ele encontrou uma fossa séptica na propriedade, que estava meio camuflada. Era uma tarefa comum do ofício dele,
nada de especial. Ele tirou a tampa de proteção da fossa e, quando fez isso, adivinhem o que encontrou: os corpos das três mulheres submersos em uma água fria e estagnada. Em choque com o que viu, ele logo acionou os bombeiros e a polícia. Começou então um trabalho delicado de remoção dos corpos, pois precisava ser feito com muito cuidado para que fossem preservados.
Afinal, eles estavam havia muito tempo ali. Mas, como a água estava fria e estagnada — sem movimentação —, isso de certa forma acabou preservando parte dos corpos, e as garotas ainda estavam com as roupas que vestiam no dia do desaparecimento. Vocês devem estar se perguntando como a polícia não viu essa fossa antes, já que checaram toda a propriedade e olharam poços no local.
A verdade é que essa fossa tinha sido cuidadosamente manipulada para não chamar atenção e para que o alarme de nível de água não disparasse, pois o nível da água fora elevado propositalmente para ficar cheio o tempo todo. Tudo fora planejado para que nada disparasse e ninguém reparasse que aquela fossa estava ali.
Felizmente, a manutenção de rotina não perdoou, pois nessa tarefa é preciso checar todos os pontos, independentemente de disparar alarme ou não. Graças a esse trabalho minucioso, elas puderam finalmente ser localizadas.
Depois disso, a Flávia, amiga de infância da Michele que fizera a denúncia meses antes, foi chamada ao Instituto de Medicina Legal para reconhecer os corpos. Ela confirmou que se tratava de Michele, Thayane e Lidiana.
Enquanto isso, no Brasil, antes mesmo de a família ser informada oficialmente, o irmão de Michele e Lidiana, Vinícius, ficou sabendo de tudo pela internet. Imaginem o que foi para aquela família, que estava havia tantos meses sem resposta, descobrir tudo dessa forma. A declaração do irmão foi muito dolorosa:
ele disse que só queria que o caso fosse elucidado e que o responsável por aquilo fosse punido. A mãe delas, dona Solange, disse por telefone algo muito forte, mas compreensível: afirmou que, pelo menos agora, a agonia tinha passado e as filhas poderiam descansar.
A mãe da Thayane declarou que temia muito que a filha tivesse sido vendida como escrava e que agora tinha uma resposta — infelizmente, a pior possível. As três garotas não estavam apenas desaparecidas; elas estavam mortas.
Depois que os corpos foram encontrados, só existia um nome na mira da polícia, e a Polícia Federal foi imediatamente acionada. Só que aí surgiu um problema burocrático que atrapalhou as investigações: eles precisavam deter o Dinai para que prestasse esclarecimentos,
mas, para prendê-lo, necessitavam das provas que estavam em Portugal. Essas provas precisavam ser enviadas oficialmente por mala diplomática de Portugal para o Brasil — um trâmite formal que leva dias. Enquanto esse processo não se concluía, as mãos da Polícia Federal estavam atadas.
A Polícia Federal chegou a alertar as autoridades portuguesas sobre o risco de fuga, embora estivesse monitorando o Dinai o tempo todo. Eles não podiam prendê-lo sem o mandado formal com base nas provas, mas estavam em seu encalço.
Surge uma questão intrigante: se o irmão da Michele soube pela internet e a notícia se espalhou, como o Dinai não ficou sabendo que os corpos tinham sido encontrados? Com essa demora burocrática, ele teve uma brecha para desaparecer novamente, como fizera antes ao ir para o Brasil quando havia apenas suspeitas sem provas concretas. Felizmente, dessa vez ele não conseguiu fugir. As polícias agilizaram os trâmites e conseguiram prender o Dinai enquanto ele trabalhava em uma obra em Belo Horizonte, Minas Gerais.
A prisão ocorreu em 5 de setembro de 2016, 10 dias após a descoberta dos corpos. Quando a Polícia Federal chegou até ele, ele não ofereceu resistência. Foi encaminhado para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Ouvido pelos investigadores, negou absolutamente tudo. Disse que não sabia como os corpos tinham ido parar naquele local, que era o seu ambiente de trabalho. Por mais que negasse, era muito difícil sustentar a inocência, pois todos os indícios apontavam para ele.
