Atualizações da Clarice mãe das crianças desaparecidas de Bacabal
“Meus filhos não foram encontrados porque não estavam procurando”, diz mãe de Alan Michael e Ágatha em desabafo que provoca revolta; Polícia Civil afirma que investigação tem mais de 700 páginas e segue em andamento
O caso das crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão, ganhou uma nova reviravolta e voltou a provocar forte comoção nas redes sociais. Depois de mais de sete meses sem respostas sobre o paradeiro de Alan Michael e Ágatha Isabela, a mãe das crianças, Clarice, fez um desabafo emocionante e acusou as autoridades de não terem realizado uma busca efetiva pelos filhos.
Em lágrimas, a mãe afirmou que acreditou nas informações repassadas pela polícia durante todo esse tempo, mas que agora estaria descobrindo que muitas diligências que poderiam ter sido feitas nunca aconteceram. Segundo Clarice, ela procurou ajuda diversas vezes, foi até delegacias e buscou respostas, mas sempre recebeu a mesma informação: que o caso estava sendo investigado.
“Eu confiei neles. Toda vez eu ia na delegacia procurar uma resposta e eles diziam que estavam investigando, que estavam procurando. Mas não estava”, declarou a mãe durante uma transmissão que repercutiu amplamente.

A fala de Clarice trouxe novamente o sofrimento de uma família que há meses vive a angústia de não saber onde estão as crianças. Moradora de uma comunidade quilombola, ela relatou as dificuldades enfrentadas para acompanhar o caso, principalmente por não possuir recursos financeiros para contratar um advogado.
“Talvez eu não tenha condição de pagar um advogado. Eu moro numa comunidade quilombola. Eu fui atrás, procurei respostas, mas eu não tinha como fazer mais”, disse emocionada.
A mãe também afirmou que, em sua visão, as buscas aconteceram apenas no início do desaparecimento, principalmente dentro da comunidade onde as crianças foram vistas pela última vez. Depois disso, segundo ela, faltaram ações mais amplas para tentar localizar os filhos.
“Se eles estivessem procurando, meus filhos já poderiam estar comigo. Eles não foram encontrados porque não procuraram”, afirmou Clarice.
A declaração provocou uma reação imediata e levou representantes que acompanham o caso a cobrarem explicações das autoridades. A advogada que passou a auxiliar Clarice afirmou que existem questionamentos sobre possíveis diligências que, segundo ela, deveriam ter sido realizadas durante a investigação.
Entre os pontos levantados estão a ausência de informações sobre movimentações em aeroportos, rodoviárias, registros de veículos, hospedagens e outros caminhos que poderiam ajudar a entender o desaparecimento das crianças.
Segundo a advogada, as crianças teriam saído sem documentos e, por isso, seria necessário investigar todas as possibilidades, incluindo deslocamentos para outras cidades ou estados.
“Quantas vezes foi levantada a entrada e saída em aeroportos? Quantos veículos foram analisados? Quais pousadas tiveram movimentação naquele período? Essas respostas precisam aparecer”, questionou.
Outro ponto levantado foi a distância entre locais relacionados às buscas, incluindo áreas onde cães farejadores teriam identificado possíveis rastros das crianças. A defesa questiona como elas poderiam ter chegado a determinados pontos e quem poderia ter ajudado nesse deslocamento.
“Como essas crianças chegaram até lá? Alguém conhecia aquela região? Houve ajuda? Existiu algum transporte? Essas perguntas precisam ser respondidas”, afirmou a representante jurídica.
Diante das acusações, a Polícia Civil do Maranhão e a 16ª Delegacia Regional de Bacabal divulgaram uma nota oficial para esclarecer a situação. O órgão afirmou que o inquérito continua ativo e que as investigações seguem em andamento, mas que algumas informações precisam permanecer em sigilo para não comprometer o trabalho policial.
Segundo a nota divulgada, o procedimento já ultrapassa 700 páginas, reunindo relatórios de investigação, laudos, perícias, depoimentos e outras informações coletadas durante as diligências.
A Polícia Civil afirmou ainda que somente os delegados e investigadores diretamente responsáveis possuem acesso integral aos autos devido ao sigilo da investigação. O órgão também declarou que, até aquele momento, não havia advogado habilitado oficialmente no inquérito.
“A investigação permanece em plena atividade, com diversas diligências já realizadas e outras em andamento”, informou a instituição.

A polícia também rebateu a possibilidade de transferência automática do caso para a Polícia Federal caso exista a hipótese de que as crianças tenham sido levadas para outro estado. Segundo o posicionamento oficial, a investigação continua sob responsabilidade da Polícia Civil e da Justiça Estadual, podendo haver cooperação com outros órgãos quando necessário.
Na nota, a instituição destacou que casos dessa gravidade exigem cautela, inteligência e análise técnica, afirmando que nem todas as ações podem ser divulgadas publicamente.
“Existem diligências que precisam permanecer desconhecidas do público justamente para que possam produzir resultados”, declarou a Polícia Civil.
O órgão também afirmou compreender a dor da mãe e dos familiares, mas pediu cuidado com informações não confirmadas que poderiam prejudicar a investigação.
“A Polícia Civil continuará trabalhando com responsabilidade, descrição e rigor técnico, realizando todas as diligências consideradas necessárias”, informou.
Mesmo após a manifestação da polícia, a família e os apoiadores de Clarice continuam cobrando respostas. A advogada afirmou que pretende questionar oficialmente os pontos apresentados e pediu que documentos e informações sejam disponibilizados pelos canais adequados.
Para Clarice, o momento é de desespero, mas também de esperança. Ela fez um apelo para que a população continue compartilhando imagens dos filhos e ajudando a divulgar o caso.
“Eu quero pedir para vocês me ajudarem a reencontrar meus filhos. Onde eu confiei, eu não tive resposta. Agora eu preciso da ajuda de vocês”, declarou.
O desaparecimento de Alan Michael e Ágatha Isabela permanece como um dos casos mais dolorosos acompanhados no Maranhão. De um lado, uma mãe que afirma ter sido abandonada pelo sistema e que luta diariamente por respostas. Do outro, uma polícia que garante estar trabalhando em uma investigação complexa e sigilosa.
Enquanto o confronto de versões aumenta a pressão sobre as autoridades, uma pergunta continua sem resposta e mantém uma família em sofrimento: onde estão Alan Michael e Ágatha Isabela?
A mobilização nas redes sociais cresce a cada dia, com pedidos para que novas informações sejam encontradas e que a verdade sobre o desaparecimento das crianças finalmente venha à tona.