Quem Era a GAROTINHA Dentro Do BARRIL ?

QUEM ERA A MENINA DENTRO DO BARRIL? O CASO TERRY RASMUSSEN E O MISTÉRIO QUE LEVOU QUASE 40 ANOS PARA SER RESOLVIDO

 

Durante décadas, ela não teve nome. Não havia fotografia conhecida, certidão associada ao corpo, familiares aparecendo para procurá-la ou sequer uma história que explicasse como uma menina tão pequena acabou escondida dentro de um barril abandonado em uma área de mata de New Hampshire, nos Estados Unidos.

Durante anos, investigadores se referiram a ela apenas como “Middle Child”, a “criança do meio”.

Mas aquela menina era muito mais do que uma vítima sem identidade.

Terry Rasmussen wasn't connected to the bodies found in Bear Brook State  Park until the girl he abandoned, known as Lisa, learned that the man who  left her behind was not her

Ela era uma peça central de uma investigação que atravessou quase meio século, diferentes estados americanos, várias identidades falsas e uma sequência de desaparecimentos que acabaria apontando para um mesmo homem: Terry Peder Rasmussen.

O caso ficou conhecido como os assassinatos de Bear Brook e hoje é considerado um dos exemplos mais impressionantes de como a genealogia genética pode ressuscitar investigações que pareciam destinadas a permanecer sem solução.

Tudo começou com um barril.

 

UM BARRIL ABANDONADO NO MEIO DA FLORESTA

 

No verão de 1985, três garotos brincavam em uma área de mata próxima ao Bear Brook State Park, em Allenstown, New Hampshire, quando encontraram um grande barril metálico abandonado.

O objeto parecia fora do lugar.

Havia ainda um forte odor vindo de seu interior.

Sem saber exatamente o que tinham encontrado, os garotos acabaram deixando o local. Meses depois, em novembro daquele mesmo ano, um caçador percebeu o barril e decidiu procurar as autoridades.

 

Quando a polícia abriu o recipiente, descobriu algo que transformaria aquela floresta em cenário de um dos maiores mistérios criminais do estado.

Dentro estavam os restos mortais de uma mulher adulta e de uma menina.

As duas apresentavam sinais de terem sido vítimas de homicídio.

Não havia documentos.

Não havia identificação.

 

E, para piorar, nenhum registro de desaparecimento parecia corresponder imediatamente às características das vítimas.

A mulher aparentava ter entre 20 e 30 anos. A menina parecia ter aproximadamente idade escolar.

A possibilidade mais óbvia era que fossem mãe e filha.

Mas, naquele momento, ninguém conseguia provar sequer isso.

 

QUINZE ANOS DEPOIS, A FLORESTA ESCONDERIA OUTRA SURPRESA

 

Durante anos, o caso permaneceu praticamente congelado.

As vítimas foram enterradas sem nome. Na lápide, não havia uma identidade para ser homenageada, apenas a indicação de que ali estavam duas pessoas ainda desconhecidas.

Então, em maio de 2000, aproximadamente 15 anos depois da primeira descoberta, investigadores voltaram à região.

A cerca de 90 metros do ponto onde o primeiro barril havia sido encontrado, apareceu outro recipiente.

 

Quando foi aberto, surgiu uma revelação ainda mais perturbadora.

Dentro dele estavam os restos de outras duas meninas.

De repente, o caso havia dobrado de tamanho.

Agora eram quatro vítimas.

 

Uma mulher.

Três crianças.

Dois barris.

O mesmo pedaço isolado de mata.

E um mistério que parecia não ter começo nem fim.

 

A polícia concluiu que o segundo barril provavelmente já estava ali em 1985 e simplesmente não havia sido localizado durante as buscas iniciais.

Isso significava que aquelas quatro mortes poderiam ter ocorrido aproximadamente no mesmo período.

Mas quem eram aquelas pessoas?

E por que ninguém parecia estar procurando por elas?

 

O TEMPO PASSAVA, MAS OS NOMES NÃO APARECIAM

 

Durante décadas, investigadores tentaram de tudo.

Registros odontológicos foram comparados.

Listas de pessoas desaparecidas foram revisadas.

Arquivos escolares e bancos de dados foram pesquisados.

 

Reconstruções faciais foram divulgadas na esperança de que alguém reconhecesse aquelas vítimas.

Nada funcionava.

O caso parecia preso em um paradoxo: a polícia possuía os corpos, mas não possuía as histórias.

Sem saber quem eram as vítimas, era quase impossível descobrir quem poderia querer matá-las.

 

Até que a ciência avançou.