A pergunta mudara: não era mais onde as garotas estavam, mas quem as matou e por quê. Por que ele mataria a namorada, a irmã dela e a companheira da irmã? Qual o motivo para tanta brutalidade? Com o Dinai preso e os corpos localizados, a polícia finalmente pôde avançar na apuração dos fatos.
O que foi revelado em seguida mudou o rumo da história: o Dinai não era quem aparentava ser. Em Portugal, era o namorado dedicado da Michele, trabalhador, estável, que a pedira em casamento; o cunhado prestativo que intercedera para a entrada da jovem no país; o genro querido por dona Solange.
Essa era a imagem construída ao longo dos anos. Só que, no Brasil, ele tinha uma vida dupla: mantinha uma companheira, Maria Sueli, e uma filha de 7 anos. Essa família no Brasil não sabia que ele vivia com outra mulher do outro lado do Atlântico, sustentando anos de mentiras em países diferentes.
No final de janeiro de 2016, exatamente quando a Thayane estava chegando a Portugal, a companheira dele no Brasil avisou que iria antecipar a viagem que já vinham planejando. A ida estava prevista para o final de fevereiro,
mas ela remarcou a passagem para o dia 1º de fevereiro — um dia após a chegada da Thayane. A mente dele entrou em colapso com essa notícia. Antes desse aviso, ele ainda teria margem para tentar contornar a situação; mas, com a chegada iminente da mulher do Brasil, ele se viu encurralado.
Ele precisava tirar três pessoas da casa antes da chegada da companheira. Em vez de dialogar para que saíssem do imóvel ou terminar a relação, ele escolheu o caminho mais extremo e brutal, ceifando três vidas humanas para encobrir suas mentiras.
Muitos se perguntam se a Michele sabia que ele tinha outra família no Brasil. A apuração não traz essa confirmação; a companheira do Brasil, Maria Sueli, afirmou que desconhecia por completo a existência de Michele.
Em depoimento, Flávia relatou que Michele era apaixonada por Dinai e fazia de tudo pelo relacionamento. Se ela soubesse da outra família, seria plausível um rompimento ou acordo para desocupar o imóvel, e não um desfecho violento. O fato é que ele tomou uma atitude hedionda e injustificável. Além disso, uma revelação feita durante o processo tornou o caso ainda mais estarrecedor.
Com Dinai preso desde setembro de 2016, a Justiça começou a agir. Vale esclarecer que, embora o crime tenha ocorrido em Portugal, a Constituição brasileira não permite a extradição de brasileiros natos.
Isso não significa impunidade: o cidadão brasileiro que comete crime no exterior e se encontra em território nacional responde perante a Justiça brasileira, com base na cooperação jurídica internacional. O Ministério Público Federal ofereceu denúncia por triplo homicídio qualificado, ocultação de cadáver e furto, sendo a acusação recebida pela Justiça Federal em Belo Horizonte.
A defesa utilizou diversos recursos processuais ao longo dos anos, adiando a realização do Tribunal do Júri. O processo se arrastou por 6 anos com o réu preso preventivamente. Em 23 de novembro de 2023, o Tribunal do Júri Federal em Belo Horizonte finalmente realizou o julgamento.
Durante a sessão, dona Solange revelou que Michele estava grávida de três meses quando foi assassinada: “Ele não matou três pessoas, ele matou quatro. Ele matou o próprio filho.”
No ordenamento jurídico brasileiro, o homicídio praticado contra mulher gestante com o conhecimento do autor é circunstância que qualifica o feminicídio ou agrava a pena. Contudo, essa circunstância dependia da comprovação de que o réu sabia da gravidez, o que ele negou. Por falta de provas desse conhecimento prévio, ele não foi condenado formalmente pelo aborto provocado por terceiro, mas sim pelos homicídios qualificados e ocultação de cadáver.
Ao término do julgamento, Dinai foi condenado inicialmente a 36 anos e 10 meses de reclusão.
O Ministério Público Federal recorreu da dosagem da pena. Em maio de 2024, o Tribunal Regional Federal aumentou a pena de Dinai para 44 anos, 6 meses e 10 dias de reclusão. Ele permanece cumprindo a pena na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem.
Enquanto isso, as famílias buscam reconstruir suas vidas após a perda irreparável das três jovens. Essa é a história documentada sobre o caso ocorrido em Cascais.
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