MONIQUE DIZ QUE BABÁ MENTIU SOBRE MENSAGENS
“Se ela tivesse contado, eu teria protegido meu filho”: Monique Medeiros questiona relatos de babá e relembra sequência de acontecimentos antes da morte de Henry Borel
O caso Henry Borel continua sendo um dos episódios criminais mais dolorosos e marcantes do Brasil. A morte do menino de apenas 4 anos, no Rio de Janeiro, revelou uma sequência de acontecimentos envolvendo acusações, depoimentos contraditórios e uma batalha judicial cercada por perguntas que ainda ecoam na sociedade.
Em um novo depoimento, Monique Medeiros voltou a falar sobre os acontecimentos que antecederam a morte do filho e apresentou sua versão sobre um dos pontos mais discutidos do processo: as mensagens e os relatos atribuídos à babá da criança.
Segundo Monique, a funcionária teria omitido informações importantes sobre supostas agressões contra Henry antes do dia da morte.
“Se ela tivesse me contado qualquer coisa contra o meu filho, eu nunca deixaria meu filho participar junto com o Jairo, ficar junto. Eu nunca ia deixar isso acontecer”, afirmou durante a audiência.
A declaração reacendeu uma das principais discussões do caso: o que realmente foi dito, quando foi dito e quem tinha conhecimento dos sinais apresentados pelo menino antes da tragédia.
O relacionamento que começou como um sonho de família
Durante seu depoimento, Monique contou que conheceu Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, em um momento em que buscava reconstruir sua vida.
Segundo ela, ele se apresentou como um homem separado, que desejava formar uma família.
Monique afirmou que sempre teve o sonho de construir um lar unido, inspirado pela própria criação familiar.
Ela descreveu que, no início do relacionamento, os dois viveram uma fase considerada positiva, com planos e proximidade entre as famílias.
Segundo seu relato, Jairinho teria demonstrado interesse em conquistar não apenas ela, mas também seu filho Henry.
Ele teria buscado criar uma relação próxima com a criança e agradar seus familiares.
Mas, de acordo com Monique, alguns comportamentos começaram a mudar com o passar do tempo.
A mensagem de uma ex-namorada e as primeiras dúvidas
Um dos momentos citados no depoimento aconteceu quando Monique recebeu mensagens de uma mulher chamada Débora, que afirmava ter um relacionamento com Jairinho.
Segundo Monique, a mulher teria enviado conversas e prints que indicavam uma relação entre os dois.
Inicialmente, Monique disse que não acreditou.
Ela contou que decidiu colocar os dois frente a frente em uma ligação para esclarecer a situação.
Durante a conversa, segundo seu depoimento, Jairinho teria negado o relacionamento e feito críticas à mulher.
Monique afirmou que acreditou na versão apresentada por ele, mas que permaneceu desconfiada por algum tempo.
Ainda segundo ela, a ex-namorada teria relatado comportamentos agressivos e episódios de perseguição.
Mesmo assim, Monique disse que não conseguiu entender por que alguém permaneceria em um relacionamento durante anos com uma pessoa que supostamente teria atitudes violentas.
Com isso, decidiu continuar a relação.
Ciúmes, controle e mudanças no relacionamento
Durante a audiência, Monique relatou episódios que, segundo ela, demonstravam ciúmes excessivos por parte de Jairinho.
Ela afirmou que chegou a compartilhar sua localização em tempo real pelo celular porque acreditava que isso ajudaria a construir confiança.
Porém, segundo ela, a situação teria evoluído para um comportamento de controle.
Monique contou que Jairinho demonstrava incômodo principalmente com homens próximos a ela, incluindo profissionais da academia.
Ela relatou que ele teria pedido que ela trocasse professores homens por mulheres.
Também mencionou uma situação em que teria ido à academia usando uma roupa diferente daquela que havia informado ao companheiro.
Segundo Monique, uma foto dela teria chegado até Jairinho, que passou a questioná-la.
Na época, ela afirmou que acreditava estar errada por ter mentido sobre a roupa.
“Eu achava que era amor”, declarou durante o depoimento.