Novas técnicas de DNA e, posteriormente, a genealogia genética começaram a oferecer aos investigadores ferramentas que simplesmente não existiam quando o primeiro barril foi encontrado.

E então, décadas depois, os mortos finalmente começaram a recuperar seus nomes.

 

A PRIMEIRA GRANDE VIRADA

 

Em 2019, três das quatro vítimas foram identificadas.

A mulher era Marlyse Elizabeth Honeychurch.

A menina encontrada no mesmo barril era sua filha, Marie Elizabeth Vaughn.

Outra menina encontrada no segundo barril era Sarah Lynn McWaters, também filha de Marlyse.

De repente, a história deixou de ser um conjunto de restos mortais anônimos.

 

Era uma família.

Uma mãe e duas filhas que haviam desaparecido no final da década de 1970.

Os investigadores voltaram então à vida de Marlyse.

Em 1978, ela morava na Califórnia. Próximo ao Dia de Ação de Graças daquele ano, teria visitado familiares acompanhada das filhas.

Após uma discussão, deixou o local.

 

Com ela estava um homem conhecido como Bob Evans.

Marlyse e as meninas nunca mais foram vistas pela família.

O nome Bob Evans imediatamente chamou atenção.

Porque aquele homem apareceria novamente em outra história de desaparecimento.

 

UM HOMEM, VÁRIOS NOMES

 

Alguns anos depois, em New Hampshire, um homem chamado Bob Evans mantinha relacionamento com uma jovem chamada Denise Beaudin.

Denise tinha uma filha pequena chamada Dawn.

Em 1981, Denise desapareceu.

O homem e a criança também sumiram.

Por muito tempo, aquilo não foi ligado ao caso de Bear Brook.

 

Bob Evans simplesmente seguiu para outra região.

E mudou de nome.

Na Califórnia, passou a usar a identidade de Curtis Kimball.

Mais tarde apareceu como Gordon Jenson.

Depois surgiria ainda como Larry Vanner.

 

Cada novo nome parecia apagar o homem anterior.

Mas havia algo que ele não conseguia apagar: suas impressões digitais.

Décadas depois, elas seriam fundamentais para mostrar que todas aquelas identidades pertenciam à mesma pessoa.

 

A MENINA CHAMADA “LISA”

 

Quando o homem conhecido como Gordon Jenson apareceu na Califórnia, havia uma menina com ele.

Ele dizia que ela era sua filha.

A criança era conhecida como Lisa.

Em 1986, Gordon deixou Lisa aos cuidados de outra família e desapareceu.

As autoridades começaram a investigar.

 

Descobriram que Gordon Jenson e Curtis Kimball eram o mesmo homem.

Mas ainda não sabiam seu verdadeiro nome.

Lisa cresceu sem conhecer sua origem real.

Até que exames genéticos realizados anos mais tarde mostraram que ela não era filha biológica daquele homem.

Em 2016, outra revelação mudou completamente a investigação.

 

“Lisa” era, na verdade, Dawn Beaudin, a filha de Denise Beaudin que havia desaparecido em New Hampshire em 1981.

Ou seja: Bob Evans havia desaparecido com Denise e sua filha.

Depois, apareceu na Califórnia com a menina usando outro nome.

Onde estava Denise?

Essa pergunta continua sendo uma das grandes lacunas da história.

 

O ASSASSINATO QUE LEVOU À VERDADE

 

No final da década de 1990, o mesmo homem vivia na Califórnia usando o nome Larry Vanner.

Ele começou um relacionamento com uma mulher chamada Eunsoon Jun.

Em 2002, ela desapareceu.

A polícia investigou Vanner e descobriu o corpo de Eunsoon escondido na propriedade onde os dois viviam.

Ele foi preso e condenado pelo assassinato.

 

Mas as impressões digitais abriram uma sequência de conexões.

Larry Vanner era Curtis Kimball.

Curtis Kimball era Gordon Jenson.

Gordon Jenson era Bob Evans.

E Bob Evans era o homem visto pela última vez com Marlyse Honeychurch e suas filhas.

 

Os investigadores finalmente perceberam que várias histórias aparentemente independentes poderiam fazer parte de uma única trajetória criminosa.

Ainda faltava descobrir o nome verdadeiro do homem.

A resposta veio em 2017.

Ele era Terry Peder Rasmussen.

 

A LIGAÇÃO DE DNA QUE MUDOU O CASO

 

A genética trouxe uma revelação ainda mais surpreendente.

Uma das meninas encontradas no segundo barril não era filha de Marlyse.

Mas seu DNA mostrava que ela era filha biológica de Terry Rasmussen.

