CASO BACABAL A PC DESMENTIU ADVOGADA ?
REVIRAVOLTA NO CASO BACABAL: Polícia Civil reage às acusações da advogada e expõe detalhe que muda o rumo da discussão
O desaparecimento de Ágatha Isabelly e Allan Michael, em Bacabal, no Maranhão, acaba de ganhar mais um capítulo cercado de tensão, cobranças e versões conflitantes. Depois de declarações duras da mãe das crianças, Clarice Cardoso, e da advogada criminalista Nathaly Moraes sobre uma suposta falta de avanço nas apurações, a Polícia Civil reagiu oficialmente. E a resposta colocou uma pergunta explosiva no centro do caso: afinal, a investigação estava parada ou continuava avançando longe dos olhos do público?
A resposta não é tão simples quanto parece.

De um lado, Clarice e sua representante jurídica vêm manifestando publicamente profunda insatisfação com a falta de respostas e de informações sobre o paradeiro das crianças. Do outro, a Polícia Civil afirma categoricamente que o inquérito continua ativo, possui mais de 700 páginas e teve diligência registrada poucos dias antes da divulgação de sua nota oficial.
É justamente essa colisão de versões que provocou uma nova onda de repercussão nas redes sociais.
Sete meses de angústia e nenhuma resposta definitiva
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal.
Na ocasião, os irmãos estavam acompanhados do primo Anderson Kauã, de 8 anos.
Três dias depois, Anderson foi localizado com vida.
Ágatha e Allan, porém, permaneceram desaparecidos.
Desde então, o caso passou por uma das maiores mobilizações de busca registradas na região. Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Exército, Marinha e voluntários participaram de diferentes etapas das operações. Ainda assim, meses depois, nenhum elemento conclusivo foi apresentado publicamente sobre onde as duas crianças estariam ou o que teria acontecido com elas.
Com o passar do tempo e a diminuição da presença ostensiva de equipes na região, a angústia da família cresceu.
Clarice passou a cobrar respostas cada vez mais abertamente.
E foi justamente quando a advogada Nathaly Moraes passou a acompanhar a família que a discussão ganhou uma nova dimensão.
A acusação que incendiou o caso
Em manifestação pública divulgada em agosto, Clarice afirmou que teria descoberto, por meio da atuação de Nathaly, que as buscas por seus filhos não estariam sendo realizadas da maneira que imaginava.
A mãe demonstrou indignação.
Nathaly foi ainda mais contundente.
Segundo declarações reproduzidas pelo R7, a advogada afirmou que houve uma grande mobilização inicial no local do desaparecimento, mas que, posteriormente, uma série de medidas que ela considerava importantes não teria sido realizada.
Entre os pontos questionados pela profissional estavam verificações relacionadas a registros tardios de crianças, pousadas da região, veículos que circularam pelo local, pessoas que poderiam ter tido contato com os desaparecidos e outras linhas investigativas.
Nathaly também questionou se pescadores teriam sido ouvidos e cobrou explicações sobre a distância entre pontos considerados relevantes durante as buscas.
A frase que mais repercutiu, porém, foi muito mais forte.
Para a advogada, as crianças não teriam sido encontradas porque, após a fase inicial, não teriam sido efetivamente procuradas.
A afirmação caiu como uma bomba.
Para milhares de pessoas que acompanham o drama desde janeiro, a ideia de que uma investigação desse tamanho pudesse ter perdido força era devastadora.
Mas então veio a resposta.
Polícia Civil quebra o silêncio
No dia 19 de agosto de 2026, a Associação dos Delegados de Polícia do Maranhão, a ADEPOL-MA, e a 16ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Bacabal divulgaram uma nota de esclarecimento.
O documento não cita apenas genericamente que “o caso continua”.
Ele apresenta números e datas.
Segundo a manifestação oficial, o inquérito policial permanece em “plena atividade”, com diligências já realizadas e outras ainda em andamento.
A Polícia Civil afirma que o procedimento ultrapassa 700 páginas, reunindo relatórios investigativos, perícias, laudos, depoimentos e pedidos de medidas cautelares.
E há um detalhe especialmente importante.
De acordo com a nota, a mais recente diligência formalizada naquele momento era um relatório de missão datado de 13 de agosto de 2026, menos de uma semana antes da divulgação do esclarecimento.
Ou seja: pelo menos documentalmente, a versão oficial contradiz a ideia de que nenhuma atividade investigativa estivesse ocorrendo.
Foi aí que surgiu a pergunta que tomou conta das redes:
A Polícia Civil desmentiu a advogada?
“Desmentiu” ou apresentou uma versão diferente?
Tecnicamente, é preciso cuidado.
A nota policial contesta frontalmente a afirmação de que não haveria investigação.
Mas existe uma diferença entre dizer que uma investigação formalmente continua aberta e discutir se todas as diligências necessárias estão sendo realizadas com a rapidez e a amplitude esperadas pela família.
São questões diferentes.
Nathaly questiona justamente a qualidade, a extensão e determinadas linhas da investigação.
A Polícia Civil, por sua vez, sustenta que há trabalho em andamento que não pode ser exposto publicamente por causa do sigilo.
E existe outro ponto explosivo na nota.
A instituição afirmou que, naquele momento, não havia advogado ou advogada habilitado formalmente nos autos do inquérito.
A partir disso, as autoridades argumentaram que afirmações sobre inexistência de diligências não poderiam ser baseadas na consulta integral ao processo, porque os autos permaneciam sigilosos e acessíveis apenas aos responsáveis diretos pela investigação.
Esse trecho foi interpretado por muitos como a resposta mais direta às declarações da defesa.
Em outras palavras, a polícia parece dizer:
Como afirmar que nada está sendo feito sem ter acesso completo ao conteúdo sigiloso da investigação?
Por outro lado, a família apresenta outra angústia igualmente legítima:
Se tantas coisas estão acontecendo, por que uma mãe passou meses sentindo que não recebia respostas suficientes sobre seus próprios filhos?
É justamente nesse ponto que o caso se torna ainda mais delicado.
O sigilo virou o centro da controvérsia
Investigações envolvendo desaparecimento podem exigir sigilo.
Informações divulgadas antes da hora podem alertar suspeitos, destruir provas ou comprometer operações.
A Polícia Civil afirma exatamente isso.
Na nota, as autoridades ressaltam que determinadas providências precisam permanecer desconhecidas do público para que possam produzir resultados.
Também pedem que hipóteses não sejam apresentadas como conclusões e alertam que especulações podem prejudicar o trabalho policial.
Mas o sigilo cria um dilema.
Para quem observa de fora, silêncio pode parecer inatividade.
Para os investigadores, silêncio pode justamente significar que uma operação está acontecendo.
E para uma mãe que não sabe onde estão seus filhos, cada semana sem uma resposta pode parecer uma eternidade.
É essa diferença de perspectivas que alimenta a atual crise de confiança.
O desaparecimento continua sem solução
Apesar da nova discussão, um fato permanece acima de todas as versões:
Ágatha e Allan ainda não foram localizados.
O caso já havia completado dois meses sem suspeitos ou conclusão em março. Em maio, Clarice continuava dizendo que não possuía notícias concretas dos filhos. Nos meses seguintes, ela voltou diversas vezes a público para cobrar informações e reclamar da perda de intensidade das buscas.

O tempo passou.
A resposta definitiva não veio.
E quanto maior o intervalo desde 4 de janeiro, maior se torna a pressão para que todas as possibilidades sejam analisadas.
As crianças se perderam?
Foram levadas por alguém?
Saíram da região?
Houve participação de terceiros?
Existem pistas ainda protegidas pelo sigilo?
Até agora, nenhuma dessas hipóteses pode ser apresentada publicamente como conclusão.
Polícia também esclareceu possível participação federal
Outro ponto abordado pela Polícia Civil foi a possibilidade de as crianças terem sido levadas para fora do Maranhão.
Segundo a nota, mesmo que essa hipótese exista, isso não significa que o caso seja automaticamente transferido para a Polícia Federal.
As autoridades afirmaram que a investigação permanece dentro da competência da Polícia Civil e da Justiça Estadual, sem impedir cooperação com outras forças policiais ou com a própria Polícia Federal caso as circunstâncias exijam.
É um esclarecimento importante porque, nas redes sociais, surgiram cobranças para que instituições federais assumissem ou ampliassem a participação no caso.
A mãe quer respostas. A polícia pede cautela.
No meio dessa disputa pública existe uma mulher que continua sem saber onde estão seus dois filhos.
Clarice já declarou repetidamente seu sentimento de abandono e sua frustração diante da falta de informações.
É compreensível que queira saber cada detalhe.
Ao mesmo tempo, investigadores argumentam que revelar determinadas informações poderia prejudicar justamente aquilo que todos querem alcançar: encontrar Ágatha e Allan.
Talvez a grande questão agora não seja escolher automaticamente “um lado”.
O verdadeiro desafio é compreender se existe uma distância entre investigação realizada e comunicação com a família.
Porque uma investigação pode estar tecnicamente ativa e, ainda assim, familiares podem sentir que não estão sendo suficientemente informados.
Da mesma maneira, a ausência de coletivas frequentes não prova, sozinha, que investigadores tenham abandonado o caso.
Uma nova fase começa
A chegada de assistência jurídica à família parece ter provocado uma nova onda de cobranças.
A Polícia Civil respondeu.
Documentos e números começaram a ser mencionados publicamente.
O caso voltou ao centro das discussões.
Isso, por si só, representa uma mudança.
Mas não é ainda a resposta que todos esperam.
O objetivo final não é vencer uma disputa de versões.
Não é provar quem falou mais alto.
Não é descobrir quem conseguiu mais atenção nas redes sociais.
O verdadeiro objetivo continua sendo um só:
encontrar Ágatha Isabelly e Allan Michael.
Por enquanto, a afirmação de que a investigação teria simplesmente sido “abandonada” é contestada oficialmente pela Polícia Civil.
Da mesma forma, as críticas apresentadas pela família e pela advogada não desaparecem apenas porque existe um inquérito com centenas de páginas.
As próximas diligências — e principalmente seus resultados — serão decisivas.
Sete meses depois daquele domingo de janeiro, Bacabal continua carregando uma pergunta dolorosa que ninguém conseguiu responder:
onde estão Ágatha e Allan?
E agora, depois do confronto público entre as cobranças da família e a resposta oficial da Polícia Civil, uma segunda pergunta começa a ganhar força:
se a investigação nunca parou, o que existe dentro dessas mais de 700 páginas que ainda poderá finalmente revelar o destino das duas crianças?