O episódio da madrugada que mudou a percepção dela
Um dos momentos mais fortes relatados por Monique aconteceu quando ela contou sobre uma discussão durante a madrugada.
Segundo ela, após não atender ligações porque estava dormindo com o filho, Jairinho teria ido até sua casa.
Monique afirmou que ele entrou no imóvel e a acordou de forma agressiva, jogando o celular contra ela e segurando seu pescoço.
Segundo seu relato, ele teria pedido desculpas depois e atribuído o comportamento ao consumo de álcool e a uma crise de ciúmes.
Ela disse que interpretou inicialmente como uma situação isolada.
“Eu entendi que tivesse realmente sido por causa do álcool e fosse uma situação que não aconteceria novamente”, contou.
A convivência com Henry e os primeiros sinais de preocupação
Durante o depoimento, Monique também falou sobre a relação entre Jairinho e Henry.
Segundo ela, depois da mudança para a nova residência, teria acontecido um episódio durante uma brincadeira entre os dois.
Monique contou que Henry teria procurado a mãe dizendo que Jairinho havia feito uma brincadeira que ele não gostou.
Segundo a versão apresentada por ela, o menino teria dito que foi chamado de “mimado” e “bobalhão”.
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Monique afirmou que repreendeu Jairinho e pediu que ele não brincasse daquela maneira com seu filho.
Ela também relatou uma fala que teria sido feita pelo companheiro, envolvendo uma ofensa contra a criança.
Segundo ela, naquele momento percebeu que precisava impor limites.
Após esse episódio, Monique afirmou que percebeu um afastamento entre Henry e Jairinho.
A acusação contra a babá e a discussão sobre as mensagens
Um dos pontos mais polêmicos do depoimento foi a fala de Monique sobre a babá Tainá.
Segundo ela, a funcionária teria dito em audiência que contou sobre um suposto episódio envolvendo Henry, mas Monique afirma que isso não aconteceu.
Ela declarou que teria provas de que não recebeu essa informação naquele momento.
Segundo Monique, se soubesse de qualquer suspeita de agressão contra o filho, teria tomado providências imediatamente.
“Eu nunca ia deixar meu filho participar junto com o Jairo”, afirmou.
A questão passou a ser uma das grandes disputas do processo: quando os relatos chegaram ao conhecimento da mãe e quais atitudes foram tomadas após essas informações.
Henry começou a apresentar mudanças de comportamento
Monique contou ainda que percebeu alterações no comportamento do filho.
Segundo ela, o menino passou a demonstrar resistência para ir à escola e dificuldades de adaptação.
Na visão dela naquele momento, as mudanças poderiam estar relacionadas ao divórcio, à mudança de casa, à nova escola e ao afastamento dos avós.
Ela afirmou que buscou ajuda psicológica para Henry porque acreditava que ele estava enfrentando dificuldades emocionais.
Segundo o depoimento, a família procurou uma profissional especializada em comportamento infantil.
Um caso que continua dividindo opiniões
A morte de Henry Borel deixou uma marca profunda e continua sendo acompanhada por milhões de brasileiros.
O processo revelou uma complexa rede de depoimentos, acusações e versões diferentes sobre os acontecimentos.
Enquanto a Justiça analisa provas e responsabilidades, a sociedade permanece tentando compreender como uma criança tão pequena chegou a uma situação tão trágica.
O depoimento de Monique trouxe novamente ao centro do debate questões como violência doméstica, sinais ignorados, confiança dentro de relacionamentos e a importância de proteger crianças diante de qualquer suspeita.
Independentemente das versões apresentadas, uma certeza permanece: Henry Borel se tornou símbolo de uma discussão nacional sobre proteção infantil e sobre a necessidade de que sinais de alerta sejam levados a sério.
O caso continua sendo acompanhado de perto, enquanto familiares, autoridades e a sociedade buscam respostas para uma pergunta que ainda causa profunda comoção:
Como proteger uma criança quando os sinais de perigo aparecem dentro do próprio ambiente que deveria ser o mais seguro?