Essa descoberta transformou definitivamente a investigação.

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Rasmussen não era apenas um homem que havia passado pela vida das vítimas.

Ele tinha uma ligação genética direta com uma delas.

Mas existia um problema.

Ninguém sabia quem era aquela menina.

 

Durante anos, ela continuou sendo chamada simplesmente de “Middle Child”.

Quem era sua mãe?

Quando havia nascido?

Por que estava com Marlyse e suas filhas?

Essas perguntas permaneceriam abertas por muitos anos.

 

UMA ÁRVORE GENEALÓGICA COM MILHARES DE PESSOAS

 

A resposta começou a aparecer graças à genealogia genética.

Pesquisadores passaram a comparar o DNA da menina com perfis de parentes distantes e construir uma gigantesca árvore familiar.

O trabalho envolveu dezenas de milhares de possíveis conexões.

Pouco a pouco, um nome começou a aparecer com força:

Pepper Reed.

 

Pepper havia desaparecido no final da década de 1970.

Familiares afirmavam que ela estivera grávida e que Terry Rasmussen era o pai da criança.

Então investigadores localizaram na Califórnia um registro de nascimento de uma menina nascida em 1976.

No documento apareciam os nomes de Pepper Reed e Terry Rasmussen.

A criança se chamava Rea Rasmussen.

 

Ainda assim, os investigadores precisavam de confirmação genética.

Ela veio por meio de novos testes de DNA realizados com parentes.

Depois de quase 40 anos sem identidade, a “Middle Child” finalmente tinha um nome.

Em setembro de 2025, autoridades de New Hampshire anunciaram oficialmente a identificação.

A menina encontrada no segundo barril era Rea Rasmussen.

E ela era filha de Terry Rasmussen.

 

A PERGUNTA QUE CONTINUA SEM RESPOSTA

 

Com a identificação de Rea, as quatro vítimas encontradas em Bear Brook finalmente recuperaram seus nomes.

Marlyse Honeychurch.

Marie Vaughn.

Sarah McWaters.

Rea Rasmussen.

 

Mas a investigação ainda não terminou.

A identificação de Rea abriu outro mistério.

Onde está Pepper Reed?

Sua mãe nunca foi localizada.

 

Autoridades consideram a possibilidade de que ela também tenha sido vítima de Rasmussen, embora isso não tenha sido definitivamente comprovado.

O mesmo ocorre com outros desaparecimentos envolvendo mulheres que passaram pela vida dele.

Investigadores continuam tentando reconstruir os movimentos de Rasmussen durante as décadas de 1970 e 1980.

Existe o temor de que Bear Brook não represente toda a extensão de seus crimes.

 

ELE MORREU ANTES QUE DESCOBRISSEM QUEM REALMENTE ERA

 

Terry Rasmussen morreu em dezembro de 2010, aos 67 anos, dentro de uma prisão da Califórnia.

Cumpria pena pelo assassinato de Eunsoon Jun.

Naquele momento, porém, as autoridades ainda não haviam ligado sua verdadeira identidade aos assassinatos de Bear Brook.

Ele morreu antes que os investigadores conseguissem confrontá-lo com todas as evidências.

Morreu antes que Marlyse, Marie, Sarah e Rea recuperassem seus nomes.

 

E morreu levando consigo respostas que provavelmente jamais poderão ser obtidas diretamente.

Talvez essa seja uma das partes mais inquietantes de toda a história.

Durante décadas, Rasmussen conseguiu viver escondido atrás de nomes diferentes.

Bob Evans.

Curtis Kimball.

Gordon Jenson.

 

Larry Vanner.

Identidades falsas que permitiram que ele atravessasse estados, relacionamentos e investigações sem revelar quem realmente era.

Mas enquanto ele mudava de nome para desaparecer, suas vítimas permaneceram sem nome porque ninguém sabia de onde elas tinham vindo.

No fim, foi justamente o DNA — algo impossível de trocar, falsificar ou abandonar — que começou a desmontar todas as identidades criadas por Rasmussen.

E foi também o DNA que devolveu às vítimas aquilo que lhes havia sido tirado durante décadas: suas histórias.

 

Quarenta anos depois da descoberta do primeiro barril, o maior mistério de Bear Brook finalmente ganhou uma resposta.

A “garotinha dentro do barril” não era mais apenas uma vítima desconhecida.

Ela se chamava Rea Rasmussen.

Mas talvez a pergunta mais assustadora agora seja outra:

se foram necessárias quatro décadas para descobrir quem estava dentro daqueles barris, quantas outras vítimas de Terry Rasmussen ainda podem estar esperando para serem identificadas?

